Em uma tentativa de reduzir a confusão resultante do uso de múltiplos termos com significados diversos por vários autores, proponho, doravante, empregar os seguintes neologismos:
O DIVIDUAL — em lugar de indivíduo, pessoa, personalidade, eu, “eus”. Sabe-se que tal entidade não pode existir como tal, uma vez que o fenômeno deve ser descrito, fisicamente, como um campo de forças flutuante (um fluxo eletrônico em perpétua mutação) ou, metafisicamente, como uma objetivação aparente da consciência, destituída de permanência ou duração, renovada a cada instante e variável. Psicologicamente, esse fenômeno aparece como uma sucessão de “eus”, múltiplos e frequentemente contraditórios, mas isso é apenas um efeito criado pela identificação do conceito de Eu com cada impulso que surge na psique.
O IMPESSOAL — para designar a Testemunha impessoal, ou o eu relativo, que, embora seja a própria Consciência, parece observar tanto o pensamento quanto o suposto pensador dele e, como tal, deve ser indicado, em linguagem dualística, como uma entidade que, ao mesmo tempo, não o é.
O NÃO-EU — para o Si-mesmo, a pura Consciência, a Realidade, o meu Princípio, a Mente Cósmica ou Universal, a Talidade (Suchness), a Quididade, o Absoluto, a Divindade. A escolha desse termo para representar tais designações dificilmente exige explicação.
Isto não agrada a ninguém? Lamento. Usarei ocasionalmente as expressões habituais para não privar ninguém de seu direito à incerteza.