Bennett: THE DRAMATIC UNIVERSE
A experiência ela mesma não é homogênea: tem elementos diferenciados em sua natureza essencial — a saber, os elementos de função, de ser e de vontade. Todos os três elementos devem entrar em qualquer nova experiência e, posto que podem ser descritos e definidos sem referência a alguma forma particular ou centro de experiência, podem ser chamados de primários.
Uma analogia, que devemos a Ouspensky, ilustra a relação entre função, ente e vontade. Ele compara o homem a um quarto no qual há vários objetos, cada um tendo uma função. Assim temos, por exemplo: máquina de escrever, máquina de custura, cama, instrumento musical, microscópio, luneta, etc. Enquanto o quarto está no escuro a cama pode ser usada, mas as máquinas podem até operar mas com resultados imprevisíveis, e algumas nem podem operar. Se uma vela é acesa no quarto, as máquinas podem operar melhor. O microscópio e a luneta ainda são inúteis, mas algo pode ser feito com cada um dos outros um de cada vez, se a vela é posta ao seu lado. Agora, se em lugar da vela, uma lâmpada luminosa é acesa, todas as máquinas podem ser usadas — até simultaneamente — exceto a luneta, que não tem propósito dentro do quarto. O microscópio pode ser considerado, pois a luz forte, pode ser focada nele para melhor observação. Podemos figurar que com seu uso, novos resultados são obtidos que nenhuma das outras máquinas podiam oferecer; e que o trabalho destas últimas podem ser ainda perfeicionados. Finalmente, podemos supôr que sendo as janelas abertas, a luz do dia entrando, o trabalho de todas as máquinas está agora livre e irrestrito. A luneta passa a ser útil, abrindo possibilidades que não eram suspeitas dentro dos confins das quatro paredes.
Na analogia, as máquinas correspondem à função, a iluminação ao ser. Posto que as máquinas não podem usar a si mesmas, perguntamos «O que as usa?» É a vontade que assim o faz, mais ou menos efetivamente, de acordo com a luz presente; o uso para que são postas as máquinas depende da função, do ser e da vontade, assim como a qualidade de seu trabalho. Com efeito, a situação como um todo é o resultado dos três fatores, e cada um deles permeia a situação de ponta a ponta. Até o menor processo — ou seja, função — está presente; por toda parte há luz — ou seja, ser — embora não necessariamente o mesmo grau de iluminação; e por toda parte há um fator impelidor — ou seja, vontade, seja ele uma intenção diretiva ou somente uma operação automática de influências externas.