Os Instrumentos Divinatórios
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Contexto e Natureza do Yiking (I Ching)
- O Yiking é um texto primordial que se apropria de todas as condições da existência humana, das ciências contingentes e até do estudo da metafísica e do subjetivo.
- Uma de suas faces, além do simbolismo político, é o sentido divinatório, que se tornou a mais popular, mas também a mais mal compreendida.
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A Tradição Divinatória Perdida
- Os sages e filósofos do Extremo Oriente nunca se interessaram pelo empirismo ou pela face divinatória do Yiking, considerada inferior.
- Essa tradição foi abandonada a sacerdotes ambulantes (taosse), que a transformaram em seu ganha-pão, levando à sua obscuridade e completa perda ao longo do tempo.
- A reconstituição é considerada impossível, pois os textos são praticamente ininteligíveis sem a Tradição Oral, que se perdeu há aproximadamente vinte e um séculos, após a destruição dos livros ordenada pelo Imperador Thsinchi-Hoang-ti em 213 a.C.
- Não existem explicações escritas ou comentadores autorizados da divinação acessíveis; se existem, estão guardados com extrema discrição nos últimos santuários.
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A Figura de M. Philastre e sua Tradução
- M. Philastre é apresentado como a fonte principal para os textos divinatórios devido à sua tradução excepcional do Yiking.
- Ele era um oficial da marinha, filósofo experiente e distinto que, graças a um longo período na China e na Indo-China e a uma força de assimilação incomum, conquistou a confiança dos mandarins.
- Teve acesso a ensinamentos preciosos e interlocutores privilegiados, tornando sua tradução o melhor monumento já erguido em uma língua ocidental em honra às filosofias chinesas.
- Sua carreira terminou de forma trágica quando, num conflito entre suas obrigações para com seus mestres orientais e seu dever para com a França durante uma missão diplomática no Annam, foi demitido e morreu na pobreza e no anonimato, servindo como exemplo de que se engajar em um beco sem saída intelectual conduz à ruína social.
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Os Números e seu Significado
- Estabelece-se uma correspondência numérica entre o Céu (números ímpares: 1, 3, 5, 7, 9) e a Terra (números pares: 2, 4, 6, 8, 10), com posições definidas (baixo, alto, esquerda, direita, meio).
- Os números estão associados à geração e transformação dos cinco elementos (água, fogo, madeira, metal, terra) e aos fenômenos de contração e expansão.
- O número 55 é a soma total que realiza os estados de expansão e contração.
- Para a consulta divinatória, usa-se o número 49, derivado de cálculos envolvendo o número celestial 5 e o número terrestre 10.
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O Processo Divinatório com a Erba Shi (Achillea)
- Descreve-se um método complexo de manipulação dos brins de erva, envolvendo contagem por grupos de quatro, separação e agrupamento nas mãos.
- Três modificações (ciclos de manipulação) determinam uma fórmula (um traço do hexagrama), e dezoito modificações determinam um hexagrama completo.
- Os resultados são calculados para produzir os números 6, 7, 8 ou 9, que representam traços yin ou yang em estados móveis ou fixos.
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A Quantidade de Resultados Possíveis
- Existem 216 sortes positivas e 144 negativas, totalizando 360, equivalentes aos dias do ano.
- Os 64 hexagramas, com seus 384 traços (192 yang, 192 yin), geram 11.520 fórmulas de divinação quando multiplicados pelos valores numéricos de seus traços móveis.
- Considerando que cada traço de um hexagrama pode ser móvel ou fixo, um único hexagrama pode se transformar em qualquer outro, levando a 4.096 (64 ao quadrado) tipos diferentes de modificações e respostas possíveis para uma pergunta.
- As instruções completas para isso estavam contidas no Tcheouli, hoje perdido.
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As Provas/Testes e os Signos
- O homem pergunta e recebe a resposta por meio de signos, tomando consciência dos eventos que estão por vir.
- O processo envolve escrutar analogias e diferenças nas palavras dos oráculos e comparar seres e palavras por meio de números (três e cinco).
- Os instrumentos de divinação são os brins de erva e o casco de tartaruga.
- O céu mostra os símbolos (no Rio Amarelo e no Lago), e o sábio deduce os presságios e formula as regras.
- Os presságios são resultado do destino traçado pelas fórmulas e tornam-se evidentes pelo movimento das modificações.
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As Concordâncias e Aplicações Práticas
- Lista extensa de correspondências simbólicas para os oito trigramas fundamentais (Ba Gua), abrangendo:
- Fenômenos naturais (céu, terra, trovão, vento, água, fogo, montanha, lago).
- Membros da família (pai, mãe, filhos, filhas).
- Partes do corpo (cabeça, ventre, pés, etc.).
- Animais (cavalo, boi, dragão, porco, etc.).
- Cores, objetos, atributos e estados de espírito.
- Ilustra como os imperadores lendários (Fohi, Shennong, etc.) inventaram utensílios, práticas sociais e governamentais inspirando-se nos trigramas, mostrando a aplicação prática da sabedoria do Yiking na civilização.
- Lista extensa de correspondências simbólicas para os oito trigramas fundamentais (Ba Gua), abrangendo:
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Conclusão e Nota Final
- Reafirma-se que a divinação foi determinada por Wenwang e Tsheoukong (Duque de Zhou).
- Suas regras repousam na ciência dos números e na manipulação dos brins de erva shi.
- O processo leva ao exame de um dos 64 hexagramas, que, por sua vez, pode ser interpretado de 4096 maneiras diferentes, dependendo do traço móvel e da pergunta feita.
- O sentido final é guiado pelas concordâncias simbólicas dos trigramas.
- Conclui-se, porém, que o estado atual da tradição divinatória não permite afirmar com certeza que as interpretações modernas correspondem à intenção original dos escritores antigos.