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id da página: 4411 Guy Bugault – Nagarjuna – Movimento

Nagarjuna Movimento


BUGAULT, Guy. L’Inde pense-t-elle ? Paris: Presses universitaires de France, 1994

  • Análise do Capítulo 2 das Estâncias de Nāgārjuna sobre o Movimento

    • Objetivo do capítulo como um estudo (melete) do fenômeno da marcha (movimento)
    • Investigação conjunta e oposição de Nāgārjuna em relação aos seus adversários sobre a descrição correta do movimento
    • Desdobramento da discussão nos planos físico, gramatical e lógico
    • Estratégia do adversário baseada em tríades de noções comuns
      • Primeira tríade: movimento já efetuado, movimento ainda não efetuado e movimento atual
      • Segunda tríade: o movimento propriamente dito (gati), o produtor do movimento (gantr) e o espaço a percorrer (gantavya)
      • Generalização da tríade para os conceitos de ação, agente e objeto da ação
    • Problematização da localização do movimento por Nāgārjuna
      • Rejeição do movimento no passado e no futuro
      • Questionamento do movimento no presente uma vez isolado dos outros tempos
      • Crítica de Nāgārjuna à noção de presente em oposição a visões místicas
    • Refutação da atribuição do movimento ao movimento presente
      • Impossibilidade de predicar o movimento daquilo que já o possui
      • Absurdidade tautológica de atribuir o movimento a si mesmo
      • Consequência lógica da necessidade de postular dois movimentos e dois agentes
    • Interdependência entre o agente e a ação
      • Impossibilidade de um marchador sem marcha e de uma ação sem agente
      • Incorreção dos enunciados do tipo "o marchador marcha"
    • Problemática do início do movimento
      • Impossibilidade de localizar o início no passado, no futuro ou no presente
      • Inutilização da distinção espácio-temporal inicial
    • Contraproposta do adversário baseada na existência do repouso
      • Objeção da existência do movimento devido à existência do seu contrário
      • Refutação de Nāgārjuna com base nos mesmos argumentos usados para o movimento
      • Vice da sobreimposição tautológica aplicado ao repouso
    • Relação de não identidade e não separação entre movimento e agente
      • Afirmação de que marcha e marchador não são um nem dois
    • Insuficiência da introdução de um terceiro termo (o objeto da ação)
      • Análise do termo sânscrito karman como ação, objeto da ação e caso acusativo
      • Impossibilidade de o agente ser exterior à sua ação ou de tomar uma segunda ação como objeto
    • Conclusão sobre a intangibilidade dos três elementos do movimento
      • Declaração de que a marcha, o agente e o percurso são intangíveis (na vidyate)
  • Finalidade e Contexto da Dialética de Nāgārjuna

    • Negação da interpretação inconceitualizável ou irracionalista do movimento
    • Função dos esquemas binários e ternários como codificadores de fenômenos
    • Caráter não ontológico dos esquemas conceituais como vistas (drsti) ou construções imaginativas
    • Validade pragmática no nível das verdades codificadas (samvrtisatya) para as transações (vyavahara) cotidianas
    • Geração de hipóstases quando os conceitos são tomados como coisas reais
    • Fenda inultrapassável entre a experiência vivida e a conceptualização como base da conversão budista
    • Importância soteriológica da negação de chegada e partida para os Madhyamika
      • Citação das Estâncias Dedicatórias: "nem chegada nem partida (anagamam anirgamam)"
      • Generalização da ideia para a causalidade universal e o par aparição-desaparecimento
      • Citação do sutra por Candrakīrti: "Ninguém nasce, ninguém morre"
      • Extinção das categorias cinéticas e substantialistas como o nirvana pacífico
    • Distinção do contexto cultural e sapiencial da dialética de Nāgārjuna em relação aos sofistas e a Zenão
  • Modalidades da Dialética de Nāgārjuna: A Ablação e a Relação

    • Casos de resultados menos abruptos que o vazio
    • Exemplo do fogo e do combustível (capítulo 10)
      • Trabalho dialético para revelar a relação de dependência mútua (parasparapeksiki siddhi)
      • Inexistência de estatuto racional ou existencial separado para o fogo e o combustível
      • A abstração como produto da imaginação que oculta a relação
  • Análise de Outros Conceitos-Chave nas Estâncias

    • Necessidade de análise detalhada do raciocínio em cada capítulo
    • Centralidade do Capítulo 15 na crítica ao svabhava
      • Svabhava como "ser em si, substância, existência dotada de aseidade" ou "natureza própria"
      • Crítica ao segundo aspecto do svabhava como atributo principal
      • Rejeição budista da ideia de substância e propriedade inerente em oposição ao bramanismo
      • Visão budista do universo como impermanência e causalidade em trabalho perpétuo
      • Causalidade como lei e não como transitividade entre substâncias
      • Princípio da coprodução condicionada (pratitya-samutpada) como enunciado primordial da ideia de função ou lei
  • O Princípio da Coprodução Condicionada e as Duas Verdades

    • Reexame da condicionalidade (pratyaya-pariksa) no Capítulo 1
      • Estância inicial: "Jamais, em lugar algum, nada surge, nem de si mesmo, nem de outro, nem de ambos, nem sem uma razão de ser"
    • Resposta baseada na doutrina das duas verdades (dve satye) no Capítulo 24
      • Ensino do Buddha apoiado na verdade convencional e mundana (lokasamvrti-satya) e na verdade de sentido último (paramartha-satya)
      • Importância de discernir a linha de partagem entre as duas verdades para compreender a realidade profunda
    • Aprofundamento dialético do princípio da coprodução condicionada
      • Aplicação do princípio aos próprios sujeitos do processo causal (x e y)
      • Falta de essência própria (svabhava) nos fenômenos a nível último, sendo apenas designações convencionais (prajñapti)
      • O princípio de razão como auto-abolitivo e questionador do princípio de identidade
      • A coprodução condicionada como vacuidade (shunyata) e via do meio (madhyama pratipad)
      • Citação: "É a coprodução condicionada que entendemos pelo nome de vacuidade. É uma designação metafórica, não é nada além do que a via do meio"
      • Rejeição dos extremos da permanência (shashvata) e do aniquilamento (uccheda)
  • Crítica às Quatro Nobres Verdades e a Chave Hermenêutica das Duas Verdades

    • Extensão da crítica de Nāgārjuna às Quatro Nobres Verdades
      • Uso dos operadores lógicos: na yujyate, nopapadyate, na vidyate ou nasti, e abhave
      • Acusação de nihilismo por parte dos coreligionários e a réplica de Nāgārjuna
      • Pertinência das Quatro Verdades a nível da verdade convencional para a soteriológica
      • Sentido último das Verdades como coprodução condicionada e via do meio
    • Etapas do aprofundamento da Primeira Nobre Verdade
      • Tudo é sofrimento (sarvam duhkham)
      • Tudo é impermanente (sarvam anityam)
      • Tudo é coproduzido condicionalmente (sarvam pratitya-samutpannam)
      • Perda de consistência de qualquer sujeito do devir
      • A aporia quádrupla inicial das Estâncias como réplica às teorias da causalidade
    • Renúncia à verdade unidimensional e ôntica como chave hermenêutica
      • Contraste com a concepção de verdade herdada de Aristóteles
  • Demistificação de Conceitos Sotereológicos Fundamentais

    • Crítica à reificação do nirvana (Capítulo 25)
      • Necessidade de desfazer a apego (a-LAMB-) a algo, mesmo o nirvana
    • Crítica à figura do tathagata (Buddha) (Capítulo 22)
      • Afirmação de que "o Buddha não é alguém, ninguém é o Buddha"
    • Abordagem subtil e reservada à ideia do eu (atman) (Capítulo 18)
      • Suspensão da afirmação e negação do eu no tetralemma
      • Suspensão da verdade ou falsidade do mundo no tetralemma completo
  • Discussões Adicionais sobre Temas Pan-Indianos

    • Análise da lei do karman (ato e seu fruto) no Capítulo 17
    • Investigação da relação entre vínculo e libertação no Capítulo 16
      • Questionamento dialético de "quem está escravizado? quem está liberado?"
    • Refutação das visões (drsti) sobre a origem e o destino no Capítulo 27
      • Crítica às opiniões pessoais dos monges sobre existências passadas e futuras
      • Caracterização dessas visões como heresias em relação aos ensinamentos do Buddha
      • Aplicação contemporânea aos problemas de origem e escatologia