CHRÉTIEN, Jean-Louis. Lueur du secret. Paris: L’Herne, 1985
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O problema teológico da ira de Deus como dimensão essencial da vida e da ação divinas nos Testamentos
- A tentativa da teologia racional de enquadrar a ira divina em um tratado filosófico das paixões
- O desenraizamento da ira de Deus de suas situações espirituais e históricas singulares
- A redefinição da ira como "patologia" a partir de um tratado das paixões de origem filosófica
- A reversão do significado da ira de Deus na teologia racional
- A ira como cifra da transcendência e da potência soberana de Deus que excede a expectativa humana
- A transformação da ira em indício de fraqueza e limitação divinas, aproximando Deus do homem
- A caracterização da ira como antropopatismo, exigindo correção por uma teologia negativa
- A tentativa da teologia racional de enquadrar a ira divina em um tratado filosófico das paixões
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A fundamentação teológica do antropomorfismo bíblico a partir da iniciativa divina
- A impossibilidade de separar a palavra de Deus sobre o homem da palavra do homem sobre Deus na Bíblia
- A tensão indissociável entre a palavra de Deus ao homem e a palavra dos homens sobre Deus
- A reunião hipostática das duas dimensões da palavra em Cristo
- A origem divina do antropomorfismo bíblico como fundamento teológico
- A recusa da redução do antropomorfismo a uma iniciativa humana violenta e arbitrária
- A afirmação de que "o antropomorfismo é de origem divina"
- O perigo de não levar a sério o antropomorfismo fundado na antropomorfose divina
- A crítica à teologia negativa exclusiva em favor da proximidade de um Deus que salva por sua palavra
- A revelação da transcendência divina na proximidade do amor, e não no afastamento da indiferença
- A inversão da acusação de antropomorfismo
- A interrogação sobre se o maior antropomorfismo é querer liberar Deus de todo antropomorfismo
- A questão sobre se, em nome de uma concepção puramente humana da transcendência, destitui-se Deus de sua vida e liberdade
- A impossibilidade de separar a palavra de Deus sobre o homem da palavra do homem sobre Deus na Bíblia
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O tratado de Lactâncio sobre a ira de Deus no diálogo entre filosofia e teologia
- A colocação do livro de Lactâncio no centro do diálogo sobre o antropomorfismo
- A aparência de ingenuidade da teologia de Lactâncio e a preservação de seu núcleo bíblico
- A combinatória estabelecida por Lactâncio para examinar a questão da ira e da graça
- As quatro possibilidades de atribuir ou negar a ira e a graça a Deus
- A refutação rápida da possibilidade de atribuir apenas a ira a Deus
- O projeto de Lactâncio de restabelecer a "ira de Deus" contra os filósofos
- A identificação dos adversários: epicuristas que negam ira e graça, e estoicos que negam apenas a ira
- A constatação de que "todos os filósofos se acordam ao respeito da ira, mas se separam ao respeito da graça"
- A questão central da articulação entre a ira e a graça
- A dissimetria entre a combinatória lógica e a oposição espiritual mais aguda
- A identificação do principal interlocutor como o estoicismo, a despeito do epicurismo ser o maior erro
- A colocação do livro de Lactâncio no centro do diálogo sobre o antropomorfismo
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O debate sobre a ira de Deus como um debate sobre a graça de Deus
- A solidariedade entre a ira e o perdão como núcleo do pensamento de Lactâncio
- A afirmação de que "todo livro de ira Dei é portanto um livro de gratia Dei"
- A demonstração de que a possibilidade da ira surge da própria possibilidade do perdão
- A inadequação da combinatória inicial face ao projeto de fundo do tratado
- A impossibilidade de a ira ser um atributo que se acrescenta ou se recusa a Deus isoladamente
- O tratado sobre a ira como tratado oblíquo sobre a compreensão bíblica de Deus
- A oposição violenta entre o Deus vivo da teologia bíblica e o Deus dos filósofos
- A refutação das doutrinas filosóficas por meio da ideia do Deus vivo
- A solidariedade entre a ira e o perdão como núcleo do pensamento de Lactâncio
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A argumentação de Lactâncio baseada no Deus vivo e na imagem de Deus no homem
- A oposição ao argumento filosófico de que Deus não pode ser movido por nenhum sentimento
- A afirmação de que "Deus não é, se não se move, o que é próprio do vivo"
- A crítica à ideia de beatitude como repouso: "Que pode portanto ser em Deus a beatitude, se ele permanece sempre inerte, em repouso e imóvel?"
- A vida divina compreendida por um vigoroso antropomorfismo que inclui os adfectus
- A distinção entre os adfectus que supõem fragilidade humana e os que podem existir em Deus
- A definição da justa ira como "o movimento do espírito para reprimir os pecados daquele que se rebela"
- A fundamentação na doutrina da imagem de Deus no homem
- O princípio de que "o que temos dito do homem, é preciso dizê-lo também de Deus, que fez o homem semelhante a si"
- A solidariedade entre a capacidade de ira e a capacidade de perdão em Deus
- A oposição ao argumento filosófico de que Deus não pode ser movido por nenhum sentimento
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A elaboração de Tertuliano sobre a oposição entre o Deus bíblico e o Deus dos filósofos
- A afirmação de que o conhecimento de Deus provém dos profetas e de Cristo, e não dos filósofos
- A justiça da severidade divina e a ira como requisito de seu cumprimento
- A bondade da severidade porque ela é justa
- A analogia com o juiz e o médico para defender os movimentos e sentimentos pelos quais Deus julga
- A doutrina da imagem de Deus no homem para pensar a similitude e a dissimilitude
- O princípio de que "o espírito humano tem os mesmos movimentos e sentimentos que Deus tem, bem que não os tenha da mesma maneira"
- A categorização da ira divina como um dos "sentimentos judiciais" pertencentes a um juiz
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A tensão entre a antropomorfose de Deus e a teomorfose do homem
- A dupla referência à encarnação como ápice da antropomorfose e à criação do homem à imagem de Deus
- A impossibilidade de traçar a linha do antropomorfismo com base em um saber prévio sobre Deus e o homem
- A crítica à aplicação direta ou à recusa direta da linguagem dos movimentos humanos a Deus
- A tensão como lugar de uma "comunicação dos idiomas" avant la lettre
- A resposta de Tertuliano à acusação de antropomorfismo pela comunicação dos idiomas
- A oposição entre a "morte" de Deus segundo os filósofos e a "morte" de Deus objeto da fé cristã
- A afirmação de que o pensamento demasiado humano é o que ataca o antropomorfismo bíblico
- A inversão da relação entre a ira divina e a ira humana
- O princípio teológico de que "é a ira do homem que deve ser pensada a partir da ira de Deus, e não o inverso"
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A dificuldade inerente à solidariedade entre bondade e justiça, amor e ira
- A interrogação sobre a equiparação dos termos amor e ira em Lactâncio e Tertuliano
- A questão sobre se a solidariedade ad extra implica que os termos estejam no mesmo plano
- A suspeita de uma articulação demasiado simples e humana entre justiça e bondade divinas
- A interrogação sobre a equiparação dos termos amor e ira em Lactâncio e Tertuliano
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A posição de Paul Althaus sobre o caráter antropopático do amor e da ira de Deus
- A crítica à eliminação da ideia de ira divina por Schleiermacher e Ritschl
- A defesa de que o conceito de ira de Deus não é mais antropopático que o conceito de amor de Deus
- A afirmação de que "não temos nenhuma razão para afastar de Deus o pensamento do 'afeto'"
- A definição da ira como "a contra-vontade de Deus contra o mal"
- A dependência excessiva de um tratado humano das paixões para pensar o amor e a ira de Deus
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A dissimetria entre o amor e a ira de Deus segundo São Tomás de Aquino
- A distinção entre o aspecto material e formal da paixão como resposta à objeção de equivalência
- A atribuição metafórica a Deus das paixões que incluem imperfeição em seu aspecto formal, como a ira
- A atribuição própria a Deus das paixões que não incluem imperfeição formal, como o amor e a alegria
- A primazia absoluta dos atos da vontade que visam o bem sobre os que visam o mal
- A compreensão da ira de Deus como consequência da oposição do homem
- A afirmação de que "a ira de Deus aparece quando Deus se ergue contra o homem que se ergue contra ele"
- O princípio de que "no Não de Deus ao pecador, o Sim eterno de seu amor está ativo"
- A distinção entre o aspecto material e formal da paixão como resposta à objeção de equivalência
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Os pressupostos comuns na abordagem de Paul Althaus e de São Tomás de Aquino
- A partida de um tratado humano das paixões para definir o amor e a ira de Deus
- A questão essencial sobre o ponto de partida: o tratado das paixões ou o ser de Deus
- A interrogação sobre se a propriedade do enunciado sobre o amor de Deus se funda apenas na ausência de imperfeição formal
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A dissimetria essencial entre o amor e a ira fundada na vida divina trinitária
- A afirmação de que "tudo o que está em Deus é Deus", mas o amor tem uma realidade pessoal que a ira não tem
- O amor como "nome próprio do Espírito Santo", penetrando no coração da vida divina
- A existência de um amor intra-divino e a inexistência de uma ira intra-divina
- A resposta de São Tomás à objeção sobre o amor de Deus pelas criaturas e o Espírito Santo
- A consequência para a propriedade da atribuição do amor a Deus
- A fundamentação na vida trinitária, e não apenas na ausência de imperfeição da paixão humana correspondente
- A afirmação de que "tudo o que está em Deus é Deus", mas o amor tem uma realidade pessoal que a ira não tem
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A interrogação final sobre o pensamento da ira de Deus a partir de seu amor
- O questionamento sobre como pensar a ira de Deus em função de seu amor, dada sua dissimetria essencial
- O questionamento sobre como a dialética do antropomorfismo se insere em um espaço, o do amor, que ela não atinge
- A proposta da "teocriptia" da ira como resposta
- A definição da teocriptia como a visão da ira de Deus como manifestação oblíqua de seu amor
- A caracterização da ira como "a astúcia desse amor em uma história impregnada pelo pecado e pela revolta do homem contra Deus"