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Gratidão

VIRTUDE — GRATIDÃO


VIDE: RECONHECIMENTO

PERENIALISTAS
Frithjof Schuon: O ESOTERISMO COMO PRINCÍPIO E COMO VIA

A gratidão: o homem reconhecido é o que se mantém na santa pobreza, ou numa espécie de santa monotonia, se quisermos, no meio de distrações inevitáveis e de ocupações complexas. Mantém-se igualmente em estado de santa infância, conservando-se venturosamente afastado de toda curiosidade doentia, de toda tentação que simultaneamente aprisiona e persegue.

A gratidão é uma virtude que nos permite não só nos contentarmos com pequenas coisas — aí está a santa infância — mas, também, apreciar ou respeitar as coisas pequenas ou grandes porque vêm de Deus, a começar pelas belezas e dons da natureza. É preciso ser sensível à inocência e ao mistério das obras divinas. A adoração da Substância divina acarreta o respeito aos acidentes que a manifestam. Adorar a Deus "em espírito e em verdade" é respeitá-Lo também através desse véu que é o homem, o que praticamente equivale a dizer que é preciso respeitar em todo homem a santidade potencial na medida em que isso é racionalmente possível. Em resumo, admitir, aliás, compreender a transcendência do Criador é reconhecer sua imanência nas criaturas. Na medida do possível, temos o dever de mostrar aos outros que não daremos importância à sua acidência terrestre, mas que, pelo contrário, queremos realmente ter consciência de sua substância celeste, o que exclui toda trivialidade no comportamento social. A polidez é um modo indireto de ajudar nosso próximo a se santificar ou a se lembrar de que, sendo feito de santidade na qualidade de imagem de Deus, é, por essa mesma razão, feito para a santidade. Falar em respeito ao próximo é falar em respeito a si mesmo, pois o que é verdadeiro para os outros é também para nós; o homem é sempre um santo virtual. A dignidade nos é imposta por nossa deiformidade, pelo nosso sentido do sagrado, pelo nosso conhecimento e nossa adoração a Deus; a nobreza integral faz parte da . O homem nobre mantém-se sempre no centro; jamais perde de vista o símbolo, o dom espiritual das coisas, o signo de Deus, a gratidão simultaneamente ascendente e resplandecente.