Aquilo foi algo que aquele campo de forças particular tinha de fazer. Que palhaço eu seria se o elogiasse ou censurasse por isso — como se se tratasse de um ato de livre-arbítrio de uma entidade independente! O Si-mesmo, do qual aquele campo de forças é uma manifestação, é imutável e não “age”. Nem a realidade daquele campo de forças nem a deste estão em questão. Se eu sequer sorrisse diante do incidente, isso indicaria que ainda conservo algum vestígio da noção de que uma entidade individual “fez” algo que me agradou ou aborreceu.
Ovos pochê (todos nós)
Discutir sobre transcender o conceito de Eu, “reduzir” o “poder” do ego, ou qualquer outra formulação semelhante, é apenas evidência de crença contínua na realidade daquilo que, sendo meramente um conceito, é totalmente irreal.
É como um homem dizendo: “Sou perfeitamente são: sei que não sou um ovo pochê; ao contrário, estou ocupado em despochar-me, e em breve nem mesmo precisarei de um pedaço de pão torrado para poder sentar-me.”
Já nos perguntamos por que os Mestres Zen, nas raras ocasiões em que se referem ao conceito de Eu, o fazem apenas de modo indireto, com expressões como “a sujeira no teu rosto”?
Para eles, basta mostrar que os conceitos são inevitavelmente irreais. Qualquer tentativa de “reduzir”, “transcender” ou “disciplinar” o que é apenas um conceito só pode afirmar a aparência ilusória de sua realidade. Quando todos os conceitos são vistos pelo que são — isto é, reconhecidos como tais e nada mais —, o ego encontra-se na cesta de papéis com o restante.
Sob a perspectiva da “Física e Metafísica”, vimos com clareza suficiente que não poderia existir tal coisa como um Eu. A noção é tão absurda quanto atribuir individualidade ao som produzido por juncos agitados pelo vento.