Carregando...
 
Skip to main content
id da página: 11452 Matgioi – Via Metafísica – Os Gráficos de Deus

Matgioi Hexagramas

Os Gráficos de Deus

A Divergência Primordial entre as Concepções de Deus


  • A filosofia oriental, com seu espírito de generalização, contrasta com as concepções ocidentais de Deus, que se baseiam em nomes concretos e limitados. Enquanto as línguas alfabéticas do Ocidente representam Deus com quatro letras e o ilustram com imagens antropomórficas, na Ásia, o que se chama Deus não tem um nome particular, mas é uma ideia geral, representada por um ideograma que significa "céu" (Thien).
  • O primeiro mago histórico da China, Fohi, considerou esta ideia geral insuficiente e a substituiu por um desenho geométrico não especializado e o mais generalizado possível, com valor de arcano metafísico. Enquanto a ambição ocidental é ser compreendido, a ambição oriental é ser verdadeiro, e essas duas aspirações se excluem mutuamente no campo das ciências transcendentais. A verdade só pode ser captada quando está envolta em erros, sendo o dever de um espírito lúcido diminuir a espessura da casca de erro para que a verdade ecloda.

As Duas Perfeições e a Unidade do Princípio


  • Na metafísica chinesa, fala-se de duas perfeições e dois gráficos de Deus: a perfeição ativa (Khien) e a perfeição passiva (Khouen). Contudo, não há dualismo, pois na realidade existe apenas uma única perfeição, uma única "causa inicial de todas as coisas".
  • A perfeição ativa é o reservatório potencial de toda atividade, mas ela mesma não age e permanece em si, ininteligível ao ser humano. A perfeição passiva, por sua vez, é a mesma perfeição que se manifestou e se tornou passível de compreensão, ou seja, é a Perfeição ativa apreendida pelo entendimento imperfeito.
  • A Perfeição passiva não é um simples reflexo, mas uma entidade idêntica à Perfeição ativa. A distinção existe apenas para a mente humana, que é incapaz de apreender a Unidade e o zero, que é a unidade antes de toda manifestação. A multiplicidade e o dualismo que se atribuem à verdade são um erro do espírito humano que projeta sua própria imperfeição mental na face da divindade.

A Representação Gráfica da Perfeição


  • A representação gráfica da Perfeição é concebida a partir do simbolismo mais simples. Por ser uma ideia infinita e indefinida, ela é simbolizada por uma linha reta, que é superior à circunferência por não ser finita, não enclausurar nem definir nada.
  • O símbolo da perfeição ativa é a linha contínua, representando o infinito.
  • O símbolo da perfeição passiva é a linha quebrada, que, ao conter uma série de soluções de continuidade, expressa a multiplicidade e a divisibilidade do Ser. Esses dois simbolismos simples e poderosos são a base dos trigramas de Fohi e dos hexagramas do Yiking.

A Gênese dos Símbolos: De Digramas a Hexagramas


  • A ideia de atividade, a suprema marca da perfeição, é traduzida no simbolismo gráfico por meio da duplicação do sinal da perfeição (linha contínua ou quebrada), formando um digrama. Este representa o Pai e a Mãe, os meios da concepção.
  • O digrama, no entanto, não é um estado permanente, mas um "instante" necessário de passagem da Unidade à Tríade. Esse é um fato de profunda consequência metafísica e moral: o Pai e a Mãe só existem para criar e, no momento da criação, se unem em um; quando se separam, o ser já existe, e eles são três. A tradição chinesa estabelece, assim, que o mistério cristão da Trindade é um axioma.
  • A duplicação dos trigramas iniciais (os "três feitos um") leva aos hexagramas, que constituem a trama do Yiking. O hexagrama é formado pela superposição de um trigrama celeste e seu reflexo no entendimento humano, representando a união entre o céu e a terra, intermediada pelo "coração do homem" ou pelo "Espírito".

A Sabedoria Perdida e a Superioridade da Tradição Primordial


  • A filosofia oriental, com sua tradição primordial, influenciou vastamente o pensamento universal, mas foi transformada e obscurecida por séculos de "civilização branca". A tradição ocidental, em sua busca por aproximar Deus do entendimento humano, acabou por desfigurá-lo em sistemas religiosos que são fundamentalmente errôneos.
  • Por outro lado, a tradição que se apresenta não tenta fazer Deus inteligível; pelo contrário, a Perfeição permanece ininteligível ao homem. No entanto, por meio do desenho e do simbolismo linear, a noção de Deus é perfeitamente simbolizada sem ser destruída ou diminuída.
  • O desenho da Perfeição, que não lhe dá contornos, não a "finaliza", é um instrumento pelo qual se pode representar a ideia ideal e axiomática do ininteligível. Não se o compreende, não se o nomeia, não se o escreve — se o vê. Este símbolo, mais admirável do que qualquer ideia concebível, é a base de todas as proposições da tradição e o objetivo inegável da existência humana.