A absorção devido à recitação, atividade dos órgãos, meditação, fonemas, concentração em pontos vitais é corretamente chamada de "individual". (I. 170.)
Abhinavagupta explica: individual significa claramente diferenciado. Embora esse caminho consista na certeza intelectual própria do pensamento dualizante, também leva ao indiferenciado.
Essas duas últimas absorções (esta e a anterior) são, portanto, direcionadas para o oceano do indiferenciado, sem o qual não existiriam.
Embora seja verdade que a validade da consciência indiferenciada não depende de forma alguma do pensamento diferenciado, a via individual permite, no entanto, o acesso à via divina indiferenciada; embora comece com o pensamento diferenciado, se eleva por meio de purificações progressivas do pensamento até o indiferenciado (nirvikalpa).
A absorção obtida pela concentração (cintā) em alguma entidade somente por meio do coração, sem qualquer recitação, é energia.
O coração é apresentado aqui sob o aspecto de inteligência, pensamento e sentimento do eu, cujas respectivas operações são certeza, síntese e convicção errônea. Apesar das ilusões que acarreta devido à falha dessas operações, esse caminho conduz ao conhecimento indiferenciado próprio do caminho divino. O vikalpa purificado contém conhecimento e atividade de grande intensidade, mas ainda sujeito a condições limitantes.
Portanto, basta se dedicar ardentemente à dissolução de todos os limites para que a energia se plenifique e produza internamente o que se deseja, ou seja, a identidade com Śiva.
Esse estado de energia é tanto diferenciado quanto indiferenciado: diferenciado porque contém pensamentos distintos, mas indiferenciado porque não requer meios externos, como recitação e práticas similares. (T.A. I. 169.)
(Lilian Silburn. Hermès – Tome I – Les Voies de la Mystique.)