VIDE: BEM; KAKON; KAKIA; TRADIÇÃO FILOSÓFICA GREGA
O ser e o bem estão estreitamente ligados como a coisa ao seu sentido, à sua razão. Na natureza de cada ser, segundo a Filosofia, está implícita a necessidade de realização do seu próprio bem. E, na verdade, para ser alcançado, o fim requer uma ação coerente que una o sujeito ao seu objeto. Trata-se, como vemos, de uma questão de atividade. — Pode a ação humana servir à natureza de um cavalo? Não, evidentemente. Nem a ação de um lobo carniceiro pode servir à nossa natureza. Dizia Heráclito de Éfeso, em seu fragmento número 9: "Os asnos prefeririam a palha ao ouro," e, no fragmento número 13: "Os porcos alegram-se na lama." 1 E o Mestre supremo: "Não deis aos cães o que é santo, nem atireis as vossas pérolas aos porcos" (Mt 7,6).
Pode considerar-se feliz aquele que age em harmonia com e no sentido do seu fim. A extremada penitência dos antigos ascetas pode causar estranheza ao homem moderno, como também o formidável ato de heroicidade exemplificado pelo martírio. Diz Santo Inácio de Antioquia: "Sou trigo de Deus, serei triturado pelos dentes das feras para tornar-me o puro pão de Cristo." Mas a verdade é que, em tais ações, a santidade proclamava a vitória do Cristo, achando-se a própria vida na sua perda: "Quem perde a sua vida por causa de mim, vai achá-la" (Mt 10,39).
Frithjof Schuon: PÉROLAS DO PEREGRINO
Ananda Coomaraswamy: METAFÍSICA
NOTAS: