Tende-se a mal interpretar a natureza, e exagerar a importância, do "tempo" e do "espaço".
Não existem tais "coisas" (não existem por direito próprio): vêm à existência aparente, i.e. “funcionam” apenas como um mecanismo através do qual eventos, estendidos espacial e sequencialmente, podem ser reconhecidos. Elas acompanham os eventos e tornam seu desdobramento realizável. Em si mesmas elas não têm qualquer existência. São aparências, e sua existência aparente é deduzida dos eventos que acompanham e tornam perceptíveis. São hipotéticas, como o “éter”, símbolos, como a álgebra, inferências psíquicas para ajudar na cognição do universo que objetivamos, e nem preexistem, nem sobrevivem a parte dos eventos que acompanham, mas são utilizadas em função de cada evento conforme este ocorre.
Onde não há evento não há necessidade de “tempo” ou de “espaço” — e na ausência destes não somos mais prisioneiros — pois não há um alguém para crer que é prisioneiro.
O tempo é apenas uma inferência, elaborada em um esforço de explicar o crescimento, desenvolvimento e mudança, que constitui uma direção “a mais” das três medidas que conhecemos como volume, e de modo ortogonal a estas; e "passado", "presente" são inferências derivadas desta interpretação temporal da dimensão “a mais” na qual a extensão parece ocorrer. Todas as formas de temporalidade, portanto, são conceituais e imaginadas.
Assim profecia ou presciência é percepção desta direção “a mais” de medição, além do tempo, uma quarta ortogonal, de onde — como no caso de cada dimensão superior — as inferiores são percebidas como um todo, de modo que os “efeitos” de “causas” são assim evidentes naquilo que chamamos futuro como são naquilo que chamamos passado.
O evento apenas ocorre na mente daquele que o percebe, singular ou plural conforme o caso, e nenhum evento poderia ser o que quer que seja além de uma memória assim como a conhecemos. Qualquer evento é nada mais que uma experiência psíquica. Eventos, ou memórias de eventos, são objetivações em consciência.