VIDE: EU SOU; SOU; EGO; MIM MESMO; ATMAN; INDIVIDUALIDADE; AHAMKARA; YO EN EL BUDISMO ZEN
I
Aquilo que somos, aquilo que cada ser sensível é, como Este-Aqui-Agora, é o Eu intemporal.
Sendo Isto, sendo Aqui, sendo Agora, sou plenamente presente — na verdade, a própria Presença — apesar de minha total ausência objetiva como “eu”, a qual é minha total presença como toda e qualquer manifestação fenomênica.
Portanto, não estou longe de ser encontrado. De fato, sendo Este-Aqui-Agora, não devo ser buscado de modo algum, pois já estou presente, e quem poderia haver para buscar, e quem poderia haver para ser encontrado?
Nenhum buscador, nenhum buscado, nenhuma busca, nenhum encontro — apenas Eu in statu aeternitatis, onde todo ser sensível aparece.
II
Manifesta-se o Eu pela polaridade dualista, por meio de sujeito e objeto, negativo e positivo, uma cisão de minha Mente em opostos, sem a qual o universo conceitual não poderia manifestar-se.
Assim, manifesto-me como cada objeto, e cada objeto sensorial parece funcionar como um sujeito, mas somente Eu sou a subjetividade, e todo funcionamento é minha objetivação no mundo da aparência, que é a Consciência que Eu sou.
III
Sendo intemporalidade enquanto Eu, manifesto-me como tempo. Sendo Infinito enquanto Eu, manifesto-me como espaço.
Estendidos neles e mensurados a partir do centro ubíquo de minha infinitude intemporal, todos os aspectos fenomênicos daquilo que Eu sou tornam-se sensorialmente perceptíveis.
Assim, toda manifestação, percebida espacial e temporalmente, é o que Eu, Este-Aqui-Agora, sou enquanto infinitude e enquanto eternidade, e Eu sou tudo o que existe.
Quem sou Eu? Foram-me dados muitos nomes, mas o mais antigo é TAO.
François Chenique:
O conhecimento imediato da alma, por ela própria, é a intuição fundamental do "Eu" (Atman) em sua interioridade absoluta. O que se deve eliminar são as "superimposições" (adhyasa) que usurpam a realidade do Eu, graças a uma discriminação (viveka) sem falha. Esse é um movimento que se mostra inteiramente diferente daquele do filósofo que remonta dos efeitos às causas, mesmo à Causa única e primeira, porque, "se eu posso captar um efeito como terminado, sem supor a Causa infinita que dá plena razão da sua produção, não posso captar a irrealidade de uma 'superimposição' qualquer, sem captar, intuitivamente, a surrealidade infinita do EU". Georges Vallin. La Perspective métaphysique. p. 144. A equação básica do Vedanta exprime-se por essa "grande sentença" (mahavakya) da Mandukya Upanixade; ayam atma Brahma, "esse Eu é Brahman" (versículo 2).
Ananda Coomaraswamy: Coomaraswamy Civilização
Aqui a palavra estendido estabelece um significado já implicado na etimologia da cidade, em que kei inclui o sentido de deitar-se estendido ou alongado.3 A raiz contida em estendido e em uttana é a raiz grega teino e a sanscrítica tan com o significado de estender, prolongar (em grego tonos) um fio; daí também se derivam tom e tenuis, em sânscrito tanu ou fino.
Julius Evola: Revolta contra o Mundo Moderno
- A relação fluida entre o Eu e o não-Eu no mundo tradicional e as suas consequências existenciais
- A presença de uma situação existencial particular, onde originariamente as fronteiras entre o Eu e o não-Eu eram fluidas e instáveis, podendo ser parcialmente suprimidas.
- A dupla possibilidade resultante: a irrupção do não-Eu no Eu e a irrupção do Eu no não-Eu.
- A compreensão, através da primeira possibilidade, dos chamados perigos da alma, onde a unidade e a autonomia da pessoa podiam ser ameaçadas por processos de obsessão.
- A existência de ritos e instituições com o objectivo da defesa espiritual do indivíduo ou da colectividade, confirmando a independência e a soberania do Eu e das suas estruturas.
- O pressuposto geral da eficácia de uma classe de procedimentos mágicos na segunda possibilidade, a de uma supressão das fronteiras por meio de irrupções do Eu no não-Eu.
- O desaparecimento de ambas as possibilidades nos últimos tempos, devido ao facto de o Eu se ter tornado mais físico.
- A ilusão do homem moderno de estar ao abrigo dos perigos da alma, que só se revestiram de uma forma diferente, estando ele aberto aos complexos do inconsciente colectivo, a correntes emotivas, a sugestões de massa e a ideologias, com consequências catastróficas.
Michel Henry:
Como o Eu é o Caminho quando este Caminho que conduz à Vida é a vida ela mesma, sua auto-revelação, tal é a questão. Com esta precisão, ou melhor esta lembrança: este Eu-aí que é o Caminho, não é não importa qual eu transcendental, não importa qual dentre nós. Este Eu é aquele do Arque-Filho e é somente ele que é o Caminho. Este Caminho que é o Arque-Filho, qual sua essência, a que conduz? Sua essência, é a Ipseidade transcendental original gerada pela Vida em sua auto-geração. Assim é “o Caminho que conduz a vida a ela mesma”, a contrição do Pai com si como sua contrição com o Filho e como contrição deste Filho com seu Pai. Elucidamos esta relação de interioridade recíproca, mas não é dela que aqui se trata. Manifestamente a palavra que comentamos se dirige aos homens. É a eles que o Cristo diz: “Sou Eu o Caminho” (v. MOSTRE-NOS O PAI). É para eles que é este Caminho, “o Caminho que os conduz à Vida”, e é este que compreendemos. Pois a Vida não vem a eles, não vem neles para fazer deles viventes, senão porquanto ela se fez Ipseidade no Arque-Filho. Não é uma vida selvagem, anônima, inconsciente, vida que precisamente não existe, e não poderia existir sob esta forma, que pode se comunicar a um vivente qualquer. Mas somente esta vida que, de se fazer contrita si mesma em sua Ipseidade original, pode então se dar como uma vida fenomenologicamente efetiva, uma vida portando sua ipseidade a todo vivente, que poderá viver esta vida ipseizada como um eu vivente e desta maneira somente. Assim o Caminho que conduz os viventes à Vida é este caminho tornado vivente em sua Ipseidade original, a Vida do Arque-Filho. É esta vida em sua Ipseidade original que designa a palavra “Eu”.
Agostinho de Hipona: (De Trinitate, XV, 22.)