VIDE: retorno; conversão; incriado
Denominada também Kether elyon, a "Coroa suprema" entre todas as "Coroas"divinas, sephiroth, ou "Princípios universais" — é a Toda-Realidade incriada e infinita de Deus. Nada está fora Dele; o nada não existe, pois se existisse, não seria nada, mas realidade de Sua Realidade. (Leo Schaya)
Então, para acrescentar algo ainda mais sutil - a fim de beneficiar as mentes mais sutis - observamos que nas coisas naturais e criadas, encontramos uma distinção entre "ser" e "a coisa que é". Nas realidades incriadas, entretanto, o "ser" e a "coisa que é" coincidem perfeitamente. Como consequência, é evidente que a substância divina nada mais é do que o ser substancial - ou melhor, super-substancial. É substancial porque é uma realidade que subsiste em si mesma; é supra-substancial, porque essa realidade não está subordinada a nada. (Ricardo de S Victor, On the Trinity)
6. Agostinho prova LXXXIII Quaestionum q. 9 que a verdade não é percebida pelos sentidos corporais: só é percebido pelos sentidos aquilo que é mutável, mas a verdade é imutável; portanto não é percebida pelos sentidos. Analogamente se pode argumentar: toda a criatura é mutável, mas a verdade não é mutável; portanto, não é uma criatura, é uma realidade incriada. Portanto há apenas uma verdade. (Santo Tomás de Aquino, VERDADE E CONHECIMENTO)
Quando enuncia que “coisas que nada têm em comum não podem ser conhecidas uma pela outra, ou seja, o conceito de uma não envolve o conceito da outra”, o axioma I, 5 funda a independência ontológica e gnosiológica dos atributos divinos e de seus modos. Em outras palavras, extensão e pensamento não agem um sobre o outro, assim como alma e corpo não atuam um sobre o outro, e o conhecimento não resulta de uma ação da extensão sobre o pensamento, como o movimento não resulta de uma ação do pensamento sobre a extensão: são ações diferentes e simultâneas da mesma potência substancial enquanto potência infinita constituída pelos atributos. Opondo-se a isso, Malebranche julga poder dar conta da eficácia da ideia da extensão inteligível sobre nossa alma na medida em que, sendo uma realidade espiritual, é homogênea ao nosso espírito e sua causalidade respeita o princípio da comensurabilidade causal. A realidade incriada e infinita da ideia da extensão inteligível lhe dá a superioridade de agente sobre a inferioridade do paciente, isto é, a alma finita e criada, que recebe a ação inteligível. Enfim, o Reverendo Padre julga poder dar conta da eficácia dessa ideia mantendo a exterioridade recíproca entre a extensão inteligível e “a minha substância”. (CHAUI, Marilena. A Nervura do Real. Imanência e liberdade em Espinosa. São Paulo : Companhia das Letras, 1999.)