VIDE: HORIZONTE E COMPLEMENTARIDADE 1-3; HOROS
Além da noção geográfica e até mítica, exposta por Eudoro de Sousa (Horizonte e Complementaridade 1-3), sua forma figurada foi utilizada pela fenomenologia. Husserl usou-a primeiro no domínio perceptivo. Além dos objetos percebidos e aqueles que estão co-presentes à intuição, é preciso considerar um «horizonte obscuramente consciente de realidade indeterminada», que atravessa e ambienta o campo atual da percepção, na ordem espacial e temporal (Ideias diretrizes para uma fenomenologia). O tema de um «horizonte infinito de aproximações» na ordem do conhecimento aparece, em seguida, por referência a ideia de uma evidência perfeita, de um preenchimento integral da intenção significante, tal qual é compreendida no fim que se propõe toda ciência. O sentido intemporal e ideal de todos os objetos lógicos remete da mesma forma a um horizonte infinito de potencialidades subjetivas (Meditações cartesianas). Jamais o horizonte aparece como um dejeto da experiência: ele contribui essencialmente para seu sentido. A especificidade da noção de horizonte é de sempre remeter ao ponto de vista de um sujeito ou de uma situação dada, por oposição a um ponto de vista absoluto. (Notions philosophiques)