Frithjof Schuon: O ESOTERISMO COMO PRINCÍPIO E COMO VIA
A nobreza é constituída de desprendimento e de generosidade. Sem essa nobreza é impossível que os dons da inteligência e os esforços da vontade sejam suficientes para o Caminho, pois o homem não se restringe a essas duas faculdades, possui uma alma capaz de amor e destinada à felicidade. E esta não pode realizar-se — exceto de forma totalmente ilusória — sem a virtude ou a nobreza. Poderíamos dizer, igualmente, que o Caminho é feito de discernimento, de concentração e de bondade: de discernimento para a inteligência, de concentração para a vontade, de bondade para a alma. A bondade essencial da alma é ao mesmo tempo a sua beleza, assim como toda beleza sensível revela uma bondade cósmica subjacente.
O desprendimento implica a objetividade perante si mesmo. A generosidade implica igualmente a capacidade de colocar-se no lugar do outro; portanto, de ser "ela mesma" nos outros. Essas atitudes, a priori intelectuais, passam a constituir a nobreza no plano da alma. A nobreza é um modo de objetividade bem como de transcendência.
Na duração, o desprendimento dá margem à paciência, e a generosidade à fidelidade. A paciência e a fidelidade prolongam e aperfeiçoam de certa forma as virtudes que determinam no tempo, embora possamos dizer que a paciência prova a sinceridade do desapego e que a fidelidade prova a sinceridade da generosidade. Toda qualidade requer perseverança para ser completa.