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id da página: 635 EL ARDA VIRAF NAMAK

EL ARDA VIRAF NAMAK

ZOROASTRO — O Livro d’Arda Viraf


Tradução de Antonio Carneiro


THE BOOK OF ARDA VIRAF

A história é sobre Arda Viraf, um sacerdote zoroastriano que percorre uma viagem espiritual no céu e no inferno. O Arda Viraf Namak foi considerado fonte iraniana para Divina Comedia. Existem estudos acerca das possíveis influências mulçumanas na Divina Comédia de Dante, dentre estes destaca-se o trabalho de Miguel Asín Palacios, Escatologia Muçulmana na Divina Comédia, Ediciones Hiperión, colección: libros Hiperión, 79 , 4ª .ed.1984, 632 p., ISBN: 8475171311, como também o “Dante y el Islam”, Ed. Voluntad, col. de Manuales Hispania, Madrid, 1927 primera edición, 327 p., nota introductoria de Emilio García Gómez, reeditada por Urgoiti Editores, 2007, XCVI, 159 p., ISBN: 849352901X. Este libro de Asín Palacios, publicado por primeira vez em 1919, é sua obra mais conhecida, sua aparição foi um acontecimento no mundo cultural europeu onde suscitou grande polêmica, sobretudo entre os estudiosos italianos de Dante, que resistiam em aceitar fontes e influências muçulmanas nas origens da Divina Comédia . No entanto, com o passar dos anos, as teses de Asín se viram repetidamente confirmadas e à polêmica seguiu-se o reconhecimento e os estudos parciais, que aprofundaram e completaram diversos aspectos desta obra, já clássica e de importância indiscutível na história da ciência, do pensamento e da literatura. Alguns consideram que poesia persa também sofreu influência do Livro de Arda Viraf.

EL "ARDA VIRAF NAMAK", ¿ FUENTE IRANIA DE "LA DIVINA COMEDIA"?

Sergio Fritz Roa. Tradução de Antonio Carneiro

1. Um capitel que une Oriente e Ocidente
Na igreja de S. Isidoro de León, Espanha, existe um enigmático capitel onde uma mulher e um homem são colocados de cabeça para baixo por um demônio1 . O estilo arquitetônico do imóvel se insere dentro da arte românica, tendo sido construído por volta de 1063.

A mesma pavorosa imagem é descrita em um antigo texto zoroastriano que relata uma viagem às regiões celestiais e infernais. Seu nome: “Narração de Arda Viraf ” (“Arda Viraf Namak”). Onde indica o seguinte:

“Também vi as almas de vários homens e várias mulheres as quais estavam suspensas de cabeça para baixo, no inferno ... ”

A semelhança é evidente, e não exige maior análise. Mas, dois séculos depois, na obra de Dante Alighieri, “A Divina Comédia”, encontramos visões quase idênticas. Assim, no Inferno, Canto XIX, 24-26:

“Fora da borda, o pecador colocava
as pernas e os pés voltados para cima.
e o resto sob a terra ocultava ... ”2

E no Inferno, Canto XXXIV, 66-67:

“Desses de cabeça para baixo, em outro lote,
o que pende do negro befo é Bruto ... ”3

Se nem a Bíblia nem os Padres da Igreja foram explícitos em descrever os castigos infernais, como é possível que os capitéis românicos espanhóis estejam carregados de minuciosas representações de tais torturas ?

Só com Dante Aleghieri (1265-1321) encontraremos uma descrição literária detalhada do que é inferno e céu, com plena enumeração das sanções que se praticam no primeiro.

Além disso, se o Purgatório, só terá uma aprovação eclesiástica por volta do século XV, como se entende que cinco séculos antes, figurava nas esculturas dos capitéis de Espanha ?

A crença no Purgatório, no entanto, não era desconhecida antes da construção das igrejas românicas hispanas, pelos zoroastrianos e muçulmanos. É factível, então, uma influência oriental ? E se é assim, qual haveria predominado na Europa ? A mazdeísta ou a maometana ?

Ou, será que a tradição por ser Uma, ainda que diversas sejam as formas tradicionais, é unânime em seus conceitos fundamentais (o qual não implica negar intercâmbios a respeito de aspectos secundários) ?

As interrogantes se sucedem de forma vertiginosa. Sem pretender resolvê-las todas, aproximemo-nos de algumas de suas possíveis respostas.


NOTAS:
1 Capiteles del primer románico español inspirados en la escatología musulmana, Francisco Iñiguez Almech. Artigo incluído no Boletín de la Associación Española de Orientalistas. Año 1, Madrid, 1965, pp.35-71. O capitel encontra-se na foto 4 da página 49.
2 La Divina Comedia, Dante Alighieri, traducción en verso de Bartolomé Mitre, Ed. Sopena, Buenos Aires, Argentina, 2ª ed. 1940, p.60.
3 La Divina Comedia, Dante Alighieri, traducción en verso de Bartolomé Mitre, Ed. Sopena, Buenos Aires, Argentina, 2ª ed. 1940, p.107.