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generosidade



Frithjof Schuon: O ESOTERISMO COMO PRINCÍPIO E COMO VIA

A generosidade: como o homem santificado não seria generoso, uma vez que crê na Misericórdia divina e não o faz cegamente? Pois não basta esperar da Misericórdia as vantagens prometidas; além disso, deve-se, antes de tudo o mais, ser acessível a ela e amá-la por ela mesma. Amar a Misericórdia é compreender sua natureza e sua beleza; é querer unir-se a ela, participando da sua função. Amar é, em certa medida, querer ser o que se ama, ou tornar-se o que se ama; portanto, é imitar o que se ama.

A generosidade é o oposto do egoísmo, da avareza e da mesquinhez; todavia, frisemos que é o mal que se opõe ao bem, e não inversamente. A generosidade é a grandeza de alma que gosta de doar e também de perdoar, porque permite que o homem se coloque espontaneamente no lugar dos outros. E que, em consequência, concede ao adversário as oportunidades que ele pode humanamente merecer, embora sejam mínimas, sem que isso prejudique a justiça ou a boa causa. A nobreza comporta a priori uma atitude benevolente e certa abnegação, sem afetação e sem violação da evidência das coisas. O homem nobre tenta ajudar, vir ao encontro, antes de condenar e de maltratar, sendo implacável e rápido quando a realidade o exige. A bondade por fraqueza ou por fantasia não é uma virtude; a generosidade é bela na medida em que o homem é forte e lúcido. Na alma nobre há sempre um certo instinto de abnegação, pois o próprio Deus é o primeiro a transbordar de caridade e, antes de tudo, de beleza. O homem nobre só é feliz doando-se, e ele se doa primeiramente a Deus, como Deus se doa a ele e deseja doar-se a ele.