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id da página: 2753 Matgioi A Via Metafísica Matgioi

Matgioi I Ching

Resumo do capítulo "I Ching — Primeiro Monumento do Conhecimento"

  1. Raça amarela é essencialmente tradicional, a essência de sua filosofia reside nos livros mais antigos, escritos em uma época onde as necessidades do homem eram menores, onde o ardor de seus desejos não o levavam a obscurecer, ciente ou inconscientemente, a verdade.
    • A piedade filial dos chineses considerava que o que podia interessar ao homem estava contido virtualmente nos primeiros livros, e que todas as respostas a todos os problemas aí estavam potencialmente inclusas. Este postura de veneração ao Ancião donde veio sua raça, se reflete no reconhecimento das instituições e doutrinas do passado, como diretoras dos atos do presente e das especulações do futuro. Isto fez conservar os livros da mais alta antiguidade, em sua integridade e fidelidade perfeita, impedindo as divisões de mentalidades, os antagonismos de sistemas.
  2. Primeiro livro da China e primeiro livro do mundo, remonta ao imperador Fohi, primeiro soberano do ciclo histórico dos chineses.
    • Reinou a partir do ano 3468 AC, segundo cronologia baseada na posição das estrelas e planetas do céu.
    • Seus amigos, discípulos e ministros que fizeram de seus ensinamentos, glosas, interpretações, e esta bagagem reunida se tornou a chamada doutrina de Fohi; sendo Fohi provavelmente uma escola metafísica, durante alguns séculos do pensamento humano.
  3. A Doutrina de Fohi está reunida em três tratados, dos quais dois se perderam: Leinshan (cadeias de montanhas), ou seja, Livro dos Princípios Inalteráveis, contra os quais nada pode prevalecer; o Koueïtsang (retorno), Livro onde todas as questões devem ser reconduzidas para encontrar sua solução.
    • O terceiro, que sobreviveu, é "o primeiro monumento do conhecimento humano" e leva o título de Yiking (I Ching — Mudanças na revolução circular). Título que faz lembrar que todas as modalidade aparentes do criador na criação são estudadas em sessenta e quatro símbolos (hexagramas) formando círculo, onde o último está religado ao primeiro.
  4. É possível reconhecer um berço comum das civilizações, onde uma mesma linguagem e grafia, ambas perdidas, reinavam. Desta escritura única decorrem os hierogramas chineses e os hieroglifos caldaicos. Deste berço, deixando a montanha ancestral, migraram para o Sul os futuros Vermelhos, pelo Dzangbo e o Sindh; para o Oeste, os futuros Brancos, pelo Syr e o Amou; para o Leste, os futuros Amarelos, pelo Hoangho e o Yangtze.
  5. Os povos do Leste fabricaram um fino papel e pincéis que nas mão de escribas artesãos registraram a sua Tradição. Fohi sabia que os hierogramas do 3500 antes de Cristo eram deformações da escritura primitiva, portanto representações insuficientes para os pensamentos abstratos e gerais, por esta razão empregou, para fixar a Tradição da única maneira conveniente, quer dizer, sintética e universal, os símbolos lineares dos Trigramas. A escritura do I Ching é de dois tipos: o trigrama para o texto mesmo de Fohi e o hierograma (caractere primitivo do Koteou) para as glosas e paráfrases da Escola de Fohi.
  6. A trama do I Ching consiste de sessenta e quatro hexagramas, ou trigramas duplos; estes sessenta e quatro tipos provem, por uma revolução em sentido inverso de dois círculos concêntricos dos oito trigramas; estes trigramas provem dos quatro diagramas; e estes diagramas, das posições diversas do traçado pleno e do traçado partido.
  7. Estes dois traços são as figuras representativas as mais simples que jamais existiram. De onde Fohi tomou estes ingênuos símbolos? Conta os "Ritos de Tsheou": "Antes de traçar os trigramas, Fohi olhou o céu, depois abaixou os olhos para a terra, e observou as particularidades, considerou as características do corpo humano e de todas as coisas exteriores". Os dois traços indicam um estado duplo, ou melhor, a igualdade de dois estados, comuns a toda a criação. Este símbolo em traço pleno pode ser aproximado ao símbolo circular do Yin-Yang, representação do princípio duplo: ativo-passivo, masculino-feminino, luminoso-obscuro, positivo-negativo, etc, que quando dividido nestas duas partes pelos observadores analíticos, produz o erro fatal de associação com o Bem e o Mal; embora uno em essência, este símbolo se constitui no Taiji ou Grande-Extremo, símbolo enérgico e absoluto, gravado no portal de todos os Templos e com o qual Laotseu encabeçou as doutrinas asiáticas.
  8. O traço sem solução de continuidade representa o ativo; o traço descontínuo representa o passivo; e aos traços como ao princípios Fohi reconhece a essência e a unidade da perfeição, dos quais são apenas aspectos.
  9. Os hierogramas que constituem as glosas e paráfrases da Escola de Fohi (dentre os quais se destacam as "fórmulas" de Wenwang) estão escritos em caracteres primitivos, chamados Koteou; estes caracteres são a origem das "chaves"que ainda existem, na escritura ideográfica amarela. Estes hierogramas encontram-se talhados na célebre inscrição de Yu, sobre a montanha Heng-Chan, e conservada em Singan-fou, primeira capital da China histórica, onde ainda no século XX viviam os soberanos da China moderna.
  10. As glosas que acompanha, os hexagramas de Fohi, atualmente na escritura ideográfica, compreendem: as fórmulas do príncipe Wenwang, fundador da dinastia Tsheou (1154 AC); as fórmulas de Tsheoukong (1122 AC); os "Dez Golpes de Asa" de Kongtzeu (Confúcio; 500 AC); o "comentário tradicional" de Tchengtze (1150 DC); e o "sentido primitivo" do célebre Tsouhi (1182 DC). Nestes comentários apresentam-se os diferentes sentidos (metafísico, político, mágico, moral, social ou divinatório) a considerar para cada hexagrama, seus trigramas e linhas componentes.
  11. O I Ching começa pelo estudo "tangível" da Unidade e da Perfeição, ou seja pelo estudo humano do céu, representado pelo hexagrama Thien ou Chien. Assim começa a apresentação dos hexagramas, os "Gráficos de Deus". O mistério que cerca o estudo dos hexagramas se deve ao hábito sintético do raciocínio chinês, e ao caráter ideogramático de seus gráficos. Citanto Paul-Louis-Félix PHILASTRE (1837-1902), tradutor do I Ching: "O caráter chinês não tem jamais sentido absolutamente definido e limitado; o sentido resulta de sua posição na frase, e também de seu emprego em tal ou tal outro livro, e da interpretação admitida neste caso. A palavra só tem valor por suas acepções tradicionais".
  12. Referências à respeitada tradução francesa de M. Philastre: YI KING