VIDE: ESTADO DE SONO; MUNDO INTERMEDIÁRIO; MEDIADOR; INFERNO
No NT as noções associadas a três mundos estão ligadas ao simbolismo do Céu, do Ar ou da Atmosfera e da Terra. É assim que São Paulo fala do «príncipe do poder do ar» (Ef II,2). Os demônios pertencem ao mundo sutil, o qual é simbolizado pela Atmosfera. Mas este mundo do ar não é somente habitado por espíritos maus. Pode-se aí ver também o domínio das forças cósmicas, que são nossa natureza sutil. É o sentido da expressão: «os elementos do mundo» que se encontra na Epístola aos Colossenses (Col II,8), em outra parte (Fil II,10), Paulo utiliza a tríade: Céus, Terra, Infernos... Os Infernos aqui não designam a estada dos danados, mas a estada dos mortos.
A identidade dos «infernos» com o Ar (ou região intermediária) aparece claramente se se faz uma aproximação com textos de Fílon de Alexandria: «o ar (o espaço compreendido entre a terra e a esfera da lua) é a morada das almas incorporais. Mas estas almas, Fílon as chama também «demônios», entendendo por isso não somente os seres sutis submetidos ao diabo, mas também certas categorias de anjos inferiores: «aqueles que os filósofos chamam daimones, Moisés tem costume de chamá-los anjos e são almas que voam no ar». Assim se vê que a denominação de demônio não tem sempre um sentido pejorativo.
Os anjos propriamente ditos habitam os Céus, e correspondem às essências do «lugar inteligível» de Platão, assim como os deuses das religiões não abraâmicas. Eis aí o ensinamento universal da Bíblia. Para muitos comentadores judeus eles foram criados no Segundo Dia, o que corresponde à partilha das Águas primordiais e portanto à criação-distinção das Águas Superiores. Estes anjos são por vezes designados em São Paulo, por exemplo, dos mesmo nomes que os demônios maus: poderes, principados, retores do mundo (das trevas). Mas o AT não os distingue sempre, pelo menos nominalmente.