Intelecto Receptivo, intellectus patiens, Intelecto Paciente
VIDE
Filosofia
Reiner Schürmann
Excertos de "MAÏTRE ECKHART OU LA JOIE ERRANTE"
Comentários ao "Sermão II — Intravit Iesus in quoddam castellum..."
Eckhart no entanto modifica de uma maneira tão original quanto decisiva este ensinamento (Preexistência da Alma) tornado tradicional. “Virgem, isto designa alguém que é despendido de todas as imagens estrangeiras, tão franco quanto era enquanto não era”. A liberdade ordinária aparece menso como perdida que como iminente: ela nos aguarda ao termo de um desprendimento, quer dizer de um devir, e este devir consiste em um despojamento em relação às imagens. Que quer dizer?
A teoria das imagens no intelecto, em Mestre Eckhart, não mais que aquela da preexistência não é de sua criação. Aristóteles a desenvolveu amplamente em seu tratado da alma, e como a teoria das Ideias, ela é bem conhecida na época em que escreve Mestre Eckhart. É provavelmente através do comentário de Tomas de Aquino sobre o livro de Aristóteles que Eckhart sofreu a influência desta corrente de pensamento.
Assim como o olho deve ser sem cor alguma a fim de poder registrar todas as cores, ou o palácio sem qualquer gosto específico para que possa saborear todos os aromas, da mesma maneira o intelecto deve ser inteiramente receptivo, virgem de todas as imagens, se quer conhecer todas as imagens. Assim a ligação necessária, segundo Mestre Eckhart, entre a virgindade e a recepção de Jesus no homem é fundamentada na filosofia aristotélica do intelecto receptivo.
Eis no entanto que uma e outra tradições, platônica e aristotélica, se integram em Mestre Eckhart em um contexto novo. Nossa sermão aproxima-se com efeito da teoria da preexistência da alma, da quela do intelecto receptivo; e deste amálgama Eckhart forja como um apelo: que o homem se torna “desprendido de todas as imagens estranhas, tão franco quanto ele era enquanto não era”! A ausência de determinação que caracteriza igualmente o intelecto receptivo e a alma caracteriza igualmente o intelecto receptivo e a alma em seu primeiro princípio nos incumbe, diz Mestre Eckhart, como uma tarefa. Virgem, «ledic», o homem foi outrora em sua preexistência, é sempre em seu intelecto, e deve devenir em todo seu ser.
Um e outro elementos de doutrina são assim retomados em uma visão não teórica sobre o que é o homem, mas prática, sobre o que ele deve devir. De uma certa maneira o homem é convidado a percorrer a eclosão de sua vida razoável.
François Chenique
O «intellectus patiens»: o intelecto paciente ou passivo ou receptivo é aquele que opera a iluminação ou abstração.
Alguns filósofos escolásticos pensam que não distinção real entre o intelecto agente e o intelecto passivo que seriam dois aspectos de uma mesma faculdade. Tomás de Aquino recusa esta confusão de dois intelectos porque um mesmo princípio não pode estar ao mesmo tempo em ato e em potência (v. Ato e Potência relativamente a uma mesma coisa. Em relação a espécie inteligível, o intelecto agente está em ato para que possa produzi-la; em relação à mesma espécie, o intelecto passivo está em potência, pois a recebe e é por ela que que é "atuado", donde o nome de intelecto possível ou potencial que o designa as vezes. Há portanto no homem dois intelectos que concorrem para a inteligência de uma mesma espécie: um dela é a causa, o outro dela é o receptor.