VIDE: SABEDORIA DOS PROFETAS
A SABEDORIA DA VIRTUDE NO VERBO DE LUQMAN
Uma outra maneira que Ibn Arabi tem de tentar explicar a reciprocidade e a interdependência dos conceitos «Deus» e «Cosmo» é descrever a relação em termos alimentares. O alimento é aquilo que é ingerido no corpo para ser disseminado e assimilado para a manutenção da vida. No início deste capítulo, ele diz que nós, como criaturas, somos alimento para Ele e que Ele é alimento para nós. Em Sua divindade, como «Deus» [Allah], Ele precisa da manutenção de nossa adoração, servidão e contingência, enquanto nós, em nossa servidão e natureza criatural, precisamos da manutenção de Sua suficiência, realidade e poder. Em Sua essência, como a Identidade Suprema [huwiyyah], Ele precisa da nutrição de nossa essencialidade latente, enquanto nós, em nossa latência, precisamos da nutrição de Sua Consciência.
Mais adiante no capítulo, ele deixa clara a diferença essencial entre sua própria visão da natureza das coisas e a da teologia Ash’arita. Embora ele concorde com a conclusão deles de que o Cosmo é de uma única substância, ele discorda da noção, necessária à teologia exotérica, de que essa substância é, em última análise e essencialmente, outra que ou separada da realidade de Deus.
Ele conclui o capítulo com ainda uma outra discussão sobre a relação de múltiplas partes com a Essência Única, de que cada parte não é outra senão a Essência, Que é, por sua vez, a verdadeira identidade [realidade] de cada parte.