‘Cada transgressão deve ser considerada como expressando por parte do agente a falta de uma qualidade positiva, como sabedoria, força ou pureza. Agora, se cada qualidade positiva se relaciona com um aspecto divino, a ausência de tal qualidade deve igualmente se relacionar, se não a outro aspecto divino do qual ela procede, embora muito indiretamente, então pelo menos a um centro cósmico de natureza luciferiana ou satânica — um centro que é a fonte direta da qualidade negativa, e que ilusoriamente se opõe ao aspecto divino que ele nega. O vício vive pela comunicação regular e um tanto rítmica com o centro obscuro que determina sua natureza, e que, como um vampiro invisível, atrai, prende e engole o ser em um estado de transgressão e desequilíbrio. Se não fosse assim, uma simples infração permaneceria apenas um caso isolado; mas toda infração é por definição um precedente e estabelece contato com um centro tenebroso — e isso novamente lança luz sobre a necessidade de ritos de purificação, que têm precisamente o efeito de romper tais contatos e de restabelecer a comunicação com o aspecto divino, do qual a transgressão — como seu centro cósmico — tem sido a negação’ (Schuon: L’Oeil du Coeur, pp. 114–115).
Whitall Perry