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Huang Po

CHAN — Huang-Po ou Houang-Po (século IX)


Les entretiens de Houang-po

Um certo comissário do imperador da Chinam de nome Pei Sieou e adepto do budismo Chan, encontrou um dia do ano 842 o grande mestre de meditação (dhyana) Si-yun do monte Houang-Po. As palavras trocadas neste encontro foram anotadas em carnês e publicadas em dois rolos depois de sua morte: (1) O essencial do método de transmissão do espírito e (2) A Coletânea de Wan-ling.

No primeiro documento, trata-se essencialmente da questão do «espírito uno» enquanto Realidade absoluta; do «não-espírito», enquanto Via; e da «silenciosa coincidência», enquanto entrada na Via. O segundo rolo se divide em duas partes cuja primeira é ainda de Pei Sieou, e cuja segunda, mais composta, oferece o interesse de apresentar Houang-Po, em suas relações com outros mestres célebres de Chan de Hong-tcheou, assim como belas respostas a questões tratando de pontos práticos precisos.

Houang-Po, descendente espiritual de Matsou, encontrou o Despertar e ensinou o «método do espírito uno» quando, em 842 precisamente, começou a grande proscrição do budismo que conheceu seu apogeu em 845 com, entre outras coisas, trezentas laicizações de monges e freiras por dia. Ora, o «Chan de Hong-tcheou» desdenhava de quase tudo, e monge ou laico, via em cada ser vivente o «resplandecer de nossa pureza primordial» e em todas as situações da vida, guerra ou paz, a ocasião, se se pode dizer, de uma silenciosa coincidência» como Houag-Po denominava as «realizações» espirituais não-dualistas (satori em japonês).

Houang-Po, como todos os mestres espirituais, fala a linguagem daquele que o questiona e o escuta. Aqui, nos registros que dele dispomos, ele se dirige a Pei Sieou, político intelectual segundo sua condição, o que incita Houang-Po a usar uma linguagem no mínimo «madhyamika», ou seja, de jogar com uma «dialética apofática» se reabsorvendo, assim com tudo, na vacuidade supra-essencial.

O traço mais marcante desta conversação, a problemática mesma deste texto, é seu discurso sobre o inexprimível. Em dizendo o indizível, desdobra o fio de uma comunicação em sentidos infinitos. O mestre afirma, o mestre infirma...

Excertos do texto e de estudos: