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id da página: 1506 Elias Ekdikos – Anthologion Elias Ekdikos

Elias Ekdikos Anthologion

Elias Ekdikos — Florilégio

Florilégio de sentenças dos filósofos consagrados à virtude do conhecimento

  • É uma fonte caudalosa, um discurso onde correm as águas da conduta moral, que aqui encontrarás, se buscas verdadeiramente
  • A alma ferida de amor nupcial, a oração, aqui em baixo, sabe unir ao esposo
  • Do conhecimento: a inteligência recebe a luz da contemplação gnóstica, quando se eleva ao alto. Mas se ela demanda as razões, ela se encontra de novo nas trevas, enrolada de novo nas paixões
  • Da ação e da contemplação: aqui é a planície coberta dos frutos da ação e da contemplação espirituais

Excertos:
1. Longe de não se inquietar, todo cristão que crê retamente em Deus deve sempre atender à provação e se prepara à recebê-la, a fim de não se surpreender e de não se perturbar quando ela chega, mas de suportar com reconhecimento a pena e a aflição e de bem compreender o que diz, quando canta com o Profeta: «Ponha-me à prova, Senhor, experimente-me». Ele não diz: «A educação que me dá está terminada», mas «Não cessa de corrigir».

2. O princípio dos bens e o temor de Deus. Seu fim é o desejo que se tem de amá-lo.

3. A obra (praxis) do corpo (sarx) é o jejum e a vigília; a obra (praxis) da boca, a salmodia. Acima da salmodia, há a oração (euche). A obra (praxis) da alma (psyche) é a temperança e a simplicidade. A do intelecto (nous), a oração (euche) de contemplação e a contemplação de Deus na oração (euche).

4. A ação do corpo é o jejum e as vigílias. A ação da boca é a salmodia, a oração e o silêncio, mais precioso que a palavra. A ação das mãos é de fazer o trabalho sem se queixar. E a ação dos pés é de ir à meta na primeira exortação.

5. Tudo isso é precedido pela compaixão e a verdade, cujos frutos são a humildade e o discernimento, o qual, seguindo os Padres, vem a humildade: sem ela, nem a compaixão nem a verdade não poderão ver seus próprios limites. Pois a ação que rejeita o jugo da razão se acha a errar aqui e ali, como uma bezerra, entre as vaidades. E a razão que recusa de portar os mantos preciosos da prática não mantém seu nível, mesmo se, de uma maneira ou de outra, ela aparente.

11.A ação da alma é de alcançar à temperança que suscita a simplicidade, e à simplicidade que suscita à temperança.

12. A ação da inteligência, é de alcançar à oração na contemplação, e à contemplação na oração.

13. É raramente, e por inadvertência, que se encontra levado ao mal aquele que o tem em aversão. Mas é frequentemente, e mais deliberadamente, que levado ao mal aquele que se apega às coisas.

14. Aqueles que não se arrependem deles mesmos não cessam de cometar faltas. Mas aqueles que pecam apesar deles se arrependem plenamente e não são frequentemente expostos por causa do arrependimento.

20. O corpo (sarx) não se purifica sem jejum e sem vigília; a alma (psyche), sem misericórdia e sem verdade; o intelecto (nous), sem contemplação e sem conversa com Deus. São tantas sizígias admiráveis.

21. Nem o corpo não pode se purificar sem jejum e sem vigílias, nem a alma não pode se purificar sem compaixão e sem verdade, nema a inteligência não também se purificar sem a intimidade e a contemplação de Deus. As conexões são aqui absolutamente claras.

22. No cercado das virtudes que acabo de dizer, a alma opõe às tentações uma guarda imperturbável, que é a paciência. «É por vossa paciência que salvareis vossas almas», disse o Verbo. Mas se se passa de outro modo, ela cai ordinariamente sob as engrenagens da lassidão, como uma cidade sem defesas sob os gritos levantados de longe.

23. Aqueles que são sensatos em suas palavras não serão talvez igualmente em seus pensamentos. E aqueles que o são em seus pensamentos não serão talvez igualmente em seus sentidos exteriores. Pois se todos são tributários dos sentido, todos não lhes pagam da mesma maneira seus tributos. Com efeito, por inocência, a maior parte não é capaz de honrar os sentidos naquilo que lhes é próprio, como os sentidos eles mesmo o demandam.

31. Não te irrite contra aquele que te maltratou sem querer. À vista do remédio desagradável que te coube, se mantenha como infeliz, mas glorifica aquele que te rendeu tal serviço em cumprindo a economia de Deus.

32. Não recuse tua dua doença, como se ela fosse uma coisa assustadora, mas afasta-te dela em usando remédios eficazes — os remédios do amor da provação —, se tomas cuidade da saúde de tua alma.

33. Quanto mais dificuldades sentirdes, melhor também devereis escutar aquele que nelas vos mostrar provações, pois ele contribuirá para a vossa perfeita purificação (katharsis), sem a qual o intelecto (nous) não pode atingir a região pura da oração (euche).

61. Dependem de nós as virtudes que estão ao nosso alcance: a oração e o silêncio. Não dependem de nós, mas do estado do corpo frequentemente, o jejum e as vigílias. Deve-se portanto buscar o que é mais acessível àquele que sustenta o combate.

70. O elemento mau do corpo (sarx) é a paixão; o da alma (psyche), a complacência apaixonada; o do intelecto (nous), o pendor apaixonado. A primeira é atributo do tacto, a segunda, dos outros sentidos; a terceira, da disposição contrária.

73. A disposição apaixonada da alma (psyche) é destruída pelo jejum e pela oração (euche); a complacência apaixonada, pela vigília e pelo silêncio; o pendor apaixonado, pela tranqüilidade (hesychia) e pela atenção (epimeleia). A apatheia consiste na lembrança de Deus (mneme Theou.

78. A faculdade racional (logistikon) situa-se no limite entre a luz sensível e a luz intelectual. Ela tem por função ver e efetuar as operações do corpo (sarx) através da primeira; e, através da segunda, as do espírito (pneuma). Mas porque o espírito embotou-se nela e o corpo (sarx) prejudicou-se em consequência da hereditariedade original, ela não pede fixar totalmente o olhar sobre as coisas divinas, se não se unir por inteiro com o intelecto (nous), na oração (euche).

79. Que a oração (euche) não se separe do intelecto (nous) mais do que o sol de seus raios. Sem ela, as preocupações sensíveis envolvem o intelecto (nous), como nuvens sem água, e privam-no do próprio esplendor.

83. A oração (euche) expulsa da alma (psyche) todos os pensamentos (logismos) hostis, com a ajuda das lágrimas; a distração do intelecto (nous) faz com que nela entrem.

85. A obra (praxis) espiritual ( pneumática ), para subsistir, não tem necessidade da obra (praxis) do corpo (sarx). Bem-aventurado aquele que preferiu a obra (praxis) imaterial à obra (praxis) material. Supriu assim a ausência da segunda, vivendo a vida secreta da oração (euche); secreta, mas conhecida por Deus.

88. A separação original do intelecto (nous), de sua morada, o fez esquecer o próprio esplendor. Ele deve, pois, esquecer os objetos deste mundo e precipitar-se para o seu esplendor, por meio da oração (euche).

91. O amor pela oração (euche) só se adquire renunciando a toda matéria, com exceção do alimento e do vestuário. Livra-te de todas as coisas em tua oração (euche), tu que queres ser só intelecto (nous).

92. Que a oração (euche) monológica seja o testemunho do intelecto (nous) agradável a Deus; a palavra oportuna, o da razão sensata; o gosto uniforme, o do sentido libertado. Diz-se que essas três coisas compõem a saúde da alma (psyche).

94. O objeto da oração (euche) não é o mesmo para todos: um tem este, outro aquele. Um ora para que seu coração (kardia), se for possível, permaneça sempre com a oração (euche) e a transcenda. Outro, para não ser surpreendido pelos pensamentos (logismos), durante a oração (euche). Todos oram para se conservarem no bem ou não se desviarem para o mal.

102. Quem fica distraído durante a oração (euche), permanece aquém do primeiro véu. Quem faz a oração (euche) monológica, vai para dentre. Só penetra no santo dos santos aquele que, na paz de todos os pensamentos (logismos) naturais, escruta os atributos da Substância que ultrapassa toda inteligência, e é gratificado, neste mundo, por uma certa "fotofania".

105. A lei da oração (euche), como se fosse um mestre, força os principiantes. Para os que progrediram, ela é o arauto que leva pobres e abastados ao lugar do banquete.

106. Às vezes, a oração (euche), como uma nuvem, cobre com sua sombra e abriga, com o ardor dos pensamentos (logismos), os que se entregam convenientemente à vida ativa; às vezes, distila sobre eles as gotinhas das lágrimas e manifesta-lhes contemplações (theoria) espirituais.

113. O intelecto (nous) que pretende abrir para si vários caminhos, mostra-se insaciável; aquele que se recolhe no caminho único da oração (euche), sofre enquanto não chega à perfeição, e suplica que o libertem, para que possa voltar ao lugar de onde vem.

114. O intelecto (nous), exilado do alto, não volta para lá antes de mostrar absoluto desprezo pelas coisas deste mundo, através da aplicação às coisas divinas.

115. Se não consegues ocupar tua alma (psyche) unicamente com pensamentos (logismos) que lhe digam respeito, pelo menos obriga teu corpo (sarx) a viver como monge, tendo no espírito, sem cessar a sua miséria. Desse modo, com o tempo e a misericórdia de Deus, poderás voltar à dignidade de tua nobreza primitiva.

117. Quando tiveres libertado o intelecto (nous) do apego à carne, ao alimento e às riquezas, tudo o que puderes fazer será acolhido por Deus como um dom puro. Ele o devolverá a ti, abrindo os olhos do teu coração (kardia), fazendo-te meditar fluentemente as suas leis que ali estão escondidas. Essas leis, pela suavidade que derramam, vão parecer, a teu paladar espiritual, mais doces que o favo de mel.

131. Os pensamentos (logismos) não pertencem à parte irracional da alma (psyche): os seres desprovidos de razão não têm pensamentos (logismos). O mesmo ocorre quanto à parte intelectual: os anjos não têm pensamentos (logismos). Estes são, porém, filhos da nossa parte racional. Tomam emprestada a escada da imaginação, para levar ao intelecto (nous) as mensagens dos sentidos e tornam a descer rumo aos sentidos, a fim de lhes comunicar as intenções do intelecto (nous).

136. A qualidade do grão aparece na espiga; a pureza de nossa contemplação, na oração (euche). Para afastar os pássaros pilhantes, a espiga recebeu pequenas lanças para se defender: suas barbas. A oração (euche) recebeu a inteligência das provações, para destruir os pensamentos (logismos).

138. Foi prescrito aos antigos que oferecessem no templo as primícias da eira e do lagar. Quanto a nós, devemos apresentar a Deus as primícias da vida ativa: temperança e verdade; e da vida contemplativa: amor e oração (euche). Pelas últimas, suprimimos os impulsos insensatos do concupiscível e do irascível; pelas primeiras, os pensamentos (logismos) vãos e suas armadilhas.

143. O fim da vida ativa é a mortificação das paixões (pathos); o da vida gnóstica, a contemplação das virtudes (arete).

146. O ative bebe, na oração (euche), a bebida da compunção. O contemplativo embriaga-se com o cálice excelente. Um, refletindo sobre a ordem da natureza; o outro, ignorando-se a si mesmo na oração (euche).

155. O ativo, na oração (euche), usa no coração (kardia) um véu: a ciência das coisas sensíveis, que seus apegos o impedem de erguer Só o contemplativo, desprovido de apegos, pode, até certo ponto, ver a glória de Deus sem disfarces.

156. A oração (euche) que acompanha a contemplação pneumática é a "terra da promessa, onde correm o leite e o mel": a ciência das razões divinas sobre a Providência e o Juízo.

A oração (euche) que acompanha uma certa contemplação natural, é o Egito, onde aquele que ora encontra a lembrança dos desejos grosseiros. A oração (euche) simples é o maná do deserto, cuja uniformidade tira dos impacientes os bens da promessa ( membro obscuro ), mas consegue, para os que suportam pacientemente esse alimento monótono ( lit.: restrito ), o gosto excelente e duradouro.

158. O átrio da alma (psyche) racional é o sentido; seu templo, a razão; seu pontífice, o intelecto (nous). Fica no átrio o intelecto (nous) pilhado pelos pensamentos (logismos) intempestivos; no templo, o intelecto (nous) pilhado pelos pensamentos (logismos) oportunos. Quem escapa a uns e a outros é julgado digno de entrai no divino santuário.

160. O ativo deseja a dissolução do corpo (sarx) e a união a Cristo, por causa dos sofrimentos desta vida. O contemplativo acha melhor permanecer na carne, por causa da alegria que recebe da oração (euche) e para ser útil ao próximo.

162. A contemplação dos inteligíveis é um paraíso. Pela oração (euche) o gnóstico entra ali, como numa casa interior. O ativo parece um transeunte cuja idade espiritual seja um obstáculo à sua entrada, apesar do desejo.

161. Chegada a primavera, o potro não suporta mais o estábulo, nem a manjedoura. Do mesmo modo, o intelecto (nous) novato não se pode manter por muito tempo no espaço tão pequeno da oração (euche); ele acha mais agradável ganhar os espaces da contemplação natural, aquela que se encontra na salmodia e na leitura.

166. A vida ativa tem os rins cingidos — as potências vitais — com o jejum e com a pureza. A vida contemplativa carrega as tochas ardentes das virtudes (arete) gnósticas: o silêncio e a oração (euche). A primeira tem a razão por pedagoga; a segunda, o verbo interior por paraninfo.

167. O intelecto (nous) imperfeito não tem autorização para penetrar na vinha carregada de frutos da oração (euche); mas, como o pobre aceite na rebusca da vinha, tem acesso apenas aos ecos simples dos salmos.

168. Dos que são aceitos junto do imperador, nem todos jantam com ele. Nem todos os que vêm encontrar-se com a oração (euche) farão parte da contemplação que a acompanha.

169. O irascível tem por mordaça o silêncio oportuno; o desejo insensato tem a alimentação medida; a razão renitente tem a oração (euche) monológica.

171. O intelecto (nous) que, na oração (euche), torna a entrar na alma (psyche), conversará no quarto nupcial: esposo e esposa. Quem não tem permissão para entrar, permanece fora, gritando e se lamentando: "Quem me conduzirá à cidade fortificada?" ( SI 60,11 ) Quem me guiará para que eu não veja, em minha oração (euche), seus furores mentirosos?

175. Os demônios têm extrema aversão pela oração (euche) pura. O que os apavora não é a grande quantidade dos bens, assim como os efetivos do inimigo possam apavorar um exército. Não. É a concordância e a harmonia dos três: intelecto (nous) e razão, razão e sentidos.

176. A oração (euche) simples é o pão que fortalece os principiantes; a oração (euche) acompanhada por certa contemplação é o óleo que amacia. A oração (euche) sem forma, nem imagem, é o vinho perfumado que põe fora de si mesmos os que com ele se embriagam.

180. Os que oram tendo a alma (psyche) ainda apegada às paixões (pathos), porque são ainda materiais, estão cercados de rãs: os pensamentos (logismos) que os assediam. Os que introduziram a medida em suas paixões (pathos), são alegrados pelas contemplações (theoria), como rouxinóis que saltam de galho em galho e passam de uma contemplação para outra. Os impassíveis ( apatheia ) experimentam na oração (euche) um grande silêncio e um extremo recesso de representações e de conceitos.

195. Quando o sol se levanta, as estrelas se deitam; os pensamentos (logismos) se retiram quando o intelecto (nous) volta ao seu reino natural.

207. Deus vê todos os homens. Veem Deus os que não olham para nada em sua oração (euche). Os que veem Deus, são atendidos; os que não são atendidos, não veem Deus.

220. Ao que é torturado por uma paixão de ambição ou de grandeza, é impossível orar puramente. Pois, os apegos e os pensamentos (logismos) vãos que isso comporta trançam, ao seu redor, laços que retêm quem quisesse alçar voo no momento da oração (euche). Como o pássaro prisioneiro.


Citações