Frithjof Schuon: O ESOTERISMO COMO PRINCÍPIO E COMO VIA
...o que distingue o homem do animal é a totalidade, e esta implica a transcendência. O homem possui inteligência, vontade e poder de amor; cada uma dessas três dimensões caracteriza-se pela objetividade. O homem é essencialmente capaz, não apenas de um conhecimento e de uma vontade objetivos e transcendentes como também de realizar essas qualidades em sua capacidade de amar. Isso equivale a dizer que é capaz de compaixão para com seus semelhantes, desconhecidos ou inimigos, porque é capaz de amor a Deus. São realmente a compaixão e o amor a Deus, qualquer que seja o seu grau, que caracterizam o homem digno desse nome ou o homem simplesmente, se deixarmos de lado as degenerações e as perversões. Não há povo que não pratique certa caridade e que não possua uma espécie de religião. Essa constatação não pode ser invalidada pelo fenômeno bem recente da desumanização filosófica e artificial do homem, que prova não que o homem seja outra coisa a não ser o que é, mas simplesmente que é capaz — precisamente por ser homem — de renegar o humano, aliás sem poder realmente chegar a esse ponto. Ele pode se renegar porque é homem e, afinal de contas, é pela mesma razão que ele não chega a esse ponto.