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id da página: 108 Vallin (GVEI:468-482) – Os Limites da Experiência da Consciência Negativa: Ontologia Negativa e Satanismo

Vallin GVEI-468-482


VALLIN, Georges. Être et individualité. Paris: Presses Universitaires de France, 1959

Terceira parte — A estrutura temporal do instante negativo (individualidade e nada)


Capítulo III: Os Limites da Experiência da Consciência Negativa: Ontologia Negativa e Satanismo

  • O Desespero e a Experiência do Nada
    • A profundidade da consciência negativa reside nas últimas consequências da revolta antimetafísica. A experiência do Nada é o resultado do desespero, que é a "verdade" da vontade de poder da consciência temporalista.
    • A experiência do nada não é uma constatação passiva, mas tem um aspecto ativo e uma parte de má-fé. Ela é necessariamente relativa, pois uma experiência total do nada pressuporia a consciência da plenitude do Ser, que a consciência temporalista recusa.

  • A) O Satanismo Explícito: Desespero, Orgulho e Ódio
    • O Orgulho como valorização do nada: A consciência negativa não apenas experimenta seu nada, mas o valoriza e o "age" ativamente. Ela se identifica com este nada, esta pura forma vazia do ego, e o hipostasia, fazendo de seu vazio um conteúdo que ela afirma com violência.
    • A Hiena como fuga do vazio: O ódio é uma forma de divertimento que a consciência negativa usa para escapar da contemplação de seu próprio nada. Ela projeta seu vazio sobre as aparências externas, destruindo-as e mutilando-as como um "remédio" contra a plenitude do mundo.
    • A Demiurgia invertida: O satanismo é a afirmação da limitação e do nada como um princípio de totalidade. A consciência negativa, em sua rebelião, se afirma ao se negar, e se preenche paradoxalmente com o vazio. O orgulho e o ódio são as manifestações deste satanismo.

  • B) O Satanismo Implícito: O Retorno às Estruturas Panteísticas
    • A continuidade da revolta: O satanismo explícito é o prolongamento do movimento de revolta das estruturas panteísticas, que por sua vez contêm o satanismo de forma implícita.
    • O desejo como satanismo implícito: O desejo e a vontade de poder das estruturas panteísticas são, em sua essência, orgulho e ódio implícitos. Eles glorificam a individuação e a matéria, rejeitando a Transcendência. O pecado de Adão, por exemplo, é visto como um ato de orgulho.
    • O círculo do desespero: A consciência temporalista vive em um círculo de ambiguidade. Ela rejeita a metafísica e a Essência, o que a leva inevitavelmente ao desespero e à consciência do nada. Para escapar deste desespero, ela se agarra às falsas plunidades das estruturas panteísticas ou ao nada hipostasiado da estrutura negativa, perpetuando o ciclo.