VIDE: phos
Commentaries On The Gospel Of Thomas. Excerpts from the Marsanne talks, 2015
Aquele que tem que se realizar já tem um caminho traçado desde o nascimento. Nada precisa ser mudado.
Ninguém jamais será realizado. A Realidade é sempre realizada, e este "eu" fugaz que pertence à realização nunca será capaz de realizar a Realidade. Nunca houve um ser iluminado nem um ser não-iluminado. A Vida sempre foi Vida. A Realidade é sempre Realidade. Não há necessidade de realizar Isso porque Isso se realiza em tudo o que existe! E o que pertence à realização nunca pode se tornar a origem dela. Caso contrário, poderíamos também dizer "pode uma pedra realizar a Vida"? Não! Somos a Vida e nos realizamos, mas nunca podemos realizar Isso, que se realiza. Estamos sempre realizados, nem mais nem menos. Portanto, Isso nunca aparecerá e nunca desapareceu. Não existe algo como mais ou menos realização. O próximo gole de café é a realização do que somos. Nunca haverá grandes fogos de artifício, nem entendimento final, nem silêncio profundo. Tudo isso pertence à realização e não pode nos tornar mais reais do que já somos. Não existe algo como mais ou menos real.
A afirmação de Eckhart do amor de Deus por si mesmo, que "contém seu amor por todo o mundo", corresponde, de certo modo, à ideia budista da iluminação universal. Quando Buda alcançou a iluminação, convém lembrar, percebeu que todos os seres, tanto os sensíveis quanto os insensíveis, já se encontravam na própria iluminação.
A ideia da iluminação pode fazer com que, sob certos aspectos, os budistas pareçam mais impessoais e metafísicos que os cristãos. O budismo pode, assim, ser considerado mais científico e racional que o cristianismo, que se encontra pesadamente sobrecarregado de toda a sorte de acessórios mitológicos. Procede-se, pois, agora, entre os cristãos., um movimento visando a despir a religião de seu desnecessário apêndice histórico. Embora seja difícil prever até que ponto tal movimento será bem sucedido, o fato é que existem, em todas as religiões, certos elementos que podem ser chamados de irracionais e que, em geral, se relacionam com a necessidade de amor dos seres humanos. A doutrina budista da iluminação não é, afinal de contas, um frio sistema de metafísica, como parece a alguns. O amor também entra na experiência da iluminação como um de seus componentes, pois, de outro modo, ela não poderia abranger a totalidade da existência. A iluminação não significa fugir do mundo, e sentar-se de pernas cruzadas no alto da montanha, baixando-se os olhos, calmamente, para a massa humana condenada. Tem mais lágrimas do que se imagina. [Mestre Eckhart: Daisetz Suzuki, Mística: cristã e budista]
Toda cadeia discursiva de conceitos, toda ordem de razões acaba sempre por se enraizar em um proposição primeira. Esta proposição original não pode ser de mesma natureza que o sistema, pois se assim fosse, toda enunciação remeteria sempre a uma enunciação anterior, e assim ao infinito. Mas se não se remonta alé da evidência última, se a evidência parece se dar por si mesma, não é ela seu fundamento? Como a ausência de fundo conceitual pode se tornar o fundamento ele mesmo? É então que a iluminação toma seu verdadeiro sentido. A iluminação, o clarão de verdade, não é o brilho misterioso de um reino irracional. Ela não vem ao sujeito de um mundo de trás que a natureza ocultaria, como uma decoração oculta os bastidores e o real. Segundo Sohravardi, ela é o ato do Intelecto Agente depositando na alma a assistência que lhe é necessária par alcançar o verdadeiro. [Christian Jambet: La logique des orientaux]
A iluminação da alma ou do olhar espiritual pelo Espírito é inseparável da santificação
Ela é análoga ao clareamento do ar e do olho pelo sol:
O vocabulário de luz não concerne mais aqui a relação intra-trinitária entre luz verdadeira (phos alethinon) do Verbo e o poder iluminador (dynamis photistike) do Espírito, mas a relação de graça entre o Espírito e as “almas iluminadas pelo Espírito”. O Espírito é análogo a “raio” (aktis) que torna os corpos “límpidos” (lampra) e “transparentes” (diaphane), cintilantes (perilampe) e refletindo uma “outra claridade radiante” (auge), pois esta irradiação não é a sua, mas aquela do “raio solar”1
através de sua própria limpeza.
Nesta passagem, a iluminação é dita «ellampsis», mas numa passagem paralela, a iluminação do Espírito é dita «photismos». Estes dois termos «ellampsis» e «photismos» têm todos os dois uma significação batismal pois a contemplação ou a adoração do Pai no Filho, ou pelo Filho no Espírito, é o fruto da graça batismal que é dada “ao nome do Pai e do Filho e do Espírito”, segundo Mateus 28,19:
[Ysabel de Andia: Mystiques d'Orient et d'occident]
NOTAS:
Sin embargo, lo verdaderamente nocivo no es el «conocimiento» en si. La calidad de éste depende de los objetos sobre los que se ejerce. Cuando se refrena su habitual tendencia a buscar fuera objetos externos y se vuelve hacia el interior, el «conocimiento» se transforma en la forma suprema de la intuición: la «iluminación» (ming).
Cabe señalar que acabamos de ver la misma palabra, ming (iluminación), que hemos encontrado en el Zhuangzi. También resulta significativo el hecho de que, en el texto citado, la «iluminación» esté directamente relacionada con el conocimiento de uno mismo. Se refiere claramente al conocimiento inmediato e intuitivo de la Vía. Se describe como «auto-conocimiento» del hombre porque éste sólo puede captar intuitivamente la Vía a través de la «introspección». [Toshihiko Izutsu – Sufismo e Taoismo]
PÁGINAS:
Citações dos Padres — em nosso site francês
Citações: