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id da página: 8152 Prece Oral

Prece Oral

Arte da Prece — O que é Oração?

Considerações de Teofano o Recluso

A Prova de Todas as Coisas

"Em salmos e hinos e cantos espirituais, cantando com a graça em seus corações ao Senhor..." (Col III, 16). As palavras "em salmos e hinos e cantos espirituais" descrevem a oração oral, oração com palavras; mas as palavras "cantando com a graça (kharis) em seus corações ao Senhor" descrevem a oração interior, da mente no coração.

Salmos, cânticos, hinos, odes e assim por diante, são nomes diferentes para cantos religiosos. É difícil indicar a diferença entre eles, porque seus conteúdos e forma são muito similares. Todos são expressões do espírito da oração. Quando movido para oração, o espírito glorifica Deus, Lhe dá graças e eleva suas petições a Ele. Todas estas manifestações do espírito de oração são essencialmente indivisíveis, não tendo existência em separado. Quando a oração começa a operar (dynamis), passa de uma destas manifestações a outra, frequentemente mais de uma vez. Expressa em palavras, é a oração oral, seja chamada um salmo, um hino, ou uma ode. Portanto não faremos nenhuma tentativa de definir a diferença entre seus nomes. O Apóstolo tencionava, por esta frase, abarcar todas as espécies de oração expressas em palavras. Todas as orações que agora estão em uso vêm sob este título. Além do Saltério, usamos cânticos de Igreja, stichera, troparia, cânones, akathists.1 Não estaremos errados se, ao lermos as palavras do Apóstolo sobre a oração oral, compreendermos isto como a oração oral que usamos hoje em dia. O poder da oração está não nesta ou naquela oração oral, mas na maneira na qual oramos.

No seu uso da palavra "espiritual" o Apóstolo nos demonstra como deveríamos orar oralmente. As orações são espirituais porque são originalmente nascidas no espírito (pneuma) e amadurecidas lá, e são emergidas do espírito. A natureza espiritual é intensificada porque elas nascem e amadurecem pela graça (kharis) do Espírito Santo. Salmos e todas as outras orações orais não eram orais no princípio. Em sua origem eram puramente espiritual, e somente mais tarde vieram a serem vestidas de palavras e assim assumiram a forma oral. Mas tornando-se oral não as privou de sua espiritualidade: mesmo agora, elas são orais somente em sua semelhança exterior, mas em seu poder são espiritual.

Segue-se disto que se se quer aprender das palavras do Apóstolo sobre a oração oral, deve-se agir assim: entrar no espírito das orações que se ouvem e leem, reproduzindo-as em seu coração (kardia); e desta maneira oferecê-las de seu coração para Deus, como se tivessem nascido em seu próprio coração sob a ação da graça do Espírito Santo. Então, e somente então, é a oração satisfatória a Deus. Como alcançarmos tal oração? Pondera cuidadosamente sobre as orações que tiveres que ler em seu missal; sinta-as profundamente, até mesmo aprenda-as de cor. E assim quando orares expressará aquilo que já está profundamente sentido em teu coração.


NOTAS

1 Um sticheion é uma estança de poesia religiosa, similar ao tropário. Um akathist é uma composição em 24 estanças, endereçada ao Salvador, à Mãe de Deus ou ao Anjo da Guarda, ou a um dos Santos. O título significa "não sentado": um akathist deve sempre ser recitado de pé; e estas várias orações estão contidas em nossos missais.