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id da página: 1042 Thomas Taylor – Proclus – Comentários sobre o Primeiro Alcibíades Thomas Taylor

Thomas Taylor Proclus Primeiro Alcibiades

Thomas TaylorProclus – Comentário sobre o Primeiro Alcibíades

As seguintes notas adicionais sobre o Primeiro Alcibíades foram extraídas do comentário do ms. comentário de Proclo sobre esse diálogo.

  • Prefácio do Diálogo e sua Concordância com o Propósito Geral

    • Os preâmbulos nos diálogos de Platão articulam-se harmonicamente com o seu escopo integral, longe de serem meros recursos dramáticos ou narrativos, servindo antes para converter o leitor à essência da investigação filosófica.
    • O início do Alcebíades indica de modo belo o objetivo da obra: desvelar a nossa natureza e a essência definidora de cada um, operacionalizando o mandamento délfico "Conhece-te a ti mesmo" através de métodos demonstrativos.
    • O preâmbulo converte o jovem Alcebíades a si mesmo, levando-o a examinar as suas concepções pré-subsistentes e, simultaneamente, a contemplar a ciência socrática como um farol orientador.
  • As Formas de Conversão da Alma

    • A conversão da alma manifesta-se de três modos: uma apostasia para o que é pior, um retorno ao que é melhor através de uma energia conforme à natureza, ou uma conversão a si mesma mediante um conhecimento coordenado e um movimento intermédio.
    • A conversão para o pior constitui uma paixão da alma, onde as suas asas sofrem um defluxo, lançando-a no esquecimento de si própria e das naturezas superiores.
    • Esta dinâmica conversiva não se restringe às almas, estendendo-se também às naturezas divinas, como Parménides demonstra ao estabelecer duas espécies de conversão na divindade.
  • A Ciência Socrática e a Apropriação do Conhecimento

    • Um homem digno aplica o seu conhecimento a objetos que lhe são propriamente coordenados, abstendo-se de procurar um saber estável sobre o contingente ou uma apreensão indeterminada sobre o necessário.
    • Timeu distingue as cognições analogamente aos seus objetos: os seres verdadeiros são apreendidos pela inteligência unida à razão, enquanto os objetos da geração são abordados pela opinião e pelo sentido.
    • O uso do termo "opino" (οιμαι) por Sócrates, ao discorrer sobre uma natureza instável, sinaliza o carácter mutável do objeto conhecido, sem implicar que o seu próprio conhecimento seja dúbio ou misturado com ignorância.
  • A Disposição de Alcebíades e a Receptividade à Virtude

    • Alcebíades, ao desprezar os amores indignos e admirar os meritórios, testemunha a sua profunda afinidade com o belo e uma preparação intrínseca para acolher a virtude.
    • Concepções elevadas e grandiosas comovem os amantes divinos porque possuem uma aliança intrínseca com a beleza divina, sendo o desdém pelos assuntos humanos vulgares um viático suficiente para a persecução da virtude.
  • A Purificação da Alma e a Remoção da Ignorância

    • O propósito imediato do discurso socrático é purificar a parte dianoética da ignorância dupla, removendo todos os impedimentos ao resgate da ciência verdadeira, pois o imperfeito só atinge a sua perfeição pela ablação dos obstáculos.
    • A verdadeira purificação da alma é tripla: pela arte teléstica, pela filosofia e por esta ciência dialética que, conduzindo à contradição, confuta a desigualdade dos dogmas e liberta da ignorância dupla.
    • A purificação operada por Sócrates em Alcebíades assemelha-se às purificações telésticas prévias aos mistérios, que libertam das máculas da geração e preparam para a participação numa natureza divina.
  • A Adaptação do Ensino à Natureza do Discípulo

    • Cabe ao instrutor conhecer com exatidão as aptidões dos instruídos e dirigir a sua atenção conformemente, pois o filósofo natural, o amante ou o músico requerem métodos disciplinares distintos.
    • O modo da doutrina socrática consiste em conduzir cada um ao seu objeto de desejo próprio – seja o prazer, a autossuficiência ou o poder –, indicando-lhe onde reside a sua forma pura e imaterial, afastando-o assim das imagens sensíveis.
  • Os Caminos do Conhecimento: Aprendizagem e Invenção

    • A Aprendizagem (Mathesis) e a Invenção configuram vias de conhecimento adaptadas à alma humana, sendo dons dos Deuses, particularmente da ordem mercurial, que a beneficiam na sua condição decaída e a reconduzem à vida intelectual.
    • A Invenção, enquanto poder automotivo da alma, possui uma subsistência média, subordinada ao conhecimento divino mas mais perfeita que a reminiscência externamente derivada; a Aprendizagem, quando provém de causas superiores, é melhor que a Invenção.
  • A Ignorância Simples como Princípio da Investigação

    • As investigações e doutrinas são necessariamente precedidas pela ignorância simples, pois nem o sábio nem o duplamente ignorante investigam; o primeiro porque já possui a ciência, o segundo porque nem sequer assume os princípios da indagação.
    • Aquele que possui ignorância simples, situado entre a ciência e a ignorância dupla, é convertido a si mesmo e, ao contemplar em si a ignorância, constitui o princípio da Aprendizagem e da Invenção.
  • As Disciplinas Propacêuticas e a sua Ordem no Universo

    • As três disciplinas – matemática, música e ginástica – contribuem para a virtude política integral: a ginástica tonifica o desejo, a música suaviza a ira e as matemáticas excitam e elevam a parte racional.
    • Todas estas disciplinas estão suspensas da série mercurial, e a sua sequência na educação dos jovens corresponde à ordem etária governada pelos corpos celestes, sendo a segunda idade, dedicada às letras e exercícios, particularmente influenciada por Mercúrio.
  • A Natureza da Alma e a sua Perfeição no Tempo

    • A descida da alma no corpo separa-a das almas divinas, enchendo-a de esquecimento, mas a sua perfeição subsequente requer a amputação dos poderes inferiores que nela cresceram, tal como os musgos no Glauco marinho.
    • A perfeição da alma, sendo uma natureza racional e automotiva, mas participando também de alteração, adquire perfeição através da disciplina e da invenção, sendo que as almas mais perfeitas são mais inventivas, enquanto as mais imperfeitas carecem de assistência externa.
    • As mudanças da alma, da insensatez à sabedoria, processam-se no tempo, existindo um tempo duplo: um co-subsistente com a vida natural e outro que mede os períodos da vida incorpórea da alma.
  • A Origem Interna do Conhecimento e a Confutação pelo Próprio

    • A demonstração de que a causa das respostas e conclusões reside no próprio Alcebíades corrobora a doutrina de que as disciplinas são reminiscências, pois a alma extrai as razões de si mesma, necessitando apenas de um estímulo exterior.
    • A confutação que se origina do próprio interlocutor é a mais apropriada, pois está de acordo com a essência automotiva da alma, e evidencia que a purificação não é efetuada externamente, mas a alma purifica-se a si mesma.
    • Este método dialético, em que o que responde é confutado por si mesmo, mitiga a veemência da repreensão e revela a aliança entre o que argui e o arguido, sendo um grande auxílio para a salvação da alma.
  • A Identidade entre o Justo, o Belo e o Bom

    • O dogma de que o justo é idêntico ao proveitoso encerra toda a filosofia moral, pois se estes forem distintos, a felicidade dependerá de bens externos, mas se forem o mesmo, o verdadeiro bem do homem reside na alma.
    • A demonstração procede silogisticamente: tudo o que é justo é belo, tudo o que é belo é bom, e tudo o que é bom é proveitoso; logo, tudo o que é justo é proveitoso.
    • Na alma, estes três – o Bom, o Belo e o Justo – estão unidos, sendo o Belo o medium e o laço mais belo que une o Justo ao Bom, tal como no universo o Demiurgo o uniu com o laço mais belo da analogia.