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id da página: 9811 Henry Corbin – No Islame Iraniano II – Graal iraniano Henry Corbin

Corbin Graal Iraniano


CORBIN, Henry. En Islam iranien: aspects spirituels et philosophiques II. Paris: Gallimard, 1991

  • A tentativa de expressar o Indizível do "retorno ao Oriente" por Sohrawardi

    • Composição de um breve e extraordinário "relato do Graal" por Sohrawardi
    • Mobilização de todos os temas anteriores para compreender as ressonâncias deste relato
    • Fascinação de Sohrawardi pela figura de Kay Khosraw
      • Kay Khosraw como figura típica dos Sábios da Pérsia antiga (Khosrawaniyun)
      • Khosrawaniyun como predecessores dos Ishraqiyun na mesma família espiritual
    • Kay Khosraw como "rei do Graal" no relato de Sohrawardi
    • Ressonância entre a gesta de Kay Khosraw e a gesta de Parsifal
    • O "relato do Graal" como composição possível apenas para um místico khosrawani
    • Ressonâncias faustianas e wagnerianas no relato de Sohrawardi
  • O Evento do "retorno ao Oriente" e seu nível de realidade

    • Verdade literal do Evento não em nosso mundo, mas "entre Céu e Terra"
    • Personagens como Kay Khosraw, Parsifal e Galaad sem traços em arquivos históricos
    • Lugares como Kang-Dêz, Hurqalya e palácio espiritual de Sarras inatingíveis pela arqueologia
    • Realidade destes personagens e lugares de outra ordem, conforme a "teosofia oriental" de Sohrawardi
  • A responsabilidade compartilhada no processo de dizer e compreender o Evento

    • Tentativa do místico em dizer o Evento
    • Necessidade de fazer aparecer o Evento para o ouvinte ou leitor
    • Engajamento conjunto do autor e do leitor na mesma aventura
    • Condições para o autor tentar dizer e para o leitor compreender
    • A hikayat como resposta a esta dupla questão
  • O conceito de hikayat como recital e mimese

    • Hikayat como ato de recitar e ato de imitar (mimese)
    • Relato que mimeta, história que é imitação e repetição atual do Evento
    • Transcedência da hikayat em relação a qualquer técnica
    • Impossibilidade de produzir relatos místicos apenas através de leitura técnica
    • Necessidade de compreensão que perceba além da técnica
    • Responsabilidade do leitor ou ouvinte em seu Compreender
    • O Evento só é compreendido por quem começa a experimentá-lo
  • Injunções de Sohrawardi para o "retorno" e a jornada espiritual

    • Chamado para "retornar" ao lugar de presença anterior
    • Invitação para embarcar na arca de Noé com a exclamação "Que ele navegue e chegue ao porto!"
    • Repartição da responsabilidade da hikayat entre autor e audidor
  • Sohrawardi como filósofo que "faz a história" da filosofia através do ato filosófico

    • "Fazer a história" dos Ishraqiyun como fazer a "teosofia oriental"
    • Reivindicação da ascendência dos Khosrawaniyun, Sábios da Pérsia antiga
    • O Evento que ocorre por autoridade e mobiliza o passado
    • Sohrawardi como "ressuscitador da teosofia da antiga Pérsia"
    • Sohrawardi não apenas descrevendo ou narrando uma história, mas sendo esta história
  • Definição da hikayat por Shaykh Ahmad Ahsa'i

    • Triunidade no ato do recital (hikayat): recitador, gesta recitada e herói do relato
    • Triunidade no ato do testemunho (shahadat): testemunha, coisa contemplada e testemunho sobre a coisa
    • Unidade destes três elementos na realidade uma vez superado o egoísmo
    • Ocorrência desta triunidade "em cada ser" conforme sua medida
    • Necessidade de meditação contínua sobre este princípio
  • A hikayat como história que rompe o curso da história ordinária

    • Reconstituição da triunidade em cada repetição da hikayat
    • Tempo reversível no ato desta repetição: o evento arranca o passado ao passado
    • Superação do hiato entre nível A (exposição doutrinal ou histórica) e nível C (história interior)
    • História de uma espiritualidade como a própria espiritualidade em ato
  • Implicações historiosóficas de toda hermenêutica histórica

    • Toda hermenêutica histórica implica uma posição historiosófica
    • O historiador "faz a história" de que fala conforme sua historiosofia
    • Objetivação histórica como momento final de uma história tornada museu
    • Questão da significação absoluta de uma filosofia ou doutrina
    • Resposta através das condições da hikayat e do "realismo espiritual"
  • Exigência da hikayat em contraposição às ciências humanas contemporâneas

    • Abolição da subjetividade como pressuposto da triunidade da hikayat
    • Paradoxo entre "objetividade" histórica e "subjetivismo cético"
    • Paradoxo entre hikayat e acusação de "subjetivismo místico"
    • Dimensão "polar" do ser humano versus dimensão "latitudinal" da consciência histórica
  • Teologia apofática do xiismo e do sufismo como instauradora da dimensão vertical

    • Deus como Incognoscível, Abismo, Silêncio
    • Revelação de Deus apenas através de qualificações correspondentes ao que somos
    • Revelação de Deus em nós e por nós
    • Face divina de revelação e face humana de apresentação a Deus
    • Tema do Imã como Face divina para o homem e Face humana para Deus
    • Conhecimento de Deus apenas por Ele mesmo
  • Paradoxo da triunidade na hikayat: recitador como agente ativo e paciente

    • Linguagem e tonalidade derivadas da mística de amor
    • Exemplo de Majnun e Layla (Tristão e Isolda da poesia árabe e persa)
    • Olhar do Amante como olhar da Amada contemplando a si mesma
    • Aplicação à relação divina: olhar de Deus em nós como nosso olhar para Deus
  • Realização da triunidade da hikayat com a superação do egoísmo

    • Subjetividade absolvida e fixada em subjetividade absoluta pelo ato divino
    • Preparação para ouvir a hikayat do Graal em Sohrawardi
    • Afirmação resolutiva: "Ele mesmo é o Graal de Kay Khosraw"
  • Contexto do "relato do Graal" na obra de Sohrawardi

    • Inserção como quarto capítulo do tratado "A língua das formigas" (Loghat-e muran)
    • Estrutura de doze apologues ou relatos místicos de caráter rapsódico
    • Quatro momentos do relato do Graal: prelúdio, exposição dos mistérios, momento extático, declaração final
  • Prelúdio: o tema da Taça misteriosa como forma de manifestação da Luz da Glória

    • Posse do Graal por Kay Khosraw
    • Designação tradicional como "Graal de Jam" (Jamshid/Yima)
    • Origem no var ou enclave paradisíaco de Erân-Vêj
    • Analogias com Kang-Dêz e cidades do "oitavo clima"
    • Virtudes microcósmicas do Graal como "espelho do universo"
    • Contemplação dos mistérios dos mundos visíveis e invisíveis
    • Paralelo com a contemplação de Galaad no palácio espiritual de Sarras
  • Exposição dos mistérios do Graal

    • Graal como microcosmo espiritual, homem de Luz no homem (Luz Espahbad)
    • Encerramento na "bainha de pele" ou "funda de couro" (corpo material)
    • Desatar dos laços e "desembainhar" da Luz
    • Invisibilidade do Graal no momento de contemplação
    • Paralelos: Kay Khosraw como Titurel, peregrino no cume da montanha de Qaf, desaparecimento de Kay Khosraw, transferência do Graal por Parsifal
    • Visibilidade do Graal apenas quando reconectado ao corpo físico
    • Aparência limitada à forma "torneada" com dez "juntas" (sentidos externos e internos)
  • Momento extático da ascensão da alma de luz ao seu "Oriente"

    • "Equinócio da primavera" como hora do Ishrāq
    • Equilíbrio entre Dia e Noite e triunfo da Luz sobre as Trevas
    • Tradição do Graal de Jamshid
    • Kay Khosraw segurando o Graal frente ao sol
    • Manifestação das impressões de todos os universos visíveis e invisíveis
    • Símbolo da gota de bálsamo no relato do Arcanjo empurpurado
    • Realização da "finalidade oriental" da teosofia através da escatologia vivida
    • Intervenção de três versos corânicos com ta'wil no presente
      • "Quando a Terra é estendida a plano..." (84:3-4)
      • "Nada do que é secreto em vós permanecerá oculto" (69:18)
      • "Cada alma compreenderá aquilo por que se fez preceder e o que deixou para trás" (82:5)
  • Declaração final em quarteto revelando a identidade do Graal

    • Revelação do Graal como o homem de luz que atingiu o autoconhecimento
    • Tradução do relato completo do Graal:
      • I. Posse do Graal-espelho do universo por Kay Khosraw
      • II. Mecanismo de aparecimento e desaparecimento do Graal através do desatar e atar dos laços
      • III. Contemplação no equinócio da primavera com o Graal frente ao sol
      • IV. Proclamação: "Quando ouvi de meu mestre o relato do Graal de Jam, eu mesmo me tornei o Graal de Jam espelho do universo"
  • Verificação das condições analisadas no "relato do Graal"

    • Conteúdo doutrinal florescendo na imagem do Graal de Kay Khosraw
    • Realização do Indizível como "retorno ao Oriente"
    • Evento como sentido oculto e realização do sentido oculto da doutrina
    • Enunciação do sentido oculto sob aparência de sensus litteralis
    • Sentido oculto não como retorno à evidência teórica, mas como despertar para a consciência do Evento
    • Realidade do Graal como objeto do mundo suprassensível
    • Realidade do Evento que rompe a história e nunca é "superado"
  • O ta'wil de Sohrawardi em perfeito acordo com sua hermenêutica do Livro sagrado

    • Regra: "Recita o Alcorão com sentimento extático, com emoção interior, com reflexão sutil"
    • "Recita o Alcorão como se tivesse sido revelado apenas para teu próprio caso"
    • Concordância com o "fenômeno do Livro sagrado" conforme o V Imã Mohammad al-Baqir
    • O ta'wil como hikayat que mantém o Alcorão vivo "até o dia da Ressurreição"
  • Ilustração através de outros relatos místicos de Sohrawardi

    • "Relato do Exílio ocidental": etapas da "jornada de retorno" marcadas por versos corânicos
      • Aplicação do ta'wil aos estados espirituais do místico
      • Chegada ao "Oriente" no "polo celeste"
      • Figura da "Natureza Perfeita" do hermetismo de Sohrawardi
    • "Relato do Arcanjo empurpurado": iniciação através de episódios da epopeia mística iraniana
    • Desfecho da gesta heroica na gesta mística com realização da finalidade "oriental"
    • Sohrawardi reconduzindo os Sábios da antiga Pérsia até o Islã na "Fonte oriental"
    • Surgimento dos Ishraqiyun como posteridade dos Khosrawaniyun