Central ao prólogo do Evangelho de João está o conceito de "Logos", mal traduzido desde o original grego por "Verbum" e em seguida por "Palavra". Em grego antigo, Logos tem muitos significados, mas nenhum deles é "Palavra", que é baseado na tradução em latim, em que Logos se tornou Verbum, até chegar finalmente à "Palavra".
Devido a riqueza de sentido na palavra grega antiga Logos seria mais prudente não traduzi-la, assim como se evita a tradução da palavra "Tao", mas o mais importante segundo E.R. Goodenough seria banir a tradução por Palavra, no máximo aceitando-se a versão "Verbum" da Vulgata.
Entre os muitos sentidos, Logos designa o poder da "razão", o padrão ou ordem das coisas, o princípio de relacionamento, e a articulação organizada de algo. Em geral poderíamos elencar os seguintes sentidos:
- Ordem ou padrão (vide Dharma)
- Razão ou proporção
- "Oratio", discurso, articulação ou relato, até mesmo um "sermão"
- Razão, tanto no sentido de racionalidade como no de articulação da causa de algo
- Princípio ou causa (logoi = "princípios", "ratios", "razões")
- Um princípio de mediação e harmonia entre extremos
Guardando o mesmo sentido que as palavras latinas "ratio" e "oratio", Logos tem como em "ratio" o sentido de princípio da Razão em seus muitos significados, assim como a razão em um sentido matemático, como em uma proporção geométrica. Enquanto "Oratio", discurso, articulação, Logos se apresenta como o estabelecimento de um "ratio", uma razão ou natureza das coisas. Logos é assim enquanto um princípio, a ordem natural das coisas, o princípio da razão, relação e harmonia, que existe tanto dentro da tecedura natural do universo como dentro da mente humana. É a faculdade pela qual tudo se relaciona com tudo, e cada coisa com cada coisa, através da Analogia, ou poder da "intuição proporcional". Finalmente no pensamento místico e cosmológico grego, incluindo do cristianismo primitivo, a ideia de "Logos" em um sentido cósmico abarcava "todos" estes significados e referia-se à Ordem subjacente do Universo, o padrão no qual a criação se baseia. Para apreciar devidamente o Prólogo do Evangelho de João, todos estes sentidos devem ser lembrados.