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id da página: 7599 Jean-Louis Chrétien – Lampejo do secreto – Teofania e Teocriptia

Chretien Teofania Teocriptia

Jean-Louis Chrétien – Lampejo do Secreto


CHRÉTIEN, Jean-Louis. Lueur du secret. Paris: L’Herne, 1985

  • A unidade intrínseca entre manifestação e ocultamento na re-velação divina

    • A imagem da luz velada em São Tomás de Aquino como símbolo da re-velação [mostra-se e volta a se velar] que contém em si o segredo.
    • A identificação de Cristo como a luz que simultaneamente se revela e se vela, sendo o ponto de cruzamento entre a teofania e a teocriptia.
    • A concepção de que o segredo é inerente à própria luz divina, sendo o meio pelo qual ela irradia e atrai.
    • A tarefa fundamental do pensamento cristão: unir a teocriptia e a teofania, compreendendo o velamento como parte da revelação.
    • A distinção entre manifestação e revelação: a primeira pode opor-se à não-manifestação, enquanto a segunda levanta os véus para transmitir o mistério.
    • A afirmação de que o Deus revelado é sempre, ao mesmo tempo, o Deus escondido e o Deus manifestado.
    • A definição da revelação como o ato pelo qual Deus se manifesta ao se esconder e se esconde ao se manifestar.
  • A economia cristológica da teofania e da teocriptia

    • A impossibilidade de uma divisão no Cristo entre propriedades divinas manifestas e propriedades divinas ocultas, dado que Ele é Deus.
    • A rejeição da ideia de que o cruzamento entre teofania e teocriptia seja um compromisso ambíguo ou uma confusão.
    • A articulação hierárquica que subordina incondicionalmente a teocriptia à teofania.
    • A teofania como origem da teocriptia, pois é só porque Deus se revela no Cristo que Ele também pode se esconder.
    • A teofania como fim da teocriptia, pois Deus só se oculta para se revelar.
    • O horizonte último da teocriptia cristã ser a revelação plena e definitiva de Deus em Cristo.
    • A imagem do livro que contém toda a ciência, em São Tomás de Aquino, para ilustrar a completude da revelação.
    • A solidariedade entre a escatologia cristã e o princípio de que Deus já se doou totalmente, não restando nada a ser revelado.
    • O risco de a teocriptia, desvinculada da teofania, degenerar em um esoterismo da soberba humana.
  • A fundamentação da economia cristológica em Juan de la Cruz

    • A oposição estabelecida por São João da Cruz entre o diáculo com Deus na Antiga e na Nova Aliança.
    • A caracterização da Antiga Aliança como uma época em que era exigido buscar conhecimentos particulares e respostas diretas de Deus.
    • A afirmação de que a vinda de Cristo põe fim ao diálogo imediato e direto com Deus.
    • O aparente paradoxo: a maior proximidade divina na encarnação introduz uma maior distância, pois buscar revelações fora de Cristo é afastar-se d'Ele.
    • A interpretação da condição extrema da cruz como o evento que encerra o diálogo provisório e parcial do Antigo Testamento.
    • A doutrina de que Deus, ao dar seu Filho, que é sua Palavra, não tem outra palavra a dar, tendo-se tornado "como mudo".
    • A consequência de que questionar Deus fora de Cristo é faltar com a , pois a resposta única e definitiva já foi dada.
    • A ideia de que em Cristo se encontra não apenas a resposta para nossas perguntas, mas também a luz para questões que nem sabemos formular.
    • A singularidade do Verbo infinito, que pode doar-se por completo, esvaziando-se no silêncio do amor.
    • A rejeição da ideia de Deus como um reservatório inesgotável de segredos, em favor da adoração ao amor que tudo doa.
  • A mediação oblíqua da revelação e sua relação com a revelação integral

    • O princípio formulado por São João da Cruz de que Deus quer que o homem receba a revelação por meio de outro homem.
    • A superioridade da comunicação sobrenatural indireta, mediada pela comunidade humana, sobre a comunicação direta e privada.
    • A necessidade de que o sobrenatural seja confirmado no espaço do natural, no diálogo entre os homens.
    • A interpretação de episódios bíblicos, como o de Gédéon e o de São Paulo, para ilustrar a necessidade da mediação humana para a segurança da fé.
    • A distinção entre duas ideias no princípio da obliquidade: a não substituição do natural pelo sobrenatural e a existência de dois modos de comunicação sobrenatural.
    • A comunicação sobrenatural oblíqua, em que Deus age como terceiro na comunidade humana, conferindo-lhe unidade e sentido.
    • A ausência de contradição entre a obliquidade e a integralidade da revelação, pois a revelação total em Cristo é ela mesma oblíqua.
    • A singularidade da obliquidade em Cristo: o homem que fala é Ele mesmo a Palavra de Deus.
    • A obliquidade como articuladora da teofania e da teocriptia, levando a primeira ao auge e sendo condição de possibilidade da segunda.
    • A teocriptia como garantia da verdade da teofania, sendo o momento do velamento indispensável para o acesso à manifestação.
  • A convergência das questões teocripticas para a cruz de Cristo

    • A multiplicidade de sentidos Deus Absconditus na revelação.
    • A crise existencial provocada pelo encontro com Cristo, no qual a proximidade e o distanciamento de Deus atingem seu ponto crítico.
    • A intensificação simultânea da teofania e da teocriptia no evento cristológico.
  • A articulação entre teofania e teocriptia em Pascal

    • A análise da carta de Pascal a Mademoiselle de Roannez sobre o Deus escondido.
    • A distinção pascaliana de três graus de velamento divino: sob o véu da natureza, sob o véu da humanidade na encarnação e sob as espécies do pão na eucaristia.
    • A caracterização de que o ocultamento aumenta em cada grau, sendo a eucaristia o "mais estranho e mais obscuro segredo".
    • A concepção de que a manifestação se torna mais rara e preciosa, sendo concedida a um grupo cada vez mais restrito.
    • A interpretação de que, para Pascal, teofania e teocriptia são atos externos um ao outro: manifestação para uns é ocultamento para outros.
    • A conclusão da carta com uma ação de graças pela "descoberta" privilegiada de Deus, revelando uma lógica de separação.
  • A articulação entre teofania e teocriptia no Pseudo-Dionísio e em Paul Claudel

    • A formulação do Pseudo-Dionísio de que Deus permanece escondido mesmo após e na própria manifestação.
    • A caracterização do mistério de Jesus como permanecendo inefável e impensável mesmo quando dito e pensado.
    • A concepção dionisiana do segredo não como um refúgio de Deus, mas como aquilo no qual e pelo qual Ele avança em sua "filantropia".
    • A ideia de que é a fé que descobre o segredo como segredo.
    • A exclamação de Paul Claudel na Epifania sobre o "Deus verdadeiramente escondido" que se mostra.
    • A menção aos véus da manjedoura, da cruz e do sofrimento, mas também a algo "mais secreto ainda".
    • A identificação da luz que irradia do rosto de Cristo como o verdadeiro segredo, simbolizando a teologia negativa.
    • A centralidade da teocriptia entendida como a manifestação do segredo de Deus no seu amor.
  • A natureza do segredo cristológico como segredo manifesto

    • A reflexão sobre a natureza do segredo essencial, que floresce em plena luz e é comum a todos.
    • A referência ao conceito de Goethe de "segredo manifesto" da natureza.
    • A citação de Santo Agostinho sobre a luz imutável, "secretum et publicum lumen", que é comum a todos, mas apropriada pessoalmente.
    • A incomparabilidade do segredo cristológico, pois o acesso a ele não é natural, mas depende da graça divina.
    • A distinção entre uma teocriptia da teologia natural e a teocriptia cristológica.
  • A teocriptia e as Escrituras: a kenose do Verbo e a suficiência do testemunho

    • O acesso exclusivo a Jesus por meio de testemunhos humanos e das Escrituras.
    • A questão aparente da incompletude das Escrituras, sugerida pelo versículo joanino sobre as "muitas outras coisas" que Jesus fez.
    • A alternativa entre considerar essas ações como supérfluas ou considerar as Escrituras como lacunares.
    • A resolução da alternativa a partir da compreensão da kenose do Verbo.
    • A meditação de Charles Péguy sobre a "incarnação" da memória de Jesus nas Escrituras, sujeita à crítica histórica.
    • A ideia de que a kenose se estende às Escrituras, que se entregam ao exame e à contestação, assim como Jesus se entregou aos seus algozes.
    • A afirmação de que a completude das Escrituras não é exaustividade biográfica, mas a presença do Evangelho em cada uma de suas partes.
    • A unidade de teofania e teocriptia em cada ato conhecido de Jesus, tornando o conhecimento dos detalhes ignorados desnecessário para compreender seu mistério.
    • A identificação das Escrituras como o ponto crítico que coloca a questão "quem dizeis que eu sou?".
  • A busca pelo centro da teocriptia na existência de Jesus

    • A enumeração de diversos momentos teocripticos na vida de Jesus: parábolas, pobreza, discrição dos milagres, ignorância proclamada, sofrimento e morte.
    • A interrogação sobre o que constitui o nó central da teocriptia, dado que todos os atos de Jesus participam dela.