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ESCOLHA

ESCOLHA


Karl Renz

Commentaries On The Gospel Of Thomas. Excerpts from the Marsanne talks, 2015

A liberdade é a liberdade de escolha. A liberdade não pode querer o que quer. Alguns filósofos, como o austríaco Ludwig Wittgenstein, afirmaram que mesmo Deus não pode querer o que quer, então o que dizer? Não, Isso é como é, nem mais nem menos, e nunca saberemos o que é.



FRANZ VON BAADERFERMENTA COGNITIONIS 1.1

TR. ANTONIO CARNEIRO

Esta expressão 1 não deve de jeito nenhum ser tomada aqui no sentido absoluto como o fez Fichte por exemplo; se bem que este ato decida sobre o lugar (ou princípio) pelo qual me oriento e que se desenvolve em mim, me dominando e me formando, não é a ação que forma e cria esse princípio próprio: é porque não tenho de maneira direta nenhuma ideia desta ação. “Nescimus quia non facimus” 2 . É nos necessário ser engendrados de Deus — receber nossa substância nele — se quisermos contemplá-lo, aceitar e fazer sua vontade. Como quereis ou podeis, vós que sois maus, perversos, dizer a verdade, querer o bem, etc., disse o Cristo. Uma árvore que é boa não pode carregar maus frutos (Mt: 7, 18). É nos seres (existência, substância) que penetra o espírito da vida, é nesses seres que recomeça seu ponto de partida. A função plástica, somática (reprodutora, como dizem os fisiologistas) coloca o indivíduo com seu conhecimento, seu querer, sua ação, segundo seu tipo definido, e não pode portanto cair dentro do interior de uma dessas três esferas de ação desse tipo; dito de outro modo, este indivíduo não pode ver como é criado e como é mantido no ser. Os fisiologistas enganam-se em consequência de não distinguir claramente o ternário « sensatio, appetitio et motus »3 da função somática ou produtora e reprodutora, a qual não é obra do indivíduo natural particular, mas do indivíduo natural geral (Mt: 6, 27. Mc: 4, 26-28). É igualmente acerca disso que se apoia a distinção feita par Adam Müller 4 entre órgãos pessoais, que não são subordinados ao indivíduo, e órgãos reais, desprovidos do eu, submisso ao indivíduo e à esse propósito noto aqui de passagem o caráter convertível desses dois estados de um ao outro, nos casos de doenças inflamatórias, p. ex., a passagem da realidade à personalidade — respondendo a passagem possível e que se pode notar entre os sonâmbulos do sentimento à representação.


NOTAS DO TRADUTOR:
1 « É por intermédio de minha colaboração e de minha ação pessoal que me torno bom ou mau ».
2 No original em latim In: p.2 de Fermenta cognitionis, Volume 1, Franz R. v. Baader, Erstes Heft, Berlin, 1882, Gedruckt und verlegt bei G.Reimer. Tradução literal seria algo como: “não sabemos porque não fazemos”. O verbo “nescio” em latim pode ser traduzido por “não saber” simplesmente ou “não saber por não ter aprendido”. Trata-se de expressão enfática pois o verbo “facio” além de “fazer” simplesmente, pode também significar: “executar”, “desempenhar”, “cumprir”, criar, produzir, “fabricar” dentre vários outros. Enfim poderia ser traduzido como “não sabemos por não termos aprendido como também por não termos executado”.
3 No original em latim (idem nota 2). Numa tradução literal seria algo como: “sentimento, apetite e movimento”, Entretanto existem variantes, como o caso da palavra francesa “sensation” que segundo Larousse virtual vem do baixo latim “sensatio” e do latim clássico “sentire”, no entanto o verbo “sentio” tem as seguintes definições: 1.Sentir, perceber pelos sentidos; ter ou experimentar uma sensação. 2 sentir (moralmente); conhecer; experimentar; sofre; ressentir-se de. 3. reconhecer; dar fé 4. saber, compreender. 5. ter uma opinião; pensar; julgar e 6. decidir; votar. Já “appetitio” faz sentido o primeiro significado: “esforço para chegar a; desejo; cobiça; em seguida: apetite; vontade (de comer ou beber); necessidade, não confundir com outra palavra muito parecida que é “appetitus”. Enquanto “Motus” no sentido figurado pode ser movimento da alma; sentimento; comoção; paixão; perturbação; e desvairo. Talvez mais apropriado ao texto se pudéssemos traduzir por “Sentimento, Esforço para chegar a, Movimento da Alma” — apenas uma variante.
4 Adam Müller (1779-1829) é sobretudo conhecido como pensador da antinomia (“Gegensatz”) e teórico do Estado. Sua influência possível sobre Hegel e seus laços com Friedrich Schlegel fazem dele um representante do romantismo filosófico e político. Protestante prussiano se tornou católico (1805), Müller colaborou em seguida com Kleist em Dresde onde os dois publicaram a revista Phöbus na qual apareceu o fragmento de “Penthésilée”. In: Éditeur Les Belles Lettres.