Carregando...
 
Skip to main content

Cor

TRADIÇÃO — COR


VIDE: cores simbólicas; branco; branco sagrado; amarelo; amarelo sagrado; vermelho; púrpura

Parece ser que Najmoddîn Kobrâ fue el primer maestro sufí que se fijó en el fenómeno de los colores, los fotismos coloreados, que el místico puede percibir en el curso de sus estados espirituales. Estas luces coloreadas deben ser descritas e interpretadas como indicios reveladores del estado del místico y de su grado de progreso espiritual. Algunos de los grandes maestros del sufismo iranio surgido de esta escuela de Asia central, especialmente Najm Dâyeh Râzî, su discípulo directo, y ‘Alâoddawleh Semnani, que sigue su tarîqa, han ilustrado también este método experimental de control espiritual que implica una valoración del simbolismo tanto de los colores como de sus mutaciones.

Esto no es decir, ciertamente, que sus predecesores fuesen ajenos a las experiencias visionarias. Lejos de ello, pero el opúsculo de un shaykh anónimo, posterior a Semnani puesto que se refiere específicamente a él, nos muestra la alarma de un «ortodoxo» ante lo que le parece una innovación. Por su parte, el propio Sohravardi, al final del libro capital en que reestablece la «teosofía oriental», da una descripción detallada de las experiencias de las luces, los fotismos, que puede conocer el místico; sin embargo todavía no aparecen en él los colores ni su simbolismo.

No se trata de percepciones físicas; en varias ocasiones, Najm Kobrâ hace alusión a estas luces coloreadas como algo que se ve «al cerrar los ojos». Se trata de algo que corresponde a la percepción de un aura. Hay, ciertamente, afinidad y correspondencia entre colores físicos y colores áuricos (o aurales, «aurorales»), en el sentido de que los colores físicos poseen una cualidad moral y espiritual a la que corresponde, «con la que lo que expresa el aura». Es precisamente esta correspondencia, este simbolismo, el que permite a un maestro espiritual disponer de criterio para diferenciar esas percepciones suprasensibles de lo que hoy llamaríamos «alucinaciones». Técnicamente, conviene hablar de una apercepción visionaria. El fenómeno que le corresponde es un fenómeno primero y primario, irreductible a cualquier otra cosa, tan irreductible como pueda serlo la percepción de un sonido o de un color físico. En cuanto al órgano de esta apercepción visionaria y al modo de ser que la hace posible, estos temas corresponden precisamente a la «fisiología del hombre de luz», cuyo crecimiento estará marcado por la aparición de lo que Najm Kobrâ designa como los «sentidos de lo suprasensible». En la medida en que estos últimos son la actividad del sujeto mismo, del alma, esbozaremos, para terminar, una comparación con la teoría de los «colores fisiológicos» de Goethe. (Corbin Homem Luz)


O primeiro caráter do simbolismo das cores é a sua universalidade, não só geográfica mas também em todos os níveis do ser e do conhecimento, cosmológico, psicológico, místico etc. As interpretações podem variar. O vermelho, por exemplo, recebe diversas significações conforme as culturas. As cores permanecem, no entanto, sempre e sobretudo como fundamentos do pensamento simbólico.

As sete cores do arco-íris (nas quais o olho pode distinguir mais de 700 matizes) foram postas em correspondência com as sete notas musicais, os sete céus, os sete planetas, os sete dias da semana etc. Determinadas cores simbolizam os elementos: o vermelho e o laranja, o fogo; o amarelo ou o branco, o ar; o verde, a água; o preto ou o castanho, a terra. Elas simbolizam também o espaço: o azul, a dimensão vertical: azul-claro no alto (o céu), azul-escuro na base; o vermelho, a dimensão horizontal, mais clara a oriente, mais escura a ocidente. Elas simbolizam ainda: o preto, o tempo; o branco, o intemporal; e tudo o que acompanha o tempo, a alternância da escuridão e da luz, da fraqueza e da força, do sono e da vigília. Enfim, as cores opostas, como branco e preto, simbolizam o dualismo intrínseco do ser. Uma veste em duas cores; dois animais confrontados ou apoiados um ao outro, um branco, outro preto; dois dançarinos, um branco, outro preto etc. Todas essas imagens coloridas traduzem conflitos de forças que se manifestam em todos os níveis da existência, do mundo cósmico ao mundo o mais íntimo, com o preto representando as forças noturnas, negativas e involutivas, e o branco, as forças diurnas, positivas e evolutivas.

O simbolismo da cor pode assumir também valor eminentemente religioso. Na tradição cristã, a cor é uma participação da luz criada e incriada. As Escrituras e os Padres da Igreja não fazem outra coisa senão exaltar a grandeza e a beleza da luz. O Verbo de Deus é chamado luz que procede da luz. Os artistas cristãos, em consequência, são os mais sensíveis a esse reflexo da divindade que é a estrutura luminosa do universo. A beleza das cores é extraordinária nas miniaturas e nos vitrais... A interpretação das cores está ligada às normas da Antiguidade, evoca as pinturas egípcias arcaicas. A cor simboliza uma força ascensional no jogo de sombra e de luz, tão impressionante nas igrejas romanas, onde a sombra não é o inverso da luz, mas acompanha a luz, para melhor valorizá-la e colaborar na sua plena manifestação... Há uma presença solar magnificada, não só no templo, mas na liturgia, que celebra o encantamento do dia.

Todavia, para lutar contra a sedução mais sensível da natureza para aqueles que não atribuem diretamente a Deus a sua beleza, São Bernardo recomenda a grisalha na arquitetura cisterciense. Um capítulo da sua Regra exige que as maiúsculas ornadas dos missais tenham apenas uma cor e prescindam de floreios. Apesar disso, Suger tritura safiras para obter o azul dos seus vidros. Não basta, porém, admirar a beleza das cores. Há que apreender o seu significado e elevar-se, por elas, até a luz do Criador (ibid., 174, 211). A arte cristã acabou por atribuir, num processo paulatino e sem fazer disso regra absoluta, o branco ao Pai, o azul ao Filho, o vermelho ao Espírito Santo; o verde à esperança, o branco à fé, o vermelho ao amor e à caridade, o preto à penitência, o branco à castidade.

Para Fílon de Alexandria, quatro cores recapitulam o universo, simbolizando seus quatro elementos constitutivos: o branco, a terra; o verde, a água; o violeta, o ar; o vermelho, o fogo. Os paramentos litúrgicos e as vestes de cerimônia que comportam essas quatro cores simbolizam o conjunto dos elementos componentes do mundo e associam, desse modo, a totalidade do universo aos atos rituais. [Dictionnaire des symboles : Mythes, rêves, coutumes, gestes, formes, figures, couleurs, nombres» de Jean Chevalier e Alain Gheerbrant]



René Guénon: Os sete raios e o arco-íris

Goethe: Doutrina das Cores


CITAÇÕES: