Professor universitário brasileiro, historiador das religiões e estudioso do Islamismo, com trabalhos publicados em português e em outros idiomas.
Resenha de um de seus principais livros, feita pela renomada revista trimestral PARABOLA:
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Análise do livro Men of a Single Book de Mateus Soares de Azevedo
- Identificação e análise do fenômeno designado como "fundamentalismo secular" por Mateus Soares de Azevedo.
- Caracterização do "fundamentalismo secular" como o alicerce da Weltanschauung moderna e pós-moderna.
- Detalhamento das diversas patologias e desvios assimilados pela mentalidade coletiva moderna e pós-moderna.
- Expansão do conceito tradicional de "fundamentalismo" para incluir correntes seculares.
- Inclusão do Marxismo, da psicanálise freudiana, da psicologia analítica junguiana e do fundamentalismo científico sob a égide do "fundamentalismo secular".
- Necessidade de examinar internamente os preconceitos modernos anti-espirituais para compreender os termos empregados pelo autor.
- Asserção de que "nunca houve uma civilização, em toda a história humana, sem uma religião", exceto a do Ocidente moderno.
- Definição do conflito central não como um "choque de civilizações", mas como um confronto entre a visão de mundo tradicional e a moderna.
- Reconhecimento do mundo tradicional como a norma perene e da modernidade como uma ruptura com a cosmologia perennis universal.
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Estrutura e conteúdos principais da obra
- Divisão da obra em duas partes principais: "Fundamentalismo Militante vs. Religião Tradicional" e "Fundamentalismo Secular".
- Abordagem, na primeira parte, dos equívocos sobre a espiritualidade islâmica à luz do Alcorão.
- Ilustração dos pontos comuns entre o Islã e o Cristianismo.
- Apresentação de uma visão geral do Sufismo como o coração do Islã e seu papel potencial em contrapor-se ao desafio do Wahhabismo.
- Oferecimento, na segunda parte, de insights sobre as influências-chave que solidificaram a mentalidade contemporânea.
- Crítica à usurpação da espiritualidade tradicional pela psicologia moderna, especialmente pelo behaviorismo e pela psicanálise.
- Citação da análise do autor: "É verdade que, enquanto Freud se vangloriava do fato de ser um inimigo irreconciliável da religião, Jung alegava 'simpatia' por ela, enquanto na realidade a esvaziava de seus conteúdos mais profundos, que foram substituídos pela noção de psiquismo coletivo.".
- Identificação do cientismo, ou "fundamentalismo científico", como um ataque à espiritualidade que ignora suas próprias tendências destrutivas.
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Crítica ao neo-ateísmo e defesa da religião
- Menção aos proponentes do neo-ateísmo Richard Dawkins, Christopher Hitchens e Samuel Harris.
- Refutação da alegação de que as religiões nada trouxeram de positivo à humanidade e são marcadas por insuficiência intelectual.
- Resposta aos pseudo-argumentos apontando que as grandes desgraças do século XX não foram causadas pela religião.
- Identificação das ditaduras modernas—"racionais", "científicas" e violentamente anti-religiosas—como responsáveis pela perseguição e morte de milhões de fiéis.
- Menção específica às vítimas cristãs, muçulmanas e judias na época da União Soviética e do Nazismo, e de budistas e taoistas na "Revolução Cultural" da China de Mao Tsé Tung.
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Contribuição de William Stoddart e a definição do mal central da modernidade
- Apresentação do prefácio de William Stoddart como elemento que estabelece a implicação imperativa do livro.
- Citação da abertura do texto de Stoddart: "Se se desejasse resumir numa palavra o mal central da era moderna e pós-moderna, poder-se-ia fazê-lo com a palavra 'ateísmo'.".
- Reconhecimento, por Stoddart, de que o ateísmo, em suas múltiplas facetas, está na raiz de todos os males modernos.
- Localização da origem direta do ateísmo contemporâneo nas ideias do "iluminismo" do século XVIII.
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Distinção entre religião tradicional e desvios fundamentalistas
- Definição de que "O fundamentalismo militante, então, constitui um desvio da religião tradicional e integral".
- Afirmação de que o extremismo não pode representar a espiritualidade integral, sendo um afastamento axiomático de todas as ortodoxias reveladas in divinis.
- Identificação dos media corporativos e seus comentaristas como perpetuadores de equívocos.
- Citação do autor: "Muitos nos mass media falam com plena voz contra o 'fundamentalismo', mas num certo sentido também são 'fundamentalistas' quando apresentam uma cobertura jornalística que em geral é a-histórica, superficial e unilateral.".
- Crítica à defesa de soluções políticas que subordinam a autoridade espiritual ao poder temporal.
- Citação do desafio atual: "O desafio no mundo de hoje é que a política agora quer se sobrepor à religião; quer obrigar a religião a seguir seus próprios caminhos, quer colocar-se no lugar de seu 'mestre'.".
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Esclarecimento sobre o conceito de jihad e o universalismo do Alcorão
- Desmistificação da noção equivocada de que jihad é sinônimo de "terrorismo".
- Explicação da jihad como "guerra espiritual" ou "grande esforço sagrado" contra o orgulho e o egoísmo no coração de cada ser humano.
- Definição da "jihad maior" como o combate por excelência dos muçulmanos e de todos os seguidores de uma religião autêntica.
- Afirmação clara de que "O terrorismo não é jihad...".
- Citação do Alcorão (2:190) para fundamentar a proibição da agressão: "Combatei no caminho de Deus contra aqueles que lutam contra vós, mas não comeceis as hostilidades. Vede! Deus não ama os agressores.".
- Defesa do universalismo explícito do Alcorão entre as escrituras sagradas.
- Demonstração da legitimidade das religiões do "Povo do Livro" (Cristãos, Judeus e, posteriormente, Hindus) pregada pelo Alcorão.
- Contraste entre a mensagem universalista do Alcorão e a pregação dos militantes que exacerbam paixões político-religiosas.
- Citação do Alcorão (57:27) que reconhece Jesus e o Evangelho: "E Nós Deus também enviamos Jesus, filho de Maria, a quem conferimos o Evangelho e infundimos compaixão e misericórdia nos corações daqueles que o seguem.".
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Definição e crítica ao "fundamentalismo secular"
- Elucidação de que secularismo e fundamentalismo são desvios que convergem no "fundamentalismo secular".
- Caracterização do "fundamentalismo secular" como uma projeção reducionista que se apresenta como um quasi-Absoluto.
- Descrição deste fundamentalismo como possuidor de uma (pseudo-) "ortodoxia" e (pseudo-) "dogmas" opostos aos princípios religiosos.
- Definição última como uma "anti-religião tornada religião", que nega totalmente o Absoluto, exceto a sua própria afirmação "absoluta" e apaixonada de que apenas o relativo existe.
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Conclusão sobre a unidade transcendente das religiões e o desafio do livro
- Apresentação do desafio central de Men of a Single Book: reconhecer que a Verdade é una, mas possui múltiplas expressões.
- Advertência, citando São Tomás de Aquino, contra a redução da Verdade a um único credo.
- Definição da compreensão da obra como um ir além do literalismo e do coletivismo das diversas revelações.
- Necessidade de reconhecer as falsificações espirituais para dissipar as sombras de um transe universal.
- Citação da conclusão de William Stoddart: "Devemos ser capazes da intuição cardinalmente importante de que toda religião—seja o Cristianismo, o Hinduísmo, o Budismo ou o Islã—vem de Deus e toda religião leva de volta a Deus.".
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