Pierre Gordon — A imagem do mundo na antiguidade
O aspecto iniciático do grande ritual diluviano se desvenda claramente enquanto servia de preâmbulo às cerimônias da iniciação. Assinalava porque uma montanha (mais raramente uma ilha) era santa; aí tinha se situado, depois da grande catástrofe, a arca ou cofre da salvação; daí partiu a recriação espiritual da humanidade. Os novos iniciados tomavam assim de idade em idade, sobre a colina sacralizada pelo ancestral iniciador, o lugar dos antigos iniciados. Eles beneficiavam dos mesmos ritos e se impregnavam da mesma substância divina. A altitude santa local, onde se imobilizou, para um povo determinado, o vaso guardador de radiância, se tornou, desde então, o polo eterno do mundo; ela se identificava ontologicamente com a grande Montanha primordial, constituída pelo renovador da teocracia; em todos os países, os novos iniciados participavam da mesma liturgia e se unificavam na mesma energia sobrenatural. Este ritual diluviano foi um dos mais grandiosos que nossa espécie conheceu.
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Enquanto a primeira teocracia foi aquela da Ilha nórdica, a segunda teocracia foi aquela da Montanha, e teve sua sede muito mais ao sul e a leste: ela se instalou neste canto do globo muito provavelmente nos últimos séculos do quinto milênio antes da era cristã. Ela desfrutou de um prestígio incomparável. A Montanha dos Deuses, a Montanha Branca, a Grande Montanha, não é ignorada de nenhuma tradição, e seu papel na Imagem do Mundo foi insigne. É ela que se tornou o polo fixo do universo, o lugar transcendente onde a terra se unia ao céu. Os dirigentes da teocracia neolítica foram os deuses por excelência da antiguidade. Foram eles que reorganizaram a Ilha Sagrada do noroeste, aí delegando um dos seus (aquele que a Grécia clássica conheceu sob a denominação de Poseidon). Eles beneficiaram de um culto tanto mais fervoroso quanto a propagação dos ritos divinizadores eles associaram à difusão da agricultura e o pastoreio. Todos os povos antigos fizeram, a justo título, ascender a eles sua civilização, suas artes, suas técnicas, assim como seus costumes religiosos. Tudo, na antiguidade, data deles, É somente por seu intermédio que é possível perceber o período paleolítico antecedente.
Henry Corbin: Corbin Homem Luz
Ahora bien, es precisamente esta montaña [Qaf] la que, en el Relato del exilio occidental — cuyo título contribuye a dar su sentido pleno a la «teosofía oriental» —, debe escalar el exiliado que por fin ha recordado su casa; debe llegar hasta la cima, hasta la Roca de esmeralda que erige ante él la pared traslúcida de un Sinaí místico; es ahí, como ya hemos visto (supra II, 1), en el umbral del pleroma de luz, donde el peregrino místico se encuentra con su Naturaleza Perfecta, su Espíritu Santo, en una anticipación extática que se corresponde con la dramaturgia mazdea del encuentro auroral con la Persona celestial en la linde del Puente Chinvat. En este umbral comienza el «clima del alma», el mundo de una «materia» sutil de luz, mediadora entre el mundo de las puras luces querubínicas y el mundo de la physis, englobando este último tanto la materia sublunar corruptible como la materia astral de los cielos incorruptibles. Todo este universo de la physis forma el Occidente cósmico; el otro universo es el Oriente, y este Oriente comienza con el clima del alma, el «octavo» clima.