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Erasmo

Filosofia da Renascença — ERASMO DE ROTERDÃ (1469-1536)

Biografia e Bibliografia

Excertos de Julián Marías — O TEMA DO HOMEM

Erasmo — Desiderius Erasmus Roterodamus, como se chamou em seus escritos, segundo o uso renascentista — nasceu na cidade holandesa de Rotterdam no ano de 1469 e morreu em 1536. É o mais importante e influente dos humanistas, tendo determinado uma corrente espiritual de grande vulto e alcance que ultrapassa em muito sua significação estritamente filosófica. Erasmo representa, antes de tudo, uma atitude ante a vida e ante a "cultura", palavra que hoje soa um tanto tópica e vazia, mas que ao começo do século XVI significava uma enorme realidade.

Erasmo é um homem que possui exemplarmente o saber antigo e sente de um modo autêntico e profundo o amor às letras, ao bem dizer, à apurada prosa latina, ao pensamento claro e harmonioso. Ao mesmo tempo, Erasmo, cónego e muito próximo de alcançar o capelo cardinalício, é um cristão; talvez um cristão de fé menos profundamente arraigada do que o homem da Idade Média; nasce e vive em uma época em que a religião entra em profunda crise; porém, mantém-se ancorado com firmeza em sua crença, pelo menos em suas linhas gerais, e resiste a entrar na via tentadora e perigosa que Lutero lhe apontava. Há uma certa frieza inegável em seus escritos; mas não se lhes pode deixar de reconhecer, por outro lado, uma nota de equilíbrio, de espírito aberto e compreensivo, que soa agradavelmente no fragor tempestuoso do tempo. Com todas suas limitações, com seu refinamento, com todas suas promessas, só em parte realizadas, Erasmo representa o tipo mais acabado do homem do Renascimento europeu.

Estes traços de sua figura aparecem em sua meditação acerca do ser do homem. Há um apelo constante aos pressupostos cristãos, nos quais vive, ao mesmo tempo que uma consideração imediata da realidade humana, tal como a encontra. Embora recolha as próprias palavras da Escritura para fundar sua antropologia e recorra expressamente aos escritos dos Padres da Igreja, não perde de vista a realidade integral do homem, e em lugar de fazer uma teoria acerca da alma, determinada por interesses teológicos, considera a totalidade do ente humano, tenso entre a carne e o espírito, com possibilidade de optar entre dois mundos ou permanecer em uma peculiar posição intermédia. A compreensão erasmiana do homem torna-se reveladora quando entendida como germe de diversas concepções ulteriores do ente humano.

Sobre Erasmo pode-se consultar: P. Smith: Erasmus (1923); A. Renaudet: Erasme. Sa pensée religieuse (1926); J. Huizinga: Erasmus (1924).

: Português, Espanhol, Francês, Inglês

Escritos na Internet:

  • Depósito Internet Archive

Excertos dos escritos e dos estudos