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id da página: 1012 ÍNDIA — AVIDYA — NESCIÊNCIA — IGNORÂNCIA

avidya

ÍNDIA — AVIDYA — AVIDYÂ — NESCIÊNCIA, IGNORÂNCIA



VIDE: AVIJJA; IGNORÂNCIA; HULIN — AVIDYA


Sânscrito subs. fem.


Derivado da raiz verbal VID-, saber (cf. grego «oida». latim «videre». inglês «wit». precedido do prefizo privativo a-.

No budismo antigo pali «avijja»: ignorância da realidade, quer dizer das quatro santas Verdades (arya-satya) búdicas. Ela é geralmente dada como sendo o primeiro elemento da cadeia da Produção condicionada (pratitya-samutpada), aquela que leva a aparição sucessiva de todas as outras, que causa portanto o encadeamento do ser às paixões, à transmigração e à dor.

No budismo mahayana, a "nesciência" é o primeiro dos doze fatores da produção em consecução em ordem descendente; o último em ordem ascendente. Designa a ignorância do ensinamento do Buda e a ignorância da verdadeira natureza das coisas. (Les notions philosophiques, PUF)

PERENIALISTAS
Frithjof Schuon: O ESOTERISMO COMO PRINCÍPIO E COMO VIA
O erro é ignorância; portanto, privação de conhecimento, embora sempre haja no erro um elemento subjacente de conhecimento ou de verdade, sem o que ele não existiria.



Michel Hulin: Ignorância Metafísica

Por «ignorância metafísica» traduzimos — de maneira certamente aproximativa e logo provisória — o termo sânscrito avidya que significa literalmente «não-saber» ou «ausência de saber». Mas de que saber se trata aqui e que sentido, para quem, em quais condições e com quais consequência é reputado ausente? Esboçar uma resposta a estas diferentes questões nos introduzirá no curso de uma problemática comum à quase totalidade das filosofias indianas clássicas, tanto bramânicas quanto budistas.

O qualificativo «metafísica» remete bem aqui, a um primeiro nível de interpretação, a um ignorância portando sobre conteúdos metafísicos: o ser próprio do homem, sua origem, sua relação ao divino, os fins possíveis de sua ação e seu lugar na economia geral do universo. A gente se enganaria muito, no entanto, em aí vendo uma simples ausência de saber em matéria metafísica, algo de neutro e de vazio em si que o «saber» correspondente, aportado do exterior ou engendrado pela maturação interna da curiosidade natural, poderia vir preencher sem encontrar resistência. Desde seus primeiros passos, com efeito, a especulação indiana referenciou esta ignorância e lhe atribuiu um caráter singular: aquele de uma violência feita ao homem por um Poder sem face mas com a cumplicidade e por intermédio mesmo das maneiras de sentir e de pensar que são naturais ao homem e comuns a todos os homens.

Os textos védicos mais antigos (segundo milênio antes de Jesus Cristo) já conhecem a noção de maya ou «poder mágico de ilusão». Detido a princípio pelos demônios, depois conquistado pelos deuses, ele permite a estes de troçar de seus inimigos em se furtando à vontade da vista deles sob mil e uma formas enganosas. Nas filosofias do hinduísmo clássico (os darshana a maya se tornará a «ilusão cósmica», quer dizer o poder do absoluto (do brahman) pelo qual se oculta atrás das aparências do universo sensível e se dispersa falsamente através da multiplicidade indefinida das consciências individuais povoando este universo.

Mas, desde o estágio representado pelos Upanixades védicos (entre 800 e 300 aC), a maya já havia sido compreendida como o poder de ilusão pelo qual os dois mantêm os mortais cativos das ligações do desejo e do temor, de tal sorte que, movidos pela esperança de recompensas no aqui em baixo ou no além e pelo medo de castigos celestes, eles não cessam de trabalhar por conta dos deuses,os «alimentando» constantemente pelos sacrifícios que lhes oferecem. A ignorância metafísica que os deuses suscitam e exploram para seu benefício se encontra assim descrita nos mais antigos Upanixades como uma espécie de desconhecimento de si natural ao homem, em função do qual esquece que sua própria essência interior, ou atman, longe de se reduzir a uma realidade finita e dependente, é identificável, além mesmo dos deuses, ao fundamento último do universo, quer dizer ao brahman.

O fato de referenciar e de denunciar a avidya logo comportará, supondo que seja possível, uma dimensão de transgressão ou de sacrilégio através da qual o homem porá em questão ordem do mundo e recusará o lugar subordinado que, no interior desta ordem, lhe estava desde sempre reservado. É o que explica a Brhadaranyaka Upanixade em uma passagem decisiva: «Em verdade, na origem, só o brahman existia. Logo ele não conhecia senão ele mesmo: «Eu sou brahman», e era o Todo. Depois cada um dos deuses o foi, a medida que se despertaram ao pensamento; assim como os sábios, assim como os homens... Do mesmo modo hoje em dia, aquele que sabe assim: «Eu sou brahman», este aí é o Todo, e os deuses mesmos não impedi-lo, pois ele é seu Si (atman). E aquele que considera: «O deus é um e eu sou um outro», esse não sabe. É para os deuses como um animal. E como muitos animais estão ao serviço do homem, cada homem está à serviço dos deuses... Eis porque lhes desagrada que os homens saibam disso».

Logo a avidya é originalmente concebida como um poder de sono e de cegueira que pesa sobre a condição humana em geral — e não somente sobre certos indivíduos — para mantê-la na servidão. Misteriosamente, a ordem do mundo seria agenciada de maneira a enganar a humanidade, geração após geração, a fazê-la se perder em vias sem saída. Todavia — e eis aí o segundo traço maior da avidya na especulação dos Upanixades — o engodo cósmico exercido sobre o homem (e sobre todo ser finito pensante) não reveste em nada o caráter de uma manipulação exterior. Opera-se com a participação ativa do homem e em se conformando à lógica imanente das estruturas fundamentais de ser-no-mundo. Importa com efeito ver que a avidya nada tem de uma inocente ignorância nem de um erro intelectual puro que uma pedagogia adaptada, ou uma maiêutica, bastaria para corrigir. Ela tem uma dimensão existencial e comporta uma maneira ativa, embora não consciente dela mesma e de suas démarches, de se desviar do real, quer dizer de se fugir ela mesma em se projetando para um exterior fantasmático.


Heinrich Zimmer: FILOSOFIAS DA ÍNDIA
Ahora bien, aunque todas las escuelas de la filosofía india difieren grandemente en su formulación de la esencia de la verdad última o de la realidad básica, afirman con unanimidad que el objeto último del pensamiento y meta. final del conocimiento se halla más allá del alcance de nama-rupa. Tanto el hinduismo vedantino como el budismo mahayana hacen constante hincapié en lo inadecuado del lenguaje y del pensamiento lógico para expresar y comprender sus sistemas. Según la clásica fórmula del Vedanta, el factor fundamental del carácter y de los problemas de nuestra conciencia normal y diurna, la fuerza que construye el ego y lo induce a tomarse a sí mismo y a sus experiencias por la realidad, es la “ignorancia”, “nesciencia” (avidya). No es posible decir que esa ignorancia sea algo “existente” (sat), ni tampoco “inexistente” (a-sat), sino “inefable, inexplicable, indescriptible” (a-nirvacaniya). Porque —dicen— si fuera “irreal e inexistente” carecería de fuerza suficiente para atar la conciencia a las limitaciones del individuo y ocultar de la visión interior del hombre la realización de la inmediata realidad del Yo, que es el único Ser. Pero, por otra parte, si fuera “real”, absolutamente indestructible, no podría ser desvanecida tan fácilmente por el conocimiento (vidya); jamás se habría descubierto que el Yo (atman) es el sustrato último de todos los entes, y no habría Vedanta capaz de guiar el intelecto hacia la iluminación. No se puede decir que la “ignorancia” sea, porque cambia. La transitoriedad es su carácter propio, que el estudioso reconoce en el momento en que trasciende su engañoso hechizo. Su forma es “la forma del devenir” (bhava-rupa): efímero, perecedero, vencible y, sin embargo, esta misma “gnorancia” difiere de los fenómenos transitorios particulares que ella abarca, porque esa “gnorancia” ha existido —aunque siempre cambiante— desde tiempo inmemorial. En realidad, es la raíz, causa y sustancia del tiempo. Y lo paradójico es que aunque no ha tenido comienzo puede tener fin, pues el individuo, encadenado a ella por la perenne rueda de los renacimientos, y sujeto a lo que vulgarmente se llama la ley de la transmigración de la vida monádica o alma, puede darse cuenta de que toda la esfera de la ignorancia es un ente sin realidad última. Y puede hacerlo por un simple acto de percatación íntima (anúbhava), o sea un momento de simple darse cuenta: “yo, (soy) nesciente” (áham ajña).