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id da página: 7510 Henry Corbin – No Islame Iraniano IV – Molla Sadra – Ressurreição Molla Sadra

Corbin II4 Molla Sadra Resurrectio

Rumo a uma metafísica da ressurreição

Lista de Tópicos em Português Brasileiro

  • As Glossas de Molla Sadra à Teosofia Oriental de Sohrawardi: Caracterização e Escopo da Obra

    • A natureza abrangente e pessoal das Glossas, que constituem uma obra monumental e não meras anotações marginais.
    • A extensão e a profundidade das Glossas, que funcionam como "lições magistrais" sobre o texto de Sohrawardi.
    • A possibilidade de as Glossas representarem as lições ministradas por Molla Sadra em Xiraz.
    • A abrangência das Glossas, que comentam a totalidade da Teosofia Oriental, da primeira parte ao fim da segunda parte.
    • A metodologia de numeração contínua das 646 Glossas para facilitar a referência, com foco no Livro Quinto sobre escatologia.
  • A Abordagem de Molla Sadra à Escatologia: Rejeição do Dilema Literalismo versus Alegorismo

    • A rejeição do dilema entre a ressurreição corporal materialista (ma'ad jismani) dos teólogos e a ressurreição puramente espiritual (ma'ad ruhani) dos filósofos avicennianos.
    • A crítica à falta, nos pensadores anteriores, de uma ontologia do "intermundo" ('alam al-awsat) e da compreensão da Imaginação Ativa.
    • A concepção do "corpo de ressurreição" como corpo adquirido (jism muktasab) ou caro spiritualis, configurado pelas potências espirituais do homem.
    • A regra de ouro da inseparabilidade entre Revelação corânica e conhecimento filosófico no plano superior da teosofia mística ('irfan).
    • A formulação de Molla Sadra: "A Revelação divina é a luz que faz ver; a meditação do filósofo é a luz que vê", sendo a teosofia "Luz sobre Luz".
    • A rejeição da concepção averroísta da "dupla verdade" e a afirmação do carisma da teosofia shi'ita.
  • A Ontologia do Intermundo e a Hermenêutica Escatológica como Fundamentos

    • O esforço inicial de Molla Sadra para estabelecer uma ontologia do intermundo, simbolizando com o universo sensível e inteligível.
    • A compreensão dos dados escatológicos da Revelação segundo sua verdade espiritual, que é também sua verdade literal simbólica.
    • A distinção crucial entre a exegese alegórica, que se mantém no mesmo plano de ser, e a exegese simbólica, que percebe planos superiores de realidade.
    • A crítica ao alegorismo racionalista como dispersão e ao literalismo teológico como absurdo.
  • A "Lições Introdutória" (Glossa 567): Metamorfose versus Transmigração

    • O objetivo de estabelecer uma doutrina escatológica da potência imaginativa e do mundus imaginalis.
    • A refutação da transmigração (tanasukh) como "transvasamento" da alma para outro corpo, equiparada ao literalismo teológico.
    • A representação da forma humana como o limite terrestre extremo da ascensão da Alma, a "soglia do Malakut".
    • O recurso provisório ao hilemorfismo peripatético e sua superação pela concepção da Alma como entidade espiritual autossuficiente.
    • A doutrina do "corpo adquirido" (jism muktasab) como sombra projetada pela alma, em razão de sua atividade, amor e comportamentos.
    • A compreensão do ma'ad como um "transferência quanto à substância" (intiqal jawhari) ou metamorfose, e não como um deslocamento local.
    • A substituição da ideia de transmigração pela ideia de transubstanciação ou metamorfose.
    • A antropologia que relaciona a alma, por seu corpo adquirido, às categorias de anjo, demônio, animal ou besta feroz.
    • A interpretação dos discursos de Platão e dos versículos corânicos como símbolos da "segunda nascença" ou "crescita" (nash'at thaniya) no outro mundo.
  • A Crítica a Avicena e a Necessidade do Mundo Intermediário

    • A surpresa de Molla Sadra com a incapacidade de Avicenna de resolver a questão da transmigração e da ressurreição corporal de modo conciliatório.
    • A análise da Risalat al-adhawiya de Avicena e sua filosofia do "como se" (ka'anna-ha) para o dívem póstumo.
    • A conclusão de que a limitação de Avicena decorre da não admissão da existência de um mundo corporal distinto do mundo material físico.
    • A necessidade de estabelecer a existência de uma "matéria espiritual sutil" (madda ruhaniya latifa) ou spissitudo spiritualis.
    • O papel pioneiro de Sohrawardi em determinar, em termos filosóficos, a função do mundo intermediário ('alam al-awsat), o mundo imaginal ('alam al-Mithal).
    • A caracterização do mundo imaginal como um mundo de Formas e Imagens substanciais autônomas, "suspensas" (mu'allaqa), percebido pela faculdade imaginativa.
  • A Imaginação Ativa como Faculdade Espiritual e o Corpo Sutil

    • A impressão de Molla Sadra de que Sohrawardi compartilha uma interpretação próxima da sua sobre o sentido oculto da transmigração.
    • A tese condicionante de que a Imaginação Ativa não é uma faculdade orgânica perecível, mas uma faculdade espiritual que a alma leva consigo, sendo o seu corpo sutil ou imaginal.
    • A predileção de Molla Sadra pelas referências a Ibn 'Arabi sobre este ponto.
    • A afirmação, na Glossa 589, de que a faculdade imaginativa é independente e separável do corpo físico, sendo as faculdades sensíveis exteriores sua sombra e vestígio.
    • A declaração, na Glossa 592, sobre a necessidade de se reconhecer a natureza puramente espiritual da potência imaginativa e a existência do mundo intermediário.
    • O desenvolvimento, na Glossa 610, da tripla consciência sensível, imaginativa e espiritual, correspondente aos três graus constitutivos do ser humano (corpo, alma, espírito).
    • A ideia do Mi'raj da alma, sua ascensão através de metamorfoses desde as profundezas minerais até às esferas espirituais mais altas, superando a soleira da morte e do Malakut.
    • A perspectiva de uma segunda e terceira "crescente" que marcam o devir póstumo do ser humano no 'alam al-Mithal.
  • O Devir Póstumo das Almas e a Função da Imaginação Ativa no Comentário de Molla Sadra

    • A análise de Molla Sadra sobre a terceira categoria de espirituais em Sohrawardi: os perfeitos na pureza interior, mas não no conhecimento teórico.
    • A capacidade das almas de fazer existir Formas e Imagens espirituais sem substrato material no mundo intermediário.
    • O desenvolvimento, nas Glossas 613-616, da doutrina da Imaginação e sua função essencial para uma "filosofia da Ressurreição".
    • A rejeição da necessidade de um suporte material ou celeste para as Formas imaginadas, que subsistem por seu agente (fa'il), não por um receptáculo (qabil).
    • A compreensão do Mi'raj como uma ascensão às esferas espirituais de Hurqalya, e não como uma viagem no espaço físico.
  • A Imaginação Ativa como Faculdade Espiritual Independente e seu Primado no Outro Mundo

    • A declaração de Molla Sadra de que quem compreende o tema da Imaginação pode sustentar a tese da ressurreição corporal (ma'ad jismani) sem dificuldade.
    • A independência da alma, em sua potência imaginativa, do corpo físico material após a separação.
    • A unificação de todas as faculdades da alma na Imaginação Ativa no outro mundo, tornando-se ela própria a percepção sensível.
    • A referência às Animae caelestes de Avicena como exemplo da Imaginação Ativa em estado puro e perfeito.
    • A crítica à identificação aviceniana entre a percepção imaginativa no outro mundo e a que ocorre durante o sono neste mundo.
    • O primado da percepção imaginativa sobre a sensível no outro mundo, onde a existência concreta é idêntica à existência como representação.
  • A Recapitulação da Doutrina em Oito Teses e a Crítica a Ghazali e Avicena

    • A "lição magistral" da Glossa 616, na qual Molla Sadra recapitula as oito teses principais de seu sistema.
    • As teses fundamentais: primado do ato de ser (wujud) sobre a essência; gradação intensiva do ser; movimento intra substancial; a Forma como princípio da quididade; a alma como princípio de individuação; a faculdade imaginativa como substância separada; o modo de subsistência das Formas imaginativas por seu agente; a teoria ishraqi da percepção visual.
    • A crítica a Ghazali e Avicena por sua incapacidade de fundamentar a ressurreição corporal devido à falta de uma ontologia do intermundo (alam al-Mithal).
    • A rejeição da hipótese de que corpos celestes físicos sirvam de suporte às Formas do outro mundo.
    • A afirmação de que a própria alma é o mazhar (lugar de epifania) das Formas que contempla.
  • A Imaginação Criadora e sua Função Escatológica na Perspectiva de Ibn 'Arabi

    • A distinção de Sohrawardi entre as Ideias platônicas e as Imagens "suspensas" do mundus imaginalis, estas podendo ser luminosas ou tenebrosas.
    • A citação, por Molla Sadra, de textos de Ibn 'Arabi sobre a Imaginação (Khayal) como barzakh e luz que configura o não-ser.
    • A análise de Ibn 'Arabi sobre o estatuto paradoxal da Imaginação: nem existente nem não-existente, nem conhecida nem ignorada.
    • O processo de simbolização pelo qual a Imaginação percebe realidades abstratas sob formas sensíveis (ex: o conhecimento como leite).
    • A consequência gnoseológica: a percepção imaginativa é um órgão de conhecimento válido de seu mundo próprio.
    • A aplicação desta doutrina para compreender o estado no barzakh e a ressurreição.
  • A Tripla Crescita do Ser Humano e a Articulação dos Três Mundos

    • A correspondência entre os três universos (sensível/Molk, imaginal/Malakut, inteligível/Jabarut) e a tríade antropológica (corpo/jism, alma/nafs, espírito/ruh).
    • A perda do sentido do intermundo e a mutilação da antropologia triádica no pensamento ocidental.
    • A doutrina dos três "crescimentos" ou nascimentos do ser humano: no mundo sensível, no intermundo (Qiyamat sughra) e no mundo espiritual (Qiyamat kubra).
    • A função tripla do mundus imaginalis: realizar a ressurreição dos corpos, as aparições divinas e os eventos proféticos.
    • A exposição, na Glossa 629, da visão grandiosa de Molla Sadra sobre a ascensão do ser através dos universos.
    • Os três intermediários do traslado: o Anjo da Morte (para o corpo), o primeiro toque da Trombeta (para as almas) e o segundo toque da Trombeta (para os espíritos).
    • O segundo crescimento (nash'at thaniya) da alma no barzakh, onde ela é o manifestado e configura seu corpo sutil (jism muktasab).
    • O terceiro crescimento (nash'at ruhaniya 'aqliya) no akhira, no mundo do Espírito, após a consumação do Aion e o toque da Trombeta de Serafiel.
    • A perspectiva escatológica da filosofia de Molla Sadra como conclusão da "filosofia profética", oferecendo ao homem a perspectiva de suas palingenesias futuras.