Tradução de Antonio Carneiro
THE BOOK OF ARDA VIRAF
EL "ARDA VIRAF NAMAK", ¿ FUENTE IRANIA DE "LA DIVINA COMEDIA"?
Sergio Fritz Roa. Tradução de Antonio Carneiro
1. Um capitel que une Oriente e Ocidente
Na igreja de S. Isidoro de León, Espanha, existe um enigmático capitel onde uma mulher e um homem são colocados de cabeça para baixo por um demônio1
. O estilo arquitetônico do imóvel se insere dentro da arte românica, tendo sido construído por volta de 1063.
A mesma pavorosa imagem é descrita em um antigo texto zoroastriano que relata uma viagem às regiões celestiais e infernais. Seu nome: “Narração de Arda Viraf ” (“Arda Viraf Namak”). Onde indica o seguinte:
“Também vi as almas de vários homens e várias mulheres as quais estavam suspensas de cabeça para baixo, no inferno ... ”
A semelhança é evidente, e não exige maior análise. Mas, dois séculos depois, na obra de Dante Alighieri, “A Divina Comédia”, encontramos visões quase idênticas. Assim, no Inferno, Canto XIX, 24-26:
“Fora da borda, o pecador colocava
as pernas e os pés voltados para cima.
e o resto sob a terra ocultava ... ”2
E no Inferno, Canto XXXIV, 66-67:
“Desses de cabeça para baixo, em outro lote,
o que pende do negro befo é Bruto ... ”3
Se nem a Bíblia nem os Padres da Igreja foram explícitos em descrever os castigos infernais, como é possível que os capitéis românicos espanhóis estejam carregados de minuciosas representações de tais torturas ?
Só com Dante Aleghieri (1265-1321) encontraremos uma descrição literária detalhada do que é inferno e céu, com plena enumeração das sanções que se praticam no primeiro.
Além disso, se o Purgatório, só terá uma aprovação eclesiástica por volta do século XV, como se entende que cinco séculos antes, figurava nas esculturas dos capitéis de Espanha ?
A crença no Purgatório, no entanto, não era desconhecida antes da construção das igrejas românicas hispanas, pelos zoroastrianos e muçulmanos. É factível, então, uma influência oriental ? E se é assim, qual haveria predominado na Europa ? A mazdeísta ou a maometana ?
Ou, será que a tradição por ser Uma, ainda que diversas sejam as formas tradicionais, é unânime em seus conceitos fundamentais (o qual não implica negar intercâmbios a respeito de aspectos secundários) ?
As interrogantes se sucedem de forma vertiginosa. Sem pretender resolvê-las todas, aproximemo-nos de algumas de suas possíveis respostas.
- AS FONTES ORIENTAIS DA «DIVINA COMÉDIA»
- A NARRAÇÃO DE ARDA VIRAF
- SEMELHANÇAS ENTRE A NARRAÇÃO DE ARDA VIRAF E A «DIVINA COMÉDIA»
NOTAS: