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Razão

CONHECIMENTO — RAZÃO


VIDE: conhecimento, mente, alma mental, dianoia, noûs, noesis, logistikon, logikos


Abd ar-Razzaq al-Qashani precisa que a razão, que é ela mesma engendrada pela polaridade do ativo e do passivo, da Ordem divina (al-amr) e da Natureza (at-tabiah), não pode ultrapassar essa polaridade e a compreender "do alto". (Titus Burckhardt, SP I)


René Guénon: LIMITES DA MENTE

Mientras el conocimiento sólo es por la mente, no es más que un simple conocimiento «por reflejo», como el de las sombras que ven los prisioneros de la caverna simbólica de Platón, y por consiguiente un conocimiento indirecto y completamente exterior; pasar de la sombra a la realidad, aprehendida directamente en sí misma, es pasar propiamente del «exterior» al «interior», y también, desde el punto de vista donde nos colocamos más particularmente aquí, de la iniciación virtual a la iniciación efectiva. Este paso implica la renuncia a la mente, es decir, a toda facultad discursiva que en adelante ha devenido impotente, puesto que no podría rebasar los límites que le impone su naturaleza misma1 ; únicamente la intuición intelectual está más allá de esos límites, porque no pertenece al orden de las facultades individuales. Empleando aquí el simbolismo tradicional fundado sobre las correspondencias orgánicas, se puede decir que el centro de la consciencia debe ser transferido entonces del «cerebro» al «corazón»2 ; para esta transferencia, toda «especulación» y toda dialéctica, evidentemente, ya no podrían ser de ninguna utilidad; y es a partir de ahí únicamente cuando es posible hablar verdaderamente de iniciación efectiva. Así pues, el punto donde comienza ésta está mucho más allá del punto donde acaba todo lo que puede haber de relativamente válido en una «especulación», cualquiera que sea; entre el uno y el otro, hay un verdadero abismo, que, como acabamos de decirlo, únicamente permite pasar la renuncia a la mente. Aquel que se aferra al razonamiento y no se libra de él en el momento requerido, permanece prisionero de la forma, que es la limitación por la que se define el estado individual; así pues, no rebasará nunca ésta, y no irá nunca más allá del «exterior», es decir, que permanecerá ligado al ciclo indefinido de la manifestación. El paso del «exterior» al «interior», es también el paso de la multiplicidad a la unidad, de la circunferencia al centro, al punto único desde donde le es posible al ser humano, restaurado en las prerrogativas del «estado primordial», elevarse a los estados superiores3 y, por la realización total de su verdadera esencia, ser al fin efectiva y actualmente lo que es potencialmente por toda eternidad. Aquel que se conoce a sí mismo en la «verdad» de la «Esencia» eterna e infinita4 , ese conoce y posee todas las cosas en sí mismo y por sí mismo, ya que ha llegado al estado incondicionado que no deja fuera de sí ninguna posibilidad, y este estado, en relación al cual todos los demás, por elevados que sean, no son realmente todavía más que etapas preliminares sin ninguna medida común con él5 , este estado que es la meta última de toda iniciación, es propiamente lo que se debe entender por la «Identidad Suprema».

Jean Borella: Excertos de «La Charité profanée» (trad. Antonio Carneiro)

Entretanto o conhecimento mental não faz senão receber e elaborar « impressões ». Ele as organiza entre elas as religando segundo relações determinadas que se impõem ao mental com regras6 . O conjunto dessas regras constitui a arquitetura própria do mental : é a razão. Razão significa primitivamente, com efeito, relação. Notemos que mesmo nesta atividade, o mental permanece, senão passivo, pelo menos submisso. Com efeito, e aí está um ponto muito importante, a estrutura racional do mental apareceu, no próprio mental, como uma presença « estrangeira » onde o mental não saberia dar conta. Se, voltado em direção a seu objeto — este objeto foi nossa alma — o mental reflete o mundo exterior ou interior que se lhe impõem, quando se volta em direção a sua própria estrutura interna, descobre (e experimenta) uma outra exigência que se impõe à ele com uma igual autoridade : a razão, isto é o conjunto coerente dos princípios lógicos que regulam todo conhecimento humano. O mental está assim colocado entre duas exigências, uma externa e outra interna, entre duas objetividades, a das coisas (seja a substância psíquica) e a das relações lógicas. Esta dupla obediência é sem dúvida apenas consciente, e então apenas voluntária. E, portanto, não vai de fato sem vontade. Pode interromper- se, o mental pode se revoltar, no fundo de si mesmo, contra esta submissão aos princípios lógicos com à natureza das coisas. A razão é em princípio obediência; a loucura é em princípio recusa e insurreição. A razão, em sua definição a mais precisa, é em princípio a relação de subordinação do mental aos princípios lógicos que estão em si. Mas, às vezes, o « hábito » racional torna-se pesado, a alma mental se deixa obedecer àquela que não compreende, de fato, e rompendo o pacto primitivo que ela passou com sua própria estrutura interna e que a educação contribuiu para formar, desenvolver e manter, se desfaz e se abandona à multiplicidade caótica de seus próprios conteúdos7 .

Alan Watts: Intuição e Razão

Sérgio Fernandes: Filosofia e Consciência

O que constitui a "Razão" é essa forma de inconsciência ou desatenção ao presente que se chama "pensamento". Essa ilusão decorre da geração da temporalidade, pela Identificação, para fora das Aparências. "Temporalidade" é "estrutura de duração": dois polos têm que ser concebidos pelo pensamento como "idênticos a si mesmos", para que haja tempo — de um lado, o que permanece no ente-objeto; de outro, o que permanece no ente-sujeito. É só por isso que se pode tomar o tempo como "real" e se "esquece"de que toda realidade é virtual. Pensar é implementar a distinção Realidade/Aparência, ou Real/Virtual, dentro de um "campo" de virtualidade pura. O que ocorre é o inverso do que sempre se pensou: a Realidade é que está no tempo, e não pode, portanto, servir de "fundamento" para o que quer que seja. A "Realidade" não é Ser. Este está no "presente" de uma experiência pura, sem experienciador. A realidade tem um "fundamento", mas este é a Identificação das Aparências. No contexto da Ontologia que estou desenvolvendo, jamais se poderia usar a expressão "a ordem das aparências sensíveis, efêmeras, no tempo irreversível", pois esta não é uma ordem temporal. O tempo, contudo, retroprojeta-se, como ilusão, a partir da Realidade, sobre as Aparências, de modo a jamais estarmos no presente eterno, jamais ao Ser, mas sempre fora dele, nas formas de Existência. Já a "ordem lógica" só pode ser tomada como "reversível", como consequência da Identificação do "Eu". É para este que, fenomenologicamente, a ordem irreversível dos pensamentos parece distinta da "ordem" lógica, em que as conclusões estão atemporalmente presentes nas premissas. Aliás, seria um erro, já não "clássico", mas simplesmente crasso, tomar a eternidade como duração infinita, pois o eterno é o que não está no tempo.


NOTAS:
1 Esta renuncia no quiere decir de ninguna manera que el conocimiento de que se trata entonces sea en cierto modo contrario u opuesto al conocimiento mental, en tanto que éste es válido y legítimo en su orden relativo, es decir, en el dominio individual; no se podría repetir demasiado, para evitar todo equívoco a este respecto, que lo «supraracional» no tiene nada en común con lo «irracional».
2 Apenas hay necesidad de recordar que el «corazón», tomado simbólicamente para representar el centro de la individualidad humana considerada en su integridad, es puesto siempre en correspondencia, por todas las tradiciones, con el intelecto puro, lo que no tiene absolutamente ninguna relación con la «sentimentalidad» que le atribuyen las concepciones profanas de los modernos.
3 Ver EL ESOTERISMO DE DANTE, pp. 58-61, ed. francesa.
4 Tomamos aquí la palabra «verdad» en el sentido del término árabe haqîqah, y la palabra «Esencia» en el sentido de Edh-Dhât. — A esto se refiere en la tradición islámica este hadîth: «El que se conoce a sí mismo, conoce a Su Señor» (Man arafa nafsahu faqad arafa Rabbahu); y este conocimiento es obtenido por lo que se llama el «ojo del corazón» (aynul-qalb), que no es otra cosa que la intuición intelectual misma, así como lo expresan estas palabras de El-Hallaj: «Yo vi a mi Señor por el ojo de mi corazón, y dije: ¿quién eres tú? Él dijo: Tú» (Raaytu Rabbî bi-ayni qalbî, faqultu man anta, qâla anta).
5 Esto no debe entenderse únicamente de los estados que no corresponden más que a extensiones de la individualidad, sino también de los estados supraindividuales todavía condicionados.
6 Esta distinção não é sem relação com as “vasanas” e “samskaras” ; cf. O. Lacombe, L'Absolu selon le Vedanta, Paris, Geuthner, 1966, pp. 134-135.
7 Esta doutrina diz respeito evidentemente a uma boa parte das doenças psíquicas ; mas não podemos desenvolver essas aplicações.



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