Seleção de citações em PERRY, Whitall N. A Treasury of Traditional Wisdom. Cambridge: Quinta Essentia, 1991
O pecado não é o ato de comer o fruto proibido, mas sim a transgressão da vontade.
Dante (Paraíso, XXVI. 115)
A vontade, ao se desviar do bem imutável e universal, e se voltar para o seu próprio bem, ou para um bem externo ou inferior, peca. Ela se volta para o seu próprio bem quando almeja ter controle sobre si mesma; para um bem externo, quando se esforça para conhecer o que pertence aos outros, ou o que não lhe diz respeito; para um bem inferior, quando ama os prazeres do corpo. Assim, o homem, tornando-se orgulhoso, curioso e carnal, transita para uma outra vida, que, em comparação com a anterior, é a morte.
Todo pecado se concretiza de três formas, a saber: por sugestão, por deleite e por consentimento. A sugestão é incitada pelo Diabo, o deleite vem da carne e o consentimento da mente. Pois a serpente sugeriu a primeira ofensa, e Eva, como a carne, se deleitou com ela, mas Adão consentiu, como o espírito, ou a mente.
São Gregório Magno
Bela e Abençoada é esta Vontade, quando seu próprio Esposo ilumina-a, e a atrai por meio de raios, por vislumbres doces de Si mesmo, espalhados por todas as coisas, mais claros ou mais obscuros, mas verdadeiros. Então sua beleza e sua bem-aventurança se transformam em deformidade e miséria, quando por encantamentos infernais ela é iludida e atraída para os abraços de uma Bruxa enrugada, ou um Espírito, vindo da escuridão de baixo, transformado na semelhança de seu Amor celestial.
Nada nos separou de Deus senão a nossa própria vontade, ou melhor, a nossa própria vontade é a nossa separação de Deus... A queda do homem trouxe o reino deste mundo; o pecado em todas as formas nada mais é que a vontade do homem agindo em um estado de auto-movimento e auto-governo, seguindo os desejos de uma natureza que se rompeu de sua dependência e união com a vontade divina. Todo o mal e miséria na criação surgem única e exclusivamente desta única causa.
Aquele que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado.
NT Tiago, IV. 17
Como ele sabia de sua obrigação de amar a Deus em todas as coisas, e como ele se esforçava para fazê-lo, ele não tinha necessidade de um diretor para aconselhá-lo, mas... ele precisava muito de um confessor para absolvê-lo.
Não queremos tanto meios de saber o que devemos fazer, mas querenças para fazer o que podemos saber.
John Smith, o Platonista
O Reconhecimento do Pecado
P: Qual é o pecado mais prejudicial?
R: O pecado que não se sabe ser pecado.
Ahmad b. ‘Asim al-Antaki
Monges, dois ensinamentos “dharma” do peregrino “arahant”, o verdadeiramente desperto, ocorrem um após o outro. Quais dois? “Olhar o mal como mal” é o primeiro ensinamento “dharma”. “Vendo o mal como mal, se enojar dele, ser purificado dele, ser libertado dele” é o segundo ensinamento “dharma”. Estes dois ensinamentos “dharma” do peregrino ocorrem um após o outro.
Itivuttaka
Eu conheço a todos, e por um tempo sustentarei
O temperamento livre de vossa ociosidade:
Contudo, nisto imitarei o sol,
Que permite que as nuvens baixas e contagiosas
Sufoquem sua beleza do mundo.
Para que quando ele desejar novamente ser ele mesmo,
Sendo sentido falta, ele possa ser mais admirado.
Ao romper através das névoas imundas e feias
De vapores que pareciam estrangulá-lo.
Shakespeare (Henrique IV, Parte I. I. ii. 219)
A maior calamidade que atinge os descuidados é que eles ignoram suas próprias falhas: pois qualquer um que for ignorante aqui também será ignorante no futuro: “Aqueles que são cegos neste mundo serão cegos no próximo mundo” (Alcorão, XVII. 72).
Quando Deus deseja o bem para Seu servo, Ele o faz ver as falhas de sua alma.
A primeira maneira de evitar um Mal, é conhecê-lo, e conhecer, a Causa e a Ocasião dele.
Benjamin Whichcote
Pois mil ofensas das quais um homem verdadeiramente se reconhece e confessa ser culpado, não são tão perigosas e tão prejudiciais a um homem quanto uma única ofensa que não se quer reconhecer nem permitir a si mesmo ser convencido dela.
Eu preferiria o homem que peca mil pecados mortais e o sabe, do que aquele que peca apenas um na ignorância: esse homem está perdido.
E se eles te desobedecerem, dize: Eis que sou inocente do que eles fazem.
Alcorão, XXVI. 216
A Dissipação do Pecado
Sua adversidade entre eles mesmos é muito grande. Vós os pensais como um todo, enquanto seus corações são diversos.
Alcorão, LIX. 14
A dispersão (vikshepa) é muito poderosa. Mas a virtude espiritual (sattva) é ainda mais poderosa. Aumente-a, e se dominará facilmente as flutuações da sua mente.
Swami Sivananda
Esforcemo-nos para ter nossas mentes iluminadas com a verdade divina, verdade clara e prática, esforcemo-nos sinceramente por uma verdadeira participação da natureza divina: e então se descobrirá que o inferno e a morte fogem diante de nós. Não imputemos os frutos de nossa própria indolência ao poder do espírito maligno de fora, ou ao abandono de Deus por nós: não digais: Quem se levantará contra esses poderosos gigantes?...Abri tuas janelas, ó preguiçoso, e deixa entrar os raios da luz divina, que estão ali esperando por ti até que despertes de tua preguiça; então se descobrirá que as sombras da noite são dissipadas e espalhadas, e os raios quentes de luz e amor te envolvem....Não precisamos ir e agitar o ar para afastar esses espíritos malignos de perto de nós, como Heródoto relata que os Caunianos uma vez expulsaram os deuses estrangeiros de entre eles: mas voltemo-nos para dentro de nós mesmos, e derrubemos o orgulho e a paixão, esses refúgios de Satanás que estão ali, que são fortes porque nos opomos a eles fracamente. O pecado não é nada mais do que uma degeneração da verdadeira bondade, concebida por um entendimento escuro e nebuloso, e gerada por uma vontade corrupta: ele não tem consistência em si mesmo, ou fundação própria para apoiá-lo....Retiremos a nossa vontade e afeições dele, e ele logo se desfará em nada.
John Smith, o Platonista
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