CARREIRA DAS NEVES, Joaquim. Escritos de São João. Lisboa: Universidade Católica, 2004
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A controvérsia sobre a paternidade espiritual entre Jesus e os judeus no Evangelho de João
- A recorrência dos nomes de Abraão e de "pai" na unidade literária.
- A afirmação dos judeus de terem Abraão por pai e a contraposição de Jesus, que declara ter Deus por Pai.
- A declaração de Jesus sobre Abraão: "se alegrou pensando em ver o meu dia; viu-o e ficou feliz".
- A centralidade do mistério da identidade de Jesus na cristologia joânica e a sua relação com a figura de Abraão.
- A importância da fonte "abraâmica" como ponto de partida comum para judeus, cristãos e islâmicos.
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A reinterpretação cristã das Escrituras Hebraicas e a figura de Abraão
- A leitura das Escrituras Hebraicas como profecia da pessoa de Jesus e do "novo Israel" cristão pelas comunidades primitivas.
- A preeminência das personagens de Abraão e Moisés nas Escrituras Hebraicas.
- A importância conferida a Abraão no quarto evangelho e na tradição sinóptica.
- A oposição, nos sinópticos, entre o mundo fechado dos judeus, centrado em Abraão, e o mundo aberto de Jesus, iniciado por João Batista.
- As citações de Mateus: "Deus até pode fazer das pedras filhos de Abraão..." e "Digo-vos que, do Oriente e do Ocidente, muitos virão sentar-se à mesa do banquete com Abraão, Isaac e Jacob, no Reino do Céu...".
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A liberdade pela verdade como desencadeadora do debate sobre Abraão
- A nova introdução de Jesus sobre a "verdade" e a "liberdade" como elemento desencadeador da unidade literária.
- A declaração de Jesus aos judeus que nele tinham acreditado: "Se permanecerdes fiéis à minha mensagem, sereis verdadeiramente meus discípulos, conhecereis a verdade e a verdade vos tornará livres".
- O problema da discussão entre os judeus crentes nas comunidades joânicas sobre a relação entre o judaísmo e a fé cristã.
- O âmago do debate: a relação entre Abraão como "pai", Deus-Yahvé como "Pai" e Jesus-Messias-Filho.
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A dialética dos três pais: Deus, Abraão e o diabo
- O escândalo da pessoa de Abraão, após o escândalo da "carne" e do "sangue" eucarísticos no capítulo sexto.
- A concepção judaica da "verdade" e "liberdade" como consequência de serem filhos de Abraão.
- A acusação de Jesus de que os judeus cometeram o pecado de matar Jesus por se terem deixado levar pelo seu "pai", o diabo.
- A sequência dialética dos versículos: a descendência de Abraão contrastada com a intenção de matar; a comunicação do que foi visto junto do Pai contra a ação inspirada pelo "vosso pai"; a réplica sobre Abraão como pai e a exigência de fazer as obras de Abraão; a acusação de pretender matar quem comunica a verdade.
- A afirmação culminante: "vós tendes por pai o diabo... Ele foi assassino desde o princípio, e não esteve pela verdade, porque nele não há verdade".
- A questão sobre a grandeza de Jesus em relação a Abraão e a declaração final: "Antes de Abraão existir, EU SOU!".
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A cristologia alta joânina e a sua origem na teologia do Pai
- A gênese da cristologia alta do quarto evangelho na nova teologia sobre a pessoa do Pai e sua relação com Jesus.
- O ponto de partida da teologia judaica em Abraão, contra o ponto de partida da fé cristã em Deus Pai.
- A interpretação joânina para a recusa judaica: a influência do "pai da mentira", Satanás ("diabolos"), que fechou as portas da fé.
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A afirmação anti-judaica e as suas consequências históricas
- O caráter da afirmação "Vós tendes por pai o diabo, e quereis realizar os desejos do vosso pai" como a mais anti-judaica de todo o Novo Testamento.
- A distinção entre o Jesus histórico e o Jesus joânico, fruto das inimizades religiosas entre judeus e cristãos.
- O uso histórico dessa afirmação como argumento para controvérsias religiosas e para a perseguição inquisitorial.
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A conclusão da unidade com a acusação de blasfêmia e a tentativa de lapidação
- A anotação do redator sobre o desfecho: "Então, agarraram em pedras para lhe atirarem. Mas Jesus escondeu-se e saiu do templo".
- A lapidação como pena reservada aos blasfemos, conforme Levítico 24, 13-16.
- A síntese das blasfêmias contínuas atribuídas a Jesus: a pré-existência em relação a Abraão; a exultação de Abraão ante o seu dia messiânico; a filiação divina; a paternidade diabólica dos judeus, incluindo os que inicialmente acreditaram.