VIDE: TUDO-TODO; ABSOLUTO; INFINITO; POSSIBILIDADE; UNIDADE; VERDADE
Segundo o estudo de Vicenza, do pensamento de René Guénon, «Dictionnaire de René Guénon», o Todo universal é sem partes, ele é não limitado, nada nele é exterior, ele engloba o conjunto mais amplo que possa existir, na falta do que a princípio não seria o Todo. O Todo, equivalente ao Infinito, não é redutível ou assimilável a um objeto particular e determinado; posto que contém a totalidade a mais ampla, e não deixa nada subsistir fora dle. Não conceitualizável, nem também objeto para o espírito enquanto pensamento específico, pois nenhuma concepção não está na medida de poder cernir verdadeiramente a imensidade e a natureza, o Todo escapa estritamente e rigorosamente a toda tentativa de definição positiva.
O Todo supera de maneira radical as formas relativas que são apreendidas do ponto de vista existencial, e é sobretudo superior à soma de suas partes; René Guénon insiste particularmente sobre este ponto pois uma soma aritmética é incapaz de render verdadeiramente o que é a a totalidade enquanto tal. O Todo com efeito não pode ser abordado, para tentar mal ou bem se fazer uma representação qualquer, a uma simples acumulação o conjunto, a quantidade enquanto instrumento de medida sendo absolutamente inapta a transmitir a uma justa dimensão do Todo. Assim se dá também da mesma e idêntica maneira para o raciocínio, que desejasse ensaiar uma redução "mental", ou conceptualização globalizante, fazendo atuar as ferramentas e os mecanismos intelectuais clássicos, e que recusasse deixar o lugar neste domínio à pura "intuição intelectual", falta do que infelizmente não se alcançaria senão à criação "imaginária" de um ens rationis, um ser de razão, que não possuiria nenhuma realidade tangível e concreta fora daquela que lhe daria o pensamento. O Todo deve portanto ser visto em sua pura transcendência e profunda imanência, exercendo sobre nós mesmos um efetivo distanciamento dos modos humanos de avaliação, única maneira de deixar o mais livre possível, vago e disponível, o espaço interior necessário, a fim de que se manifeste em sua sutil "presença" a totalidade autêntica.
- ESTADOS MÚLTIPLOS DO SER
- Capítulo I, "O INFINITO E A POSSIBILIDADE"
- Capítulo III, "O SER E O NÃO-SER"
- Capítulo V, "RELAÇÕES DA UNIDADE E DA MULTIPLICIDADE"
- Capítulo VIII, "A MENTE, ELEMENTO CARACTERÍSTICO DA INDIVIDUALIDADE HUMANA"
- Capítulo XVI, "CONHECIMENTO E CONSCIÊNCIA"
Frithjof Schuon:
Quem diz objetividade diz totalidade, e isso em todos os planos: as doutrinas esotéricas chegam à totalidade na medida em que atingem a objetividade; é precisamente a totalidade que diferencia a doutrina de um Shankara da de um Ramanuja. Por um lado, a verdade parcial ou indireta pode salvar e, sob esse aspecto, pode bastar-nos; por outro lado, se Deus julgou conveniente conceder-nos uma compreensão que ultrapassa o mínimo necessário, nada podemos fazer e não ficaria bem nos queixarmos. Certamente, o homem tem liberdade para não admitir tais evidências — e lhe acontece de assim proceder por ignorância ou comodidade —, mas o mínimo que se pode dizer é que nada o obriga a isso.
Além disso, a diferença entre as duas perspectivas a que nos referimos não está apenas na maneira de considerar um determinado objeto, mas encontra-se também nos objetos considerados; isto é, não falando apenas de modo diferente de uma mesma coisa, fala-se também de coisas diferentes, o que constitui a própria evidência.
Entretanto, se, por um lado, o mundo da gnose e o da crença são distintos, por outro, e de um ponto de vista diferente, encontram-se e até se interpenetram. Talvez nos digam que determinada opinião nossa não tem nada de especificamente esotérico ou gnóstico; concordamos plenamente e somos os primeiros a reconhecê-lo. É evidente que essas duas perspectivas podem ou devem coincidir em muitos pontos, em diferentes níveis, visto a verdade subjacente ser una e também o homem ser uno.
FILOSOFIA: DOUTRINA DA TOTALIDADE NO TOMISMO
O TODO POR TODA PARTE