CUTSINGER, James S. (ORG.). Not of this world: a treasury of Christian mysticism. Bloomington, Ind: World Wisdom, 2003
Pelo tabernáculo da aliança
entendemos o estado de perfeição.
Onde está a perfeição da alma,
ali também está a habitação de Deus.
Quanto mais a mente se aproxima da perfeição,
mais estreitamente se une em aliança com Deus.
Contudo, o próprio tabernáculo
deve ter um átrio ao seu redor.
Por átrio entendemos a disciplina do corpo;
por tabernáculo entendemos a disciplina da mente.
Onde falta a disciplina exterior,
certamente a disciplina interior não pode ser observada.
Mas, por outro lado, sem a disciplina da mente,
a disciplina do corpo certamente não é benéfica.
Um átrio fica descoberto sob o céu aberto;
a disciplina do corpo está aberta para todos verem.
As coisas que estão no tabernáculo
não estão abertas ao exterior.
Ninguém sabe o que pertence à pessoa interior
exceto o espírito que está nela.
A natureza da pessoa interior é dividida
em uma natureza racional e uma intelectual.
A racional é entendida pelo tabernáculo exterior,
mas a intelectual é entendida pelo tabernáculo interior.
Chamamos de sentido racional
aquele pelo qual discernimos as coisas de nós mesmos;
neste lugar, chamamos de sentido intelectual aquele pelo qual
somos elevados à especulação das coisas Divinas.
Uma pessoa sai do tabernáculo para o átrio
através do exercício do trabalho.
Uma pessoa entra no primeiro tabernáculo
quando retorna a si mesma.
Uma pessoa entra no segundo tabernáculo
quando vai além de si mesma.
Ao ir além de si mesma,
certamente uma pessoa é elevada a Deus.
Uma pessoa permanece no primeiro tabernáculo
pela consideração de si mesma;
no segundo, pela contemplação de Deus.
Eis que, concernente ao átrio, o primeiro tabernáculo
e o segundo: estes lugares tinham cinco coisas
para a santificação.
O átrio tinha apenas uma coisa,
assim como o segundo tabernáculo.
O primeiro tabernáculo tinha as três restantes.
No átrio do tabernáculo estava
o altar de holocausto.
No primeiro tabernáculo estavam
o candelabro, a mesa e o altar de incenso.
No tabernáculo interior estava
a Arca da Aliança.
O altar exterior é a aflição do corpo;
o altar interior é a contrição da mente.
O candelabro é a Gratia da discrição;
a mesa é o ensino da leitura sagrada.
Pela Arca da Aliança
entendemos a graça da contemplação.
No altar exterior, os corpos dos animais eram queimados;
pela aflição do corpo, os desejos carnais são aniquilados.
No altar interior, a fumaça aromática era oferecida
ao Senhor; pela contrição do coração, a chama
dos desejos celestiais é acesa.
Um candelabro é um suporte para luzes;
a discrição é a lâmpada da pessoa interior.
Sobre a mesa, o pão é colocado;
por ele, aqueles que estão famintos podem ser revigorados.
Contudo, a leitura sagrada certamente é
o revigoramento da alma.
Uma arca é um lugar secreto para ouro e prata;
a graça da contemplação obtém o tesouro
da Sabedoria celestial.