VIDE: Geometria
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Raymond Christinger
Outro modo de figurar a cruz nos primeiros tempos do Cristianismo consiste em representar a letra maiúscula grega Rô, análoga ao nosso P maiúsculo, cortado, todavia, por um traço horizontal, abaixo do anel. O desenho resultante lembra a cruz ansada egípcia.
De fato, este signo não passa de uma variante do crisma constantiniano. Este, pelo que se sabe, é apenas um monograma do Cristo feito com as duas primeiras letras de seu nome grego, a saber: o Ki, que se assemelha a nosso X maiúsculo, e o Rô, já mencionado.
A análise das duas formas de crisma é das mais interessantes, do ponto de vista do simbolismo da cruz que aí se esconde. A cruz simples, como já vimos, simboliza o movimento de extensão através do espaço e, ao mesmo tempo, o retorno à unidade do ponto central. No caso do crisma entrelaçando o X e o P, a cruz aparece em todas as suas dimensões cósmicas, porquanto abrange as seis direções principais dos quatro pontos cardeais, simbolizados pelo X, e os dois pontos do eixo vertical, pelo P.
René Guénon: OS SÍMBOLOS DA ANALOGIA
En el simbolismo cristiano, esa figura es lo que se llama el crisma simple; se la considera entonces como formada por la unión de las letras I y X (iota y khi), es decir, las iniciales griegas de las palabras Iêsous Khristós, y es éste un sentido que parece haber recibido desde los primeros tiempos del cristianismo; pero va de suyo que ese símbolo, en sí mismo, es muy anterior y, en realidad, uno de los que se encuentran difundidos en todas partes y en todas las épocas. El crisma constantiniano, formado por la unión de las letras griegas X y P, las dos primeras de la palabra Khristós, aparece a primera vista como inmediatamente derivado del crisma simple, cuya disposición fundamental conserva exactamente y del cual no se distingue sino por el agregado, en la parte superior del diámetro vertical, de un ojal destinado a transformar el I en P. Este ojal, que tiene, naturalmente, forma más o menos completamente circular, puede considerarse, en esa posición, como correspondiente a la figuración del disco solar que aparece en la sumidad del eje vertical o del "Árbol del Mundo", y esta observación reviste particular importancia en conexión con lo que hemos de decir luego con motivo del simbolismo del árbol 1 .
Isso não é tudo. Há ainda outra coisa, não menos importante, embora o sr. Deonna tenha-se recusado a admitir: no artigo ao qual nos referimos mais acima, após ter assinalado que se quis "derivar essa marca do monograma constantiniano, já livremente interpretado e desfigurado nos documentos merovíngios e carolíngios".2 diz ele que "essa hipótese parece totalmente arbitrária" e que "não se impõe por qualquer analogia". Estamos muito longe de partilhar dessa opinião; é aliás curioso constatar que, dentre os exemplos reproduzidos pelo próprio sr. Deonna, existem dois que figuram o crisma completo, e nos quais o P está pura e simplesmente substituído pelo "quatro de cifra". Isso, por si só, não deveria ser suficiente para torná-lo mais prudente? É necessário também observar que se encontram indiferentemente duas orientações opostas do "quatro de cifra".3 Quando está voltado para a direita, ao invés de para a esquerda como é a posição normal do algarismo 4, ele apresenta uma semelhança particularmente palpável com o P.
Já explicamos4 como se distingue o crisma simples do crisma dito "constantiniano": o primeiro é composto de seis raios opostos dois a dois a partir de um centro, ou seja, de três diâmetros, um dos quais vertical e os outros dois oblíquos, e que, enquanto "Crisma", é tido como formado pela união de duas letras gregas, I e X; o segundo, também considerado como a reunião de duas letras, X e P, deriva-se imediatamente do anterior pelo acréscimo, na parte superior do diâmetro vertical, de uma alça destinada a transformar o I em P, mas que tem ainda outras significações e se apresenta além disso sob muitas formas diversas,5 o que torna ainda menos surpreendente sua substituição pelo "quatro de cifra", que afinal é só uma variante a mais.6 Tudo isso, aliás, fica esclarecido desde que se observe que a linha vertical, tanto no crisma quanto no "quatro de cifra", é na realidade uma figura do "Eixo do Mundo"; em sua extremidade superior, a alça do P é, da mesma maneira que o olho da agulha, um símbolo da "porta estreita". E, no que diz respeito ao "quatro de cifra", basta lembrar sua relação com a cruz e o caráter de igual modo "axial" desta última, e considerar, por outro lado, que a junção da linha oblíqua que completa a figura, unindo as extremidades do topo e de um dos braços da cruz, fechando assim um dos ângulos, combina engenhosamente a significação quaternária com o simbolismo da "porta estreita", inexistente no caso do crisma. E devemos reconhecer que existe nisso algo perfeitamente apropriado para uma marca do grau de mestre.
NOTAS: