Skip to main content
id da página: 8409 Milagres Notas

Milagres Notas

Simbolismo

Fernando Pessoa: Rosea Cruz
Para o milagre, dizem, é preciso crença. Claro que é. Quem analiza destrói. Vejo como se erra. O milagre, entende muita gente, que cede à investigação porque era só real. Há outra hypóthese, de que elles não se lembram, porque é aquilo que não foi feito para elles se lembrarem d'ella: é que o milagre sucumbe à investigação — porque não foi feito, providenciado para ser investigado. É occulto, individual portanto. Analizal-o é tentar submetel-o à verdade social ou universal, à qual elle, por natureza sua, não pertence.



Antonio Orbe Cristologia Gnóstica
Segundo Orbe, os gnósticos quase nenhum tratamento dos milagres, e muito naturalmente devido aos princípios que regem o pensamento gnóstico, no tocante ao Cristo. Saltava à vista de todos os exegetas, gnósticos ou não, a condição de "escondido" de Jesus e sem milagres antes do batismo, taumaturgo depois dele. Seria estranho que um Valentino exaltasse o poder taumatúrgico de Jesus. Nem sequer como o fazem os heresiólogos com Simão Mago, Menandro e outros. Como São Justino, os grandes gnósticos não costumam fundar a divindade de Jesus apenas em milagres. Raras vezes enumeram seus prodígios.


Cabala

Mario Satz

Jesus de Nazaré foi um terapeuta no sentido amplo da palavra. Como a dos essênios, sua vida foi frugal. Ensinou que a origem da corrupção, da enfermidade, não está tanto no que entra em nossa boca, mas no que dela sai. Pouco importa que não possamos provar, historicamente falando, se Jesus teve tal ou qual mestre da Seita de Qumran; se visitou ou não os desertos que rodeiam Alexandria. Basta-nos saber que os Evangelhos dão conta de suas muitas curas pela palavra, pela imposição das mãos ou pela simples invocação mental, e que, de modo semelhante, agiam os terapeutas. Visto que disse que é preferível entrar no reino dos céus com um membro amputado do que nele ingressar com as mãos putrefeitas pelas más intenções, melhor é abandonar a erudição para desfrutar o espontâneo.

Na tradição hebraica, os taumaturgos, curadores e médicos ambulantes são chamados, mesmo hoje, de Baalei Shem, Possuidores do Nome; do Nome Divino, entenda-se. Os antigos sabiam que toda terapia procede do alto e que o médico não é mais que um veículo, uma ponte entre a saúde e a enfermidade. Em Mateus 15,30, lemos: "e os puseram aos pés de Jesus e ele os curou, de sorte que o povo se admirava vendo os mudos falar, os coxos andar, e os cegos verem; e davam glória ao Deus de Israel". Notemos que o Evangelho em nenhum momento nos diz que glorificavam a ele. Baseando-nos nestes e em outros dados, investigaremos a missão clássica do terapeuta como a de um ser que re-informa o organismo, nele restaurando sua capacidade criativa, devolvendo-lhe fluidez, transparência, flexibilidade, tal e como a teve — salvo exceção — nos primeiros dias de sua vida. Antes, porém, precisamos enfatizar um ponto: os cegos, coxos e surdos não são necessariamente enfermos literais. Podem muito bem ser aqueles que têm pés e não sabem caminhar, têm olhos e não sabem ver e têm ouvidos e não ouvem. Nesse caso o terapeuta tem como missão tornar fértil, cultivável — lembremos que seu nome tinha essa mesma implicação — um corpo ou membro inculto, seco, entorpecido pelo mau uso, preguiça ou negligência.

Sabemos que o nome Yehoshua, Jesus, significa — entre outras coisas — "salvador", "curador". Também sabemos que há salvação quando há perigo, cura quando há algo a curar. Porém, salvar também significa "percorrer a distância entre dois pontos", "saltar", "isentar" e, por certo, "restituir a saúde". Devolver algo que se havia perdido. Se nos ativermos a todos esses sentidos, descobriremos que percorrer a distância entre dois pontos é suprimir sua separação; sair implica um ato volitivo de nossa parte, se de fato queremos curar-nos; e que isentar alude sempre, em todos os casos, a prevenir.



Frithjof Schuon: Schuon Pérolas Peregrino
No fundo, não há mais que três milagres: a existência, a vida, a inteligência (nous); com esta, a curva surgida de Deus se fecha sobre si mesma, como um anel que em realidade nunca saiu do Infinito.



Maurice Nicoll: FLECHA NO ALVO

Todo lo literal que tiene una construcción correcta de los términos de este lenguaje es un conducto de fuerza que proviene de los niveles superiores, y así está viva. Tal es la base de los milagros, pues un milagro se produce atrayendo leyes de un mundo superior para que obren en uno inferior. Esta era la razón de los rituales, sólo que ahora el ritual ha perdido su significado, pues para que sea efectivo, para que sea un conductor de fuerza se precisa no sólo un entendimiento de su significado, sino también alcanzar cierto grado emocional.


Ouspensky: MILAGRE