Excertos de do livro de R. Kuntzmann e J.-D. Dubois, trad. de Álvaro Cunha
Marsano (p. 1,1-68,18), único tratado deste códice, é longo mas muito mal conservado. O que dele resta parece corresponder bastante ao que Irineu diz dos ensinamentos de Marcos, o Mago, em sua Nota contra as heresias. Marsano é um apocalipse atribuído ao profeta gnóstico, Marsano. O princípio e o fim do texto encorajam os gnósticos, mostrando-lhes a proteção com que Deus os cerca:
O profeta sobe progressivamente ao céu e, durante o caminho, descobre os diferentes níveis da realidade e certa aproximação à entidade divina, expressa em termos neoplatônicos:
Após algumas páginas mal conservadas (p. 13-22) ou perdidas (p. 23-24), o autor se lança em uma interpretação mística das letras do alfabeto, expressões da alma humana e dos nomes angélicos (p. 25-42). Este curto exemplo das consoantes basta para ilustrar esse tipo de surpreendentes relações2
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O tratado termina com novas páginas danificadas, que parecem tratar da recompensa dos gnósticos, comparada com a alegria de mulher em trabalho de parto que finalmente dá à luz. Em conclusão, este texto tão mal conservado e impenetrável parece um apocalipse, não-judaico ou cristão que insistiria na escatologia com a intenção de revelar o mistério de Deus através das entidades filosóficas e das relações misteriosas das letras e dos números.
NOTAS: