CUTSINGER, James S. (ORG.). Not of this world: a treasury of Christian mysticism. Bloomington, Ind: World Wisdom, 2003
Ao orar, mantenha a memória sob estrita vigilância. Não a deixe sugerir-lhe fantasias próprias, mas, ao contrário, faça com que transmita a ciência do seu alcance a Deus. Lembre-se disto: a memória tem uma poderosa propensão a causar prejuízos ao espírito no momento da oração.
Seja orando junto com os irmãos ou sozinho, esforce-se para que a oração seja mais do que um mero hábito. Faça dela uma verdadeira experiência interior.
Buscamos as virtudes a fim de alcançar o significado interior das coisas criadas. Perseguimos estas últimas, ou seja, o significado interior do que é criado, a fim de alcançar o Senhor que as criou. É no estado de oração que Ele costuma manifestar-se.
O estado de oração pode ser apropriadamente descrito como um estado habitual de calma imperturbável ou apatheia. Ele arrebata às alturas da realidade inteligível o espírito que ama a sabedoria e que é verdadeiramente espiritualizado pelo mais intenso amor.
O homem que se esforça pela verdadeira oração não só deve aprender a dominar a raiva e a luxúria, mas também deve se libertar de todo pensamento que é colorido pela paixão.
Aquele que se libertou da paixão perturbadora não necessariamente ora verdadeiramente. É bastante possível que um homem tenha apenas os pensamentos mais puros e, no entanto, esteja tão distraído a ponderá-los que permaneça longe de Deus.
Mesmo quando o espírito evita se envolver com estes pensamentos simples das coisas, não é por este fato sozinho que atinge o lugar da oração. Ele pode se envolver na contemplação de objetos e perder tempo a considerar sua natureza interior. Pois, embora estes conceitos sejam simples, por se tratarem de coisas reais, eles impressionam uma certa forma no espírito e o afastam para longe de Deus.
Mesmo se o espírito se elevasse acima da contemplação da natureza corporal, ainda assim não veria o lugar perfeito de Deus. Pois bem poderia estar envolvido na contemplação de coisas inteligíveis e participar de sua multiplicidade.
Um homem que adora "em espírito e verdade" (João 4:24) não mais honra o Criador por causa de Suas obras, mas O louva por causa de Si mesmo.
Se és um teólogo, oras verdadeiramente. Se oras verdadeiramente, és um teólogo.
Quando, por causa do teu ardente anseio por Deus, teu espírito se retira pouco a pouco da carne e se afasta de todo pensamento que deriva da sensibilidade ou da memória ou do temperamento e se enche de reverência e alegria ao mesmo tempo, então podes ter certeza de que estás te aproximando daquela terra cujo nome é oração.
Enquanto outros derivam seus raciocínios, ideias e princípios dos estados mutáveis do corpo, Deus faz o contrário. Ele desce sobre o próprio espírito e infunde Seu conhecimento nele como Lhe apraz. Ele traz paz calma ao estado perturbado do corpo através do espírito.
Se anseias por orar, então evita tudo o que é contrário à oração. Então, quando Deus se aproxima, Ele só tem de seguir contigo.
Quando estiveres orando, não imagines a Divindade como alguma imagem formada dentro de ti. Evita também permitir que o teu espírito seja impresso com o selo de alguma forma particular, mas, ao contrário, livre de toda matéria, aproxima-te do Ser imaterial, e alcançarás a compreensão.
Não poderás orar puramente se estiveres todo envolvido com assuntos materiais e agitado com preocupações incessantes. Pois a oração é a rejeição de conceitos.
Conhecimento! A grande posse do homem. Ele é um colaborador da oração, agindo para despertar o poder do pensamento para contemplar o conhecimento Divino.
Assim como o pão é nutrição para o corpo e a virtude para a alma, a oração espiritual é nutrição para a inteligência.
Pela verdadeira oração, um monge se torna outro anjo, pois ele anseia ardentemente por ver a face do Pai no céu.
Não te esforces de forma alguma para criar alguma imagem ou visualizar alguma forma no momento da oração.
Não nutras o desejo de ver sensivelmente anjos ou poderes ou mesmo Cristo, para não seres levado completamente à loucura e, tomando um lobo por teu pastor, vires a adorar os demônios que são teus inimigos.
Permita-me repetir esta minha máxima que já expressei em outras ocasiões: feliz é o espírito que atinge a perfeita ausência de forma no momento da oração.
Feliz é o espírito que se liberta de toda matéria e se despoja de tudo no momento da oração.
Feliz é o espírito que atinge a completa inconsciência de toda experiência sensível no momento da oração.
Feliz é o homem que considera todos os homens como Deus — depois de Deus.
Que as virtudes que lidam com o corpo sejam um penhor das virtudes da alma, e as da alma um penhor daquelas que lidam com o espírito, e estas últimas um penhor do conhecimento imaterial.
Desejas orar? Então, bane as coisas deste mundo. Tem o céu como tua pátria e vive lá constantemente — não em mera palavra, mas em ações que imitam os anjos e em um conhecimento mais divino.
Quando a atenção busca a oração, ela a encontra. Pois se há algo que marcha no rastro da atenção, é a oração; e por isso ela deve ser cultivada.