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Wei Wu Wei

A Grande Piedade

O Impessoal testemunha tudo o que “nós” fazemos e tudo o que “nós” pensamos (toda manifestação psíquica e física) — e esse é o grande paradoxo. Pois nós mesmos somos o Impessoal, e o “nós” que age e pensa é apenas uma personalização do único Não-Eu (Realidade) visto como fenômeno — uma noção que, como fenômeno, não possui permanência nem duração, sendo renovada a cada instante.

A dualidade (ignorância) consiste em uma identificação parcial com o “nós” fenomênico, que não tem existência real, devido ao conceito de Eu nele contido; e a não dualidade (sabedoria) é a dissolução dessa identificação parcial, deixando-nos em nossa identificação normal e imutável com o Não-Eu.

O termo “Impessoal” é um termo dualístico como qualquer outro, buscando transmitir a essencial impessoalidade do Não-Eu concebido — como inevitavelmente o concebemos — como uma “pessoa” que, contudo, não o é.


É difícil aproximar-se mais do que isso por meio de palavras, que são essencial e irremediavelmente dualistas; mas os Sábios deixaram claro que o melhor, talvez o único, método de dissolver a falsa identificação é vir a reconhecer e conhecer a nós mesmos como o Impessoal que testemunha — como o qual percebemos tanto “nossas” ações físicas e mentais (que de modo algum são nossas) quanto “nós mesmos” realizando essas ações (que de modo algum realizamos).

Wei Wu Wei Porque Lazaro Riu