RENZ, Karl. Undecided. Neti-Neti. Edited By MANJIT ACHHRA. Mumbai: Zen Publications, 2015
A esperança é para aqueles do jardim de infância espiritual
1. A Ilusão do Livre Arbítrio e do Fazedor (Doer)
- Experimento Neurocientífico: Um experimento com eletrodos no cérebro prova que o impulso para uma ação vem de fora, mas a pessoa ainda assim assume a autoria.
- Não Fazimento (Non-Doership): A conclusão é que não há um "fazedor" real. Tudo é uma reação, e a ação em si não pode ser experimentada.
- Vontade de Deus: Tudo é a vontade de Deus (ou do Todo), mas não há um "alguém" individual fazendo nada. Esta é a base do ensinamento de Ramesh Balsekar.
2. O Estado de Sonho vs. A Realidade (O que você é)
- Sonho (Estado de Vigília): O mundo experimentado é como um sonho, com impacto apenas dentro do próprio sonho.
- Realidade (O que você é): Sua verdadeira natureza está além do sonho.
- O Paradoxo "Sim e Não": "Sim", você pode agir no sonho, mas "não", nenhuma ação no sonho pode fazê-lo atingir o que você já é. É um paradoxo necessário.
3. A Natureza Fútil da Busca Espiritual e do Trabalho com Expectativa
- Meditação vs. Trabalho: Ação sem expectativa de um resultado (fruto) é meditação. Ação com expectativa de um pagamento futuro (paz, felicidade, iluminação) é apenas trabalho escravo.
- A Busca pela Felicidade: Todas as ações humanas (família, trabalho, metas espirituais) são egoístas, feitas para obter felicidade, mas isso nunca funciona. A satisfação é sempre temporária.
- A Ilusão da Esperança: A esperança é um mecanismo de controle para o "jardim de infância espiritual". A verdadeira paz não pode ser obtida através da esperança.
4. A Dinâmica entre Bhakti (Devoção) e Jnana (Conhecimento)
- Igualdade dos Caminhos: No final, o caminho da devoção (Bhakti) e do conhecimento (Jñana) se fundem. O jñani abandona o conhecimento e o bhakta abandona a devoção.
- Ambos são Fúteis, portanto Funcionam: Ambos os caminhos são baseados em expectativa e, portanto, são fúteis para alcançar o que você é. Precisamente porque são fúteis, essa compreensão permite que a iluminação aconteça por si só, por Gratia.
- A Renúncia Final: A verdadeira renúncia é a renúncia do renunciante. A verdadeira devoção é a devoção da devoção. Você não pode renunciar ou devotar o que nunca lhe pertenceu.
5. A Natureza da Realidade Absoluta e da Consciência
- O Absoluto (Parabrahman): Sua verdadeira natureza é o Absoluto, que é "In-no-sense" (Inocência/Insensato) - aquilo que nunca pode ser sentido, conhecido ou experimentado, nem mesmo por si mesmo.
- Consciência como Sonho: A Consciência (o "Eu Sou", a luz, o sonhador) é um sonho que surge do Absoluto. É uma sensação imaginária, uma miragem sem realidade substancial.
- O Sonho é Inevitável: Você não pode se livrar do sonho porque não pode se livrar do que não é real. O Absoluto "está" apesar da consciência, mas não pode pará-la.
- Não-História: Sua natureza absoluta é Silêncio, onde não há ideia de bom ou mau, real ou irreal. Nada jamais aconteceu ali. Qualquer conceito ou história já é uma imaginação.
6. Implicações Práticas e Humor Ácido
- Família e Vida Prática: A resposta humorística à pergunta "o que fazer com os filhos?" é "matá-los agora mesmo!", significando matar o senso de "eu" que se preocupa, não um ato físico. A sugestão é honestidade radical: admitir que a vida é confusa e não se colocar como exemplo.
- Frustração e Aceitação: A falta de livre-arbítrio pode ser frustrante, mas também libertadora: "você pode fazer o que quiser porque não é você quem quer". A vida acontece apesar de suas preferências.
- Amor Incondicional vs. Ódio Incondicional: "Eu te amo" cria expectativas e é uma prisão. "Eu te odeio de qualquer maneira" é uma aceitação total, pois libera o outro de qualquer necessidade de performance.